As travessuras de sempre

Travessuras de gente grande e pequena sempre foram uma tradição em Itajaí

Quando estamos em grupo, nos divertindo entre amigos, é comum, em determinado momento, começar espontaneamente uma sessão de contação de histórias engraçadas. Quem não tem uma boa história para contar? Eu tenho as minhas e os jornais antigos de Itajaí também contam muitas dessas histórias. Das minhas histórias tenho de retirar algumas com teor cropológico, o restante é só diversão. Atualmente as escolas brasileiras incorporaram a tradição estadunidense do ‘dia da bruxa’ [halloween] onde as crianças sentenciam ‘Doces ou travessuras’. Mas, travessura não é atividade exclusiva das crianças como já mostrava o entrudo que ocorriam no nosso carnaval.
Obviamente que nem sempre uma brincadeira alcança o objetivo esperado e, como foi o caso do entrudo no Brasil antigo, uma brincadeira podia muito bem acabar muito mal. Aqui mesmo em Itajaí temos uma história contada pelos jornais de época onde uma brincadeira acabou em morte. Isso ocorreu quando certo dia Samuel Heusi chegou em casa com sangue nas mãos afirmando taxativamente para sua mulher Anna Heusi: ‘Dê-me o meu revólver que quero matar o cachorro do Henrique’. Dona Anna estava em estado avançado de gravidez, ficando muito apreensiva por entender que seu marido estava querendo matar o vizinho. Em seguida foi tendo ‘ataque sobre ataque até dar a alma ao creador’. O jornal A Idéa, na edição do dia 4 de março de 1886, garante que tudo não passou de um mal-entendido já que Samuel Heusi pretendia matar o cachorro e não o vizinho.
Um dia, estava debruçado sobre os jornais antigos da hemeroteca da Fundação Genésio Miranda Lins quando, abruptamente, senti o chão de madeira tremer, ouvindo um forte estouro simulando uma explosão ou algo parecido com isso. Concentrado que estava na pesquisa, fiquei emocionalmente abalado ‘saindo completamente de órbita’. Só dei por mim quando estava sendo atendido por socorristas do sistema de saúde. Um jovem estagiário, querendo pregar susto na funcionária Maria de Fátima Maçaneiro foi o responsável pela brincadeira que por pouco não teve consequências danosas para mim e para a própria historiadora.
No meu tempo de criança, ali na rua Max, nós fazíamos cobras com panos velhos, amarrávamos em um barbante fino e ficávamos esperando as pessoas desavisadas passarem. Ficávamos escondidos atrás das cercas, encobertos pela penumbra da noite e, dada a oportunidade, puxávamos o barbante para a cobra se mover próximo aos pés dos transeuntes. Era diversão certa para a molecada… mas só para a molecada.

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