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Coronavírus testa a democracia brasileira

Coronavírus testa a democracia brasileira

Roberto Azevedo

A repercussão das declarações do presidente da República sobre os efeitos do Coronavírus, que qualifica como uma “gripezinha”, foi proporcional ao problema de saúde pública que assola o Brasil e o mundo, algo tão complexo que não justifica estar restrito às manifestações de favoráveis e contrários a Jair Bolsonaro.
No contexto, menosprezar a incidência da doença que provocou, em menos de um mês, 59 mortes (até o fechamento desta coluna) em território nacional, a maioria em São Paulo e Rio de Janeiro, já com o primeiro óbito registrado no Rio Grande do Sul, não ajuda a tese de que está na hora de começar a volta à normalidade com a abertura de estabelecimentos comerciais.
O que é inevitável, a vida seguir seu curso, deve estar amparado na opinião técnica e científica, paralelamente à necessidade de reativação da atividade econômica, dois assuntos tão relevantes que não são concorrentes, mas erram em cheio quando o debate é levado para o campo político e vira um enfrentamento sobre a consistência da democracia brasileira.

AS REAÇÕES
O governador Carlos Moisés participou de uma videoconferência com o Fórum de Governadores e o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta quarta (25), e o tema não poderia ser outro senão o atrito provocado com o presidente Jair Bolsonaro. A maior reclamação é a de que Bolsonaro usou um discurso na manhã de terça, durante a videoconferência com os chefes de Executivo estaduais, e à noite fez uma manifestação no sentido inverso. Quanto as medidas de isolamento social, fechamento de comércio, escolas e o tráfego de ônibus entre os estados e município, os governadores manterão a posição. Moisés pregou o equilíbrio, entre o tempo de manter os procedimentos de saúde pública e a retomada da atividade econômica, que será em etapas. A palavra sensatez foi usada pelos governadores e somente Ibaneiz Rocha, do Distrito Federal, estava ausente.

Não é bom
A cobrança do governador de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB), também em videoconferência, em uma conversa com o presidente Jair Bolsonaro não acrescentou nada no processo. Um desastre que sucedeu outro, sem que melhorasse a condição de ninguém.

Aliados pularam fora
O impacto das declarações de Bolsonaro podem ser medidos pela reação do médico, ex-senador e atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que não só repudiou o posicionamento como foi enfático ao dizer que as medidas que restringe a circulação de pessoas serão mantidas. Em Goiás, vale a palavra do governador, assegura Caiado, enquanto a Advocacia Geral da União tenta derrubar a decisão do STF que autorizou a autonomia de governadores e prefeitos para tomar medidas de combate ao coronavírus.

Indignados
Os secretários municipais de saúde também reagiram e, em nota do Conselho estadual que os reúne, o Comsems/SC, assinada pelo presidente Alexandre Lencina Fagundes, consideraram equivocada a manifestação do presidente da República e reiteraram o apoio às orientações técnicas da Organização Mundial da Saúde, que guia as práticas de combate ao Coronavírus em todos os países. O conselho também manifestou solidariedade às medidas de combate à COVID-19 adotadas pelo governo do Estado e pela Secretaria estadual da Saúde, já que o momento de união de todos os entes da nossa sociedade e não é hora de ressaltar as diferenças políticas e ideológicas.

Alerta dos supermercados
O preço do leite disparou e os supermercadistas e o Ministério Público estão de olho, já que os valores pularam de R$ 2,10, R$ 2,15 e R$ 2,30 por litro para R$ 3,10, R$ 3,23, R$ 3,70 e R$ 3,80 para novos pedidos. O pior, os produtores cancelaram os valores dos pedidos anteriores, e o supermercados alertam para um preço que pode chegar próximo de R$ 5, inclusive o leite de cooperativas catarinenses.

E o MP
O Ministério Público Estadual, pela 29ª Promotoria de Justiça da Capital, com abrangência em toda Santa Catarina, abriu inquérito civil, com base na defesa do consumidor, para investigar as indústrias catarinenses que produzem, distribuem e vendem o leite. Resumo: as empresas têm até esta quinta (26) para responder às questões levantadas pelo procedimento com a remessa dos documentos e notas fiscais que comprovem suas informações de custos.

Importante
Professores do Laboratório de Sanitizantes da Universidade Federal de Santa Catarina fazem um apelo que interessa a toda a sociedade. Eles pedem a doação de carbopol para a fabricação de álcool em gel, que será distribuído em hospitais de Santa Catarina. Quem tiver o produto pode entrar em contato pelo e-mail faleconosco@feesc.org.br.

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