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E nóis, seu Lito? E nóis, seu Lito?

Prefeito Lito Seára vistoriando obra de calçamento da avenida Marcos Konder

Carlos de Paula Seára foi prefeito de Itajaí por dois mandatos nas décadas de 1950 e 1960. Era conhecido como ‘durão’ porque não dava mole para os funcionários públicos e muito menos para os contribuintes. Com ele era tudo na ponta do lápis, tim-tim por tim-tim, como se dizia no antigamente. Acordava bem cedinho e com o galo cantando já estava na rua vistoriando as obras municipais. Os peões recebiam ordens diretas do ‘Alemão’ e a cidade experimentou uma onda de saneamento sem precedentes em sua História. Foi nos mandatos de Carlos Seára que o itajaiense pegou, definitivamente, o gosto por ver a cidade florida e limpa, com suas ruas pavimentadas. Muita gente que vinha a Itajaí estranhava a limpeza da cidade porque esperava uma cidade suja por ser portuária. Nada disso, com o Carlos Seára a cidade era como o jardim da sua casa.
Por não poder acusar o prefeito de desvio do dinheiro público ou qualquer outro malfeito na administração da cidade, os adversários partiam para a ironia de sua pessoa. Daí uma propensão de atribuir apelido ao prefeito. O primeiro apelido que pegou foi ‘Carlito’ que rapidamente se tornou ‘Lito’.
Junto com Lito circulava o apelido, menos confortável, porque mexia com seu caráter de durão, que era ‘Alemão’. Longe dos círculos dos amigos e puxa-sacos, porém, Carlos Seára tinha um apelido mais constrangedor: ‘Galo Cego’. O apelido fazia referência ao fato dele portar um olho de vidro.
Como sempre acontece na política, a oposição não perdoa: se o político não tem defeitos como homem público, servem os defeitos pessoais mesmo. O que não pode é ficar sem falar mal dele, senão não tem eleição no ano seguinte.
Enfim, Lito Seára tinha uma verdadeira obsessão por deixar a cidade limpa. Fazia o que podia para calçar as ruas de Itajaí, colocar canteiros com rosas, limpar tudo.
Um dos trabalhos mais interessantes que fez, apesar de quase não aparecer às vistas do povão, foi aterrar o máximo possível os terrenos que apresentavam alagamento e ofereciam riscos à saúde pública. Como sabemos Itajaí foi construída em cima de um banhado e muitos terrenos eram insalubres.
Lito foi tampando tudo que é poça d’água que encontrava pela frente retirando da geografia da parte urbana da cidade os terrenos alagadiços e fétidos. Quando não tinha macadame servia cepilho mesmo. O que não podia é ficar poça d’água parada ‘emporcalhando’ a cidade portuária mais limpa do Brasil.
Segundo nos conta o memorialista Isaque de Borba Corrêa, a oposição novamente não se conformou com essa ação sanitária do prefeito e ficou tirando uma casquinha dizendo que por onde o Seu Lito passava ouvia os sapos coaxando em tom de reclamação: “E nóis, Seu Lito? E nóis, Seu Lito?!”.

Prefeito Lito Seára vistoriando obra de calçamento da avenida Marcos KonderCarlos de Paula Seára foi prefeito de Itajaí por dois mandatos nas décadas de 1950 e 1960. Era conhecido como ‘durão’ porque não dava mole para os funcionários públicos e muito menos para os contribuintes. Com ele era tudo na ponta do lápis, tim-tim por tim-tim, como se dizia no antigamente. Acordava bem cedin[...]Assine o Diarinho
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