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Socialite faz festa com ar de celebração da escravidão

Niver de 50 anos de Donata Meirelles durou três dias; uma das festas pegou mal

Cena foi interpretada como racismo. Para a socialite, foi uma homenagem à cultura baiana

Afesta da socialite Donata Meirelles, diretora da revista Vogue Brasil, que rolou no último fim de semana em Salvador (BA), provocou revolta na internet. No primeiro dia da festa, que aconteceu no palácio da Aclamação, a socialite teria reproduzido um ambiente da escravatura brasileira, com mulheres negras vestidas de mucamas e servindo os convidados, inclusive posando ao lado de um trono. Donata nega. Ela diz que o objetivo foi mostrar a cultura baiana e pediu desculpas caso tenha dado outra interpretação.
A festa foi daqueles eventos que ficam para história. Caetano Veloso foi contratado para tocar aos convidados. Preta Gil e Gilberto Gil também. Num dos dias da festa, Donata apareceu com um caríssimo vestido da Maison Valentino, que está na capa da edição de fevereiro da Vogue, e foi surpreendida com uma mensagem de parabéns do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.
Mas o que provocou a revolta não foi a ostentação. Foi o que rolou na sexta-feira, no palácio da Aclamação. Mulheres negras recebiam os convidados usando o que aparentava ser o vestuário de mucamas, as escravas das ricas senhoras do Brasil Colônia.
Para o registro fotográfico, os convidados ainda eram levados a uma grande cadeira com uma mulher negra de cada lado. Aos mais encalorados, ainda havia o benefício de um abano das mulheres negras, tal como faziam as escravas para seus senhores.
Quando as fotos começaram a sair nas redes sociais, a revolta foi geral. Não só militantes de movimentos étnicos, como alguns artistas se posicionaram chocados.
“Vivemos na tal escravidão moderna, onde nossas dores viram fantasias, decoração de festas pra beneficiar o mau gosto das sinhás. A senzala moderna continua sendo o quartinho da empregada”, escreveu a cantora Joyce Fernandes.
A jornalista baiana Rita Batista chegou a postar duas imagens, uma que demonstrava como as famílias ricas saíam às ruas ostentando suas mucamas e outra da festa de Donata Meirelles.

Pediu desculpas
A socialite nega que tenha reproduzido cenas da escravidão. “(…) Nas fotos publicadas, a cadeira não era de Sinhá, e sim do candomblé, e as roupas não eram de mucamas, mas trajes de baiana de festa”, argumentou, afirmando que respeita a cultura baiana.
Também pediu desculpas. “Ainda assim, se causamos uma impressão diferente, peço desculpas”. E concluiu: “Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir”.

Sandro Silva
Tem 31 anos de jornalismo, formado em pedagogia pela Udesc e com MBA em Gestão Editorial. geral@diarinho.com.br
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