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Aprendendo a viver com mais tecnologia [parte 5]

Dia desses acompanhei diversos debates sobre movimentos que vem ocorrendo no mundo inteiro contra o uso de sistemas de reconhecimento facial e outras tecnologias que identificam as pessoas onde elas estiverem. Não precisa dizer que é uma guerra perdida do tipo Dom Quixote de La Mancha e os moinhos. Essas tecnologias vem para ficar, para o bem e para o mal. O setor público necessita desses sistemas para manter a segurança de pessoas que vivem em centros urbanos aos milhões. Na carona dessa necessidade do Estado vem o oportunismo político e as muitas vantagens dos comerciantes em identificar rapidamente um cliente em potencial. Tudo isso junto nos garante que chegamos em definitivo à sociedade do ‘Grande Irmão’ que George Orwel havia projetado para o ano de 1984.
Recentemente ‘virilizou’ na internet imagens de uma senhora roubando flores do canteiro central da avenida Contorno Sul. Na mesma semana, imagens de câmeras de segurança de edifícios mostravam arrombamentos, assaltos a mão armada, brigas e até suicídios. Ninguém tem mais dúvidas de que estamos caminhando para uma sociedade de controle total. Nossas faces e mãos já estão sendo escaneadas, digitalizadas, transformadas em logaritmos e nossos passos seguidos diuturnamente. Isso acontece em locais externos [públicos e privados] mas também dentro do nosso celular, computador e televisão. Os bancos de dados guardam milhares de detalhes sobre nós, como nossa cor preferida, jeitos, trejeitos, postura corporal e até as palavras que mais utilizamos e por isso fazem mais sentido ao nosso cérebro.
O sistema de controle total caminhou lentamente até aqui com as carteiras de identidade, deu um passo gigantesco com as câmeras de monitoramento das ruas e salas comerciais para se consolidar em definitivo através de sistemas de biometria públicos e privados. A minha primeira experiência com identificação biométrica ocorreu no recadastramento eleitoral de 2017 visando à eleição de 2018. Mais recentemente, no final de 2019, fiz a biometria para ter acesso ao caixa eletrônico do banco. Ainda não tive a oportunidade de ser identificado pelos meus olhos, mas sei, é uma questão de tempo.
Não se trata apenas do Estado estar monitorando seus passos de cidadão como previu George Orwel no livro 1984. É algo muito maior, desproporcionalmente maior, porque trata-se de tecnologias agregadas que ficam sob controle de todos: do Estado – através dos sistemas de segurança pública e burocracia; da iniciativa privada – através de bancos de dados com perfis dos consumidores; do cidadão comum – que tudo vê e tudo filma para disponibilizar nas redes sociais. Dessa forma, ‘1984’ ficou no passado, que venha então ‘Blade Runner’ e seus robôs humanizados.

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