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Polícia prende acusado de matar indígena

Cara diz que matou porque Marcondes “mexeu com o seu cachorro”

Policiais civis prenderam na manhã de sexta-feira, em Gaspar, o embalador Gilmar Cesar de Lima, 23 anos, acusado de assassinar o professor indígena Marcondes Namblá, 38 anos. O crime aconteceu em Penha, no dia 1º de janeiro. Segundo a polícia, o rapaz confessou que matou Namblá porque “ele teria mexido com o seu cão.”
Gilmar foi identificado no fim da semana passada, quando a polícia Civil liberou as imagens do carão dele pra imprensa. Sexta-feira, por volta das 6h30 da matina, uma operação conjunta, coordenada por policiais civis e militares, chegou à residência de familiares do embalador, onde ele tava escondido.
Segundo o delegado Marcos Krause, responsável pela operação, pelo menos seis endereços diferentes foram monitorados. Um deles bateu com o paradeiro do suspeito. “Ele [Gilmar] já era bem conhecido no meio policial de Gaspar. Recebemos algumas denúncias anônimas e monitoramos”, explicou.
O cara se entregou numa boa e, segundo o delegado, tentou justificar o ato covarde. “Ele alegou que a vítima teria agredido o cão dele. Assumiu que tava sob efeito de drogas [maconha]”, revelou o delegado Krause.

Diz que não conhecia
O delegado responsável pelo inquérito, Douglas Teixeira Barroco, confirmou ao DIARINHO que o crime foi cometido por motivo fútil.
“Foi uma discussão entre as partes. O sujeito já tem outros registros nesse sentido. Além disso, as próprias testemunhas confirmaram a versão. O autor não conhecia a vítima e nem sabia que se tratava de indígena”, explicou Barroco.
A crueldade com que o professor indígena Marcondes Namblá foi morto chamou a atenção e causou revolta. Imagens da câmera de segurança de uma loja mostraram o momento que ele foi alvo de mais de seis pauladas, sem sequer reagir à agressão. O caso aconteceu no fim da madrugada do dia 1º de janeiro, na avenida Eugênio Krause, em Penha.
Namblá era professor e lecionava dentro da aldeia Laklãno, em José Boiteux, onde morava. Trabalhava temporariamente em Penha, onde ganhava um extra vendendo picolés. Ele deixou a esposa e cinco filhos.

Comunidade revoltada
Em homenagem à vítima, iIndígenas da comunidade Laklãno celebraram uma cerimônia espiritual, exatamente no local onde Namblá foi assassinado. O ato aconteceu na tarde de quarta-feira e reuniu mais de 100 pessoas da etnia Xokleng.
Mesmo após a prisão do suspeito, amigos e familiares do indígena ainda estão revoltados com a brutalidade do assassinato. Pra eles, há muito o que ser esclarecido.
“Algo além da história do cachorro aconteceu. Achamos que essas alegações são absurdas. Esse motivo fútil mencionado não está claro”, desabafa o líder indígena Brasílio Priprá, da aldeia Laklãno.
Brasílio garante que Gilmar e Marcondes se conheciam. Ele diz que já viu, mais de uma vez, o embalador na aldeiaíndigena. Pra ele, a morte do colega pode ter sido encomendada.
“A gente tem uma suspeita sobre o que aconteceu, mas não pode falar. Acho que cabe a polícia investigar e apurar”, concluiu

fran
Formada em Jornalismo pela Univali, com MBA em Gestão Editorial. fran@diarinho.com.br
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