Home Notícias Voz do Povo Comprou casa interditada e corre o risco de ser despejada

Comprou casa interditada e corre o risco de ser despejada

Golpistas arrancararam placas de interdição e vendem imóveis condenados a inocentes

Paula comprou casa condenada pela justiça por R$ 8 mil

A costureira Paula da Silva, 36 anos, achou que tinha encontrado a oportunidade de sair do aluguel. Viu uma casa no bairro Vila da Paz, no bairro Nossa Senhora das Graças, em Itajaí, sendo oferecida em uma rede social por R$ 8 mil. Só que o sonho da casa própria virou pesadelo.
Assim que se mudou, no final de maio, começou a ser visitada pela secretaria de Habitação e pela Defesa Civil. A casa está condenada, foi interditada e será demolida em breve. Desesperada, Paula não sabe o que fazer, já que investiu todo o dinheiro no imóvel.
Um processo judicial selou o destino de 20 casas da Vila da Paz quando a prefeitura teve uma decisão favorável da justiça, em 2015, para a demolição de todos os imóveis.
A costureira conta que, além do dinheiro pra comprar a casa, já investiu cerca de R$ 3 mil em reformas e agora não tem mais dinheiro.“Se a casa foi interditada em 2015 por que não desmancharam ainda?”, questiona.
Essa não é a única moradia nessa situação. Das 20 casas do processo, 14 já foram demolidas, segundo a Defesa Civil. Outras duas estão desocupadas e vão ao chão em breve. Outras quatro também estão ocupadas por novos moradores que chegaram depois da sentença.
Em 2015, a defesa Civil instalou placas de interdição nas moradias e informou sobre a necessidade de saírem para a remoção. “Muitos arrancaram a placa e venderam as casas”, conta Raphael Catarina, coordenador interino da Defesa Civil.
Esse é o caso de Paula. Ela mora na casa de dois cômodos e um banheiro com a filha de 12 anos. Instalou as máquinas de costura e faz roupas de bebês e agasalhos de crianças para vender pela internet.
Ela acredita que pelo menos cinco pessoas já passaram por ali após a interdição e foram revendendo o imóvel.
Na segunda-feira, ela foi visitada pela Defesa Civil. Ela conta que os fiscais queriam tirar os móveis de casa. “Dizem que vão quebrar tudo, que a polícia vai chutar minha porta de madrugada e me colocar pra rua”, desabafa.
Com o contrato de compra e venda nas mãos, autenticado em cartório, Paula acredita que merece auxílio da prefeitura, como aluguel social ou outra casa num projeto social. “O que eu tinha eu investi aqui. Não tenho para onde ir. Não quero ficar na rua!”, lamenta.

Não tem direito
O coordenador interino diz que a função da Defesa Civil é informar aos moradores da decisão judicial sobre a demolição e negociar a saída. “Nosso intuito é resguardar vidas”, diz.
Ele explica que os moradores originais das 20 casas do processo foram cadastrados e ganharam o benefício do aluguel social. O direito não pode ser estendido aos novos moradores. “Infelizmente, ela não tem direito a nada”, explica.
Segundo Raphael, os antigos donos tiraram as placas de interditação e venderam os imóveis para se livrar do prejuízo. Muitos que compram, ao saber da pendência judicial, também revendem.
A defesa Civil e a secretaria de Habitação vão encaminhar à procuradoria um relatório da situação, informando sobre a nova ocupação e sugerindo demolições imediatas.
Fábio Quevedo, procurador do município, explica que além dessas casas outras já foram construídas nas áreas de risco da Vila da Paz. “Sobre a nova invasão vamos aguardar os relatórios e avaliar se vamos entrar com nova ordem judicial”, explica.
O procurador entende que as casas que pertencem ao processo judicial não precisam de novo pedido de demolição. “O que a Defesa Civil tenta é a saída amigável, mas já temos decisão para a remoção”, finaliza.

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