Home Notícias Variedades Aventureiros contam como foi percorrer 15 mil Km em uma Kombi

Aventureiros contam como foi percorrer 15 mil Km em uma Kombi

Quatro países visitados em 94 dias de viagem. Aline Sophiatti Becker e Allan Becker, moradores de Balneário Camboriú, largaram tudo, transformaram uma Kombi em motorhome e percorreram 15 mil quilômetros passando pelo sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.

A aventura ganhou um nome, Rotina Nômade. A Kombi foi batizada de Dona Amora, nome de uma peludinha que não pode acompanhar o casal por conta da idade. Determinados, venderam os carros, juntaram as economias e compraram uma Kombi, ano 2008. A transformação do utilitário foi toda feita por eles, e contou com o apoio da família. Foram gastos aproximadamente R$ 50 mil com a compra do Kombi, a transformação em motorhome e demais despesas.

No dia 28 de junho, pegaram a estrada. Toda a viagem foi compartilhada em vídeos pelas redes sociais. Banhos em postos, almoços improvisados, manutenção da Kombi e lindas paisagens.

Mesmo com rotas pré-estabelecidas, o casal planejava pela manhã o trajeto a ser percorrido. “Todos os dias durante o café definimos uma direção a seguir, onde gostaríamos de chegar naquele dia ou em alguns dias, e a partir disto íamos seguindo e buscando coisas pra conhecer e fazer neste período. Chegando mais para o final da tarde buscávamos possíveis pontos para dormir”, explica Allan.

Imprevistos como falta de combustível, ou lugares ermos, acabavam desviando a Kombi da rota, o que não acabava sendo de todo mal. Quase nunca conseguimos cumprir o destino, acabávamos por desviar o caminho e explorar outros pontos que não havíamos pensado”, conta.

Entre pontos turísticos, postos de gasolina e quilômetros de estradas, belas paisagens foram uma constante durante os 94 dias. O frio intenso proporcionou experiências incríveis. “Acordava no meio da noite, ou no meio da manhã, e não lembrava onde estava, e sem saber onde iria dormir na próxima noite ou se iria tomar banho”, relembra Aline.

Costumes inusitados da população local ficaram na memória dos dois. Na Patagônia a população local se alimenta do Guanaco, um camelídeo nativo da América do Sul, cuja altura varia entre 107 e 122 cm. Pesa cerca de 90 kg. Parente do Camelo, o bichinho é pacato e muito bonito. “Eles estão por todos os lugares, vivem soltos nas ruas. Dá pena de comer o animal”, brinca Aline.

Na Argentina a tradicional “sesta”, aquela dormidinha após o almoço, se estende até às 17h. “O comércio fecha e abre pelas 18h, se estendendo pela noite. Muitas vezes, os viajantes precisaram esperar a dormidinha dos hermanos para se alimentar ou abastecer o carro.

Allan nunca irá esquecer do dia que literalmente viveu as quatro estações do ano em um único dia. “Com certeza, foi a exuberância e volatilidade das maravilhas da Patagônia. Chegamos a pegar neve, sol, chuva, vendaval. Tudo isso em poucos quilômetros”, relembra.

Perigos e ajuda de “Kombeiros”

Viajar para lugares desconhecidos onde a cultura é diferente da que estamos acostumados, pode ser perigoso. Allan e Aline não foram assaltados ou sofreram nenhum tipo de violência durante a viagem, mas passaram por alguns perrengues. “Ficamos “quase” sem combustível umas quatro vezes devido longas distâncias entre os postos e a pouca autonomia da Kombi. Uma vez tivemos que usar o galão reserva que ficava embaixo dela, mas evitávamos isso pois era bem complicado mexer nele”, relembra Allan. Com uma média de consumo de combustível na casa dos 10 km/l, a “Dona Amora”, pregou alguns sustos, o maior foi em uma rodovia, em Santiago, no Chile.

“A situação mais perigosa foi quando perdemos o motor, foi um dia inteiro de perrengue com ela fervendo, a gente tendo que parar em cima de calçada, numas quebradas bem barra pesada e até num refúgio de SOS em cima de um viaduto numa rodovia em plena sexta-feira à noite no horário de pico” conta.

Por meio de grupos de whats, Allan e Aline conseguiram ser rebocados. Antes da viagem a Kombi recebeu um engate que possibilitou mover o veículo. A ajuda veio de um casal de “kombeiros”, pessoas que nutrem o mesmo desejo por aventura e viagens, desde que seja dentro do simpático modelo da Volkswagen.

“Fomos sendo adicionados em grupos de Kombeiros e viajantes ao longo da viagem e com isso íamos tentando apoio. Esse dia do perrengue, havíamos conseguido o contato desse pessoal por um grupo de mecânicos de Kombi”.

Ao contrário de outros países que comercializavam a Kombi, o Brasil foi o único país a adotar um motor refrigerado à água, ao contrário de décadas de uso do tradicional motor refrigerado a ar, marca registrada dos modelos VW, entre eles o Fusca. “A Kombi era um atração, pois muitos mecânicos e entusiastas de viagem não conheciam ou nunca tinha visto de perto uma Kombi à água”, relembra Allan.

Grande parte dos contatos com outros aventureiros foi feito durante a viagem. “Recebemos apoio da família, mas as novas amizades que fizemos foi tudo na estrada”, se diverte Allan. Apesar dos infortúnios, o mais legal é que o relacionamento dos dois não se abalou durante todo o tempo. “O casamento resistiu com honra”, brinca Aline.

Deserto do Atacama é o próximo desafio

De volta a Balneário Camboriú, o casal já planeja os passos para a próxima empreitada, o Deserto do Atacama. Localizado na região norte do Chile até a fronteira com o Peru, o deserto tem cerca de 1000 km de extensão, sendo considerado o mais alto do mundo.

“Como tivemos custos não esperados com o motor e o câmbio do carro, tivemos que voltar, deixando de lado o Paraguai e Foz do Iguaçu. De Santiago viemos direto pra BC. Agora vamos nos organizar, juntar dinheiro e terminar essa parte e talvez emendar com o deserto do Atacama”, explica. Se tudo der certo a Kombi cairá na estrada em 2020.

Para viabilizar a viagem ao Atacama, a dupla irá recorrer a patrocinadores. “Vamos buscar apoio de empresas para o patrocínio. Vimos que a maioria das pessoas que viajam passam dois ou três anos se preparando, planejado, buscando parcerias e tudo mais. Nós em menos de três meses decidimos, montamos tudo e fomos”.

Após o Atacama o Brasil será o destino. “Queremos viajar o Brasil com os cachorros, que foi o que sentimos mais falta”, planeja Aline.

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