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Ensaios que viram realidade

Ao narrar jogos de botão na infância, sem saber Célio Marinho já treinava para a vida profissional

Muitas vezes não percebemos que muito do que fazemos na fase adulta teve seu correspondente nas nossas brincadeiras de infância e juventude. Fizemos ensaios antes da estreia de verdade. Mas eles ficam esquecidos, apagados da nossa história de vida, jogados fora como borrões, rascunhos.
Em uma entrevista que concedeu ao nosso DIARINHO, o comunicador Graciliano Rodrigues revela que costumava narrar jogos da Sociedade Esportiva Estrela Azul, na sua pequena ‘Antônio Carlos’ – interior de Biguaçu à época –, para brincar com os amigos. Eu mesmo fiz meu primeiro jornal em mimeógrafo a álcool, ainda quando frequentava os bancos do Colégio Salesiano, com o sugestivo título ‘Atire a primeira pedra’. Também, com Beto Abílio, Luiz Franzoi e outros amigos confeccionava pequenos livretos desenhados e manuscritos.
Eu e Graciliano, sem sabermos, brincando de narrar e escrever, estávamos ensaiando para a vida profissional.
Segundo nos conta Paulo Afonso Vaz – filho do grande farmacêutico Pedro Ivo –, o consagrado radialista Célio Alves Marinho quando jovem narrava as partidas de futebol de botão de um campeonato que ocorria entre amigos na residência do seu Egídio Narcisio.
Célio era funcionário da ‘Casa Narciso’ e frequentava a residência dos patrões Egídio e Esther. Ali eram desenvolvidos campeonatos de futebol de botão de uma ‘liga’ composta por alunos do Colégio Salesiano, contando com a presença do filho de Egídio – Humberto – e os amigos Homero Malburg, Salomão Figlass, Saulo Nascimento e o próprio Paulo Afonso Vaz. Célio narrava tão bem os jogos da liga que acabou se destacando na cidade e, logo depois, assumindo os microfones da poderosa Difusora, fazendo história no rádio catarinense.
Não foram poucas as vezes que já ouvimos a sentença de que ‘a vida é feita de ensaios e erros’. Muitas pessoas já demonstram certas habilidades precocemente e, ainda na infância ou juventude, fazem ensaios tímidos para testar a si próprias. Mas cabe à vida, na sua dialética perversa, se encarregar de confirmar ou não tais tendências. Quanto talento é dispersado porque a pessoa não tem equilíbrio emocional ou toma decisões erradas na vida? Quantas histórias de vidas são retomadas depois de décadas ou com a aposentadoria?
De tudo o que vi até hoje na vida sobre esse tema apenas uma verdade prevalece: nunca é tarde para se tirar de um ensaio um belo espetáculo e de um rascunho um grandiosa obra de arte.

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