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Ciganas, videntes e madames

O esoterismo nunca saiu de moda

Andando pelo calçadão da rua Hercílio Luz sempre acabo recebendo uma meia dúzia de panfletos publicitários, os famosos mosquitinhos, que acabo invariavelmente jogando na primeira lixeira que encontro pela frente. Mas, dia desses, recebi um panfleto vermelho de uma astróloga e vidente que me garantia ter ‘o caminho certo e seguro para a sua [minha] felicidade’. Automaticamente, não sei por qual cargas d´água, lembrei do tempo em que era comum encontrar algumas ciganas andando pelas ruas do bairro São João ‘lendo’ as palmas de nossas mãos enquanto os ciganos se encarregavam de vender tachos de cobre e outros utensílios domésticos. Eu, ainda pequeno, corria pra dentro de casa para me esconder debaixo da cama, porque diziam que os ciganos ‘roubavam criancinhas pra fazer sabão’.
Depois de repassar toda a minha memória sobre essa questão de videntes, astrólogas e ciganas, comecei a ler com mais detalhes o panfleto que tinha em mãos. Sem sequer dizer seu nome a iluminada afirmava ter mais de 30 anos de experiência e seriedade ajudando a resolver todos os tipos de problemas tais como: amor, negócios, casamento em crise, indústria e lavoura que não prosperam, impotência sexual em ambos os sexos, vícios na família ….’, porque era ‘Especialista em consultas pelas cartas de Tarot, Búzios Africanos e pela Palma da Mão’. Enfim, uma ‘especialista generalista’.
Ainda com o ‘mosquitinho’ beliscando a palma da minha mão fiquei pensando em como as pessoas, em pleno século XXI, ainda acreditam em certas crendices sem sustentação científica. Tanta ciência colocada à nossa disposição pela medicina, biologia, psicologia, psiquiatria… e a pessoa paga para ver o que supostamente o destino escreveu nas linhas da palma de suas mãos. Bem, tem gente que ainda cai no ‘conto do bilhete premiado’ e acredita que ganhou um prêmio milionário em um sorteio da qual nem sabia que estava concorrendo [golpe por telefone].
Ainda pelo caminho lembrei daquela minha amiga jornalista que desempregada do jornal em que trabalhávamos simplesmente montou em sua casa uma ‘tenda mística de madame …’ passando a ler cartas de Tarot e Búzios aos blumenauenses desavisados. O sucesso foi tão grande que chegou a ter anúncio na RBS TV e algumas rádios da região. Depois, esgotado o mercado local, acabou vindo morar em Itajaí; depois, Balneário Camboriú; depois… Dia desses vi afixado em um poste da rua João Bauer um pequeno anúncio de um vidente que lia cartas ‘gratuitamente’. Quase telefonei para o número indicado por ficar curioso sobre o quanto esse ‘gratuitamente’ era realmente gratuito, mas resolvi ficar quieto no meu cantinho de ordeiro cidadão agnóstico.

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