A mulher na política

Anita Pires (à direita), líder da oposição itajaiense na década de 80

Um dos assuntos mais polêmicos na vida política brasileira é o voto feminino. Por um século o debate envolveu liberais e conservadores. Aqui em Itajaí não foi diferente do restante do Brasil.
Liberais e conservadores travaram luta renhida até 1933, quando restou vencedora a tese democrática de que a mulher também tinha o direito de votar.
Mas o processo de empoderamento da mulher ainda segue lento. As poucas mulheres que ocupam cargos de destaque nos setores público e privados aparecem mais como exceção do que regra num mundo ainda completamente dominado pelo homem.
Quando tratamos do empoderamento da mulher replica em nossa mente as palavras do conservador Juventino Linhares, publicadas no jornal O Pharol de 1928: “Não pode existir cousa mais pittoresca do que mulher votar. É o mesmo que homem pregar botão na camisola de creança, passar a ferro as toalhas da mesa ou ir para a cosinha botar pão de lot em panella de barro […] Só podem ser favoráveis a essa história de voto feminino, os homens Maricas que vestem calças por engano e as mulheres de bigode que usam vestidos por distracção.”
A primeira iniciativa em favor do voto feminino em Itajaí ocorre por iniciativa do Partido Liberal Catharinense, que montou o comitê feminino para propaganda dos ideais liberais democráticos em agosto de 1929. Logo depois, às portas da Revolução de Trinta, a secretária Ignez Oliveira requer seu alistamento eleitoral e declara voto ao oposicionista José Eugênio Müller. O juiz nega o pedido, mas seu ato pioneiro corre como rastilho de pólvora pelo território catarinense. Com a vitória dos revoltosos de 1930 a mulher ganha a condição de eleitora. Em Itajaí, o primeiro voto feminino oficial foi de Anna Zibardi Rodi, na eleição de maio de 1933.
A história do Poder Legislativo itajaiense evidencia essa dificuldade da mulher conquistar seu lugar na cadeia de comando social. Neoflides Vieira Wendhausen foi eleita vereadora em 1950 e somente em 2001 Jussara Panplona foi eleita a primeira mulher presidente da Câmara de Vereadores de Itajaí. No Poder Executivo os obstáculos enfrentados pelas mulheres são os mesmos.
O eleitor itajaiense elegeu Eliane Rebello e Dalva Rhenius vice-prefeitas, mas ainda não chegou a oportunidade de uma mulher ser eleita prefeita da cidade. No Poder Judiciário o destaque fica por conta da juíza Sônia Moroso Terres, por anos consecutivos diretora do Foro da Comarca de Itajaí.
Quando falamos em empoderamento da mulher o primeiro nome que surge em destaque é o de Onadir da Silva Tedéo. Ela foi uma mulher que efetivamente exerceu o poder na estrutura burocrática da prefeitura de Itajaí por décadas. No setor institucional destacamos Isabel Sandri que ocupou o vistoso cargo de presidente da Associação Comercial e Industrial e, Anita Pires, líder carismática da oposição itajaiense, na década de 1980.

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