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MP investiga ação do Bope na morte do açougueiro

Promotoria está investigando ação dos policiais no dia do arrombamento a banco

O Ministério Público, de Florianópolis, abriu uma investigação para apurar a conduta dos policiais militares do batalhão de Operações Especiais (Bope) na operação contra uma quadrilha, em Balneário Piçarras, na quinta-
-feira passada. Durante a perseguição aos bandidos, três pessoas que estavam em um carro foram baleadas
por engano. Entre elas, o açougueiro José Manoel Pereira, 45 anos, o Mozeca, que morreu. Dois bandidos também
foram mortos na ação.
A investigação do MP será conduzida pelo promotor Raul Rogério Rabello, que atua na área de controle externo
da atividade policial. O caso corre na Capital por envolver o Bope, que tem sede em São José.
A assessoria do MP não passou detalhes da investigação, mas informou que o procedimento é preparatório para
a abertura de um inquérito. A ação da PM foi alvo de críticas. Além da morte do açougueiro, os três amigos
dele, que tavam no mesmo carro, foram presos pelo Bope, como se tivessem algo a ver com o arrombamento ao
banco.
As famílias das vítimas estudam a possibilidade de abrir uma ação judicial contra o Estado. “Eram pessoas inocentes e não tinham nada a ver com a história. Estamos confiando no trabalho da polícia [Civil]. É cedo para tomar qualquer atitude”, diz um representante da família.
Mozeca e outros ocupantes do Siena estavam numa loja de conveniência, quando a ação da PM estourou, flagrando
uma tentativa de arrombamento na agência do Banco do Brasil da avenida Nereu Ramos. Os bandidos teriam trocado tiros com a PM durante a fuga. Com medo dos tiros, Mozeca e os outros ocupantes teriam fugido no carro. Ao tentar escapar, acabaram baleados pelo Bope.

Testemunhas
O dono e um dos frequentadores da loja de conveniência foram ouvidos pelo delegado Wilson Masson. Eles
contaram que o açougueiro e os sobrinhos saíram às pressas com medo dos disparos. O delegado aguarda os laudos da perícia no carro e nas armas apreendidas.

Imagens
Massom conseguiu imagens de uma câmera de vigilância que mostra parte da ação policial na avenida Emanoel Pinto, mas o vídeo não é muito esclarecedor. As imagens são escuras e distantes. Elas mostram dois carros
passando pela rua e depois um motoqueiro que sai de uma via lateral. Ele passa por um grupo de PMs, mas
não é possível perceber se ele é abordado. Depois, os policiais avançam para o carro de Mozeca. “É uma prova de que havia uma operação policial”, diz o delegado. As câmeras não mostram os tiros ao carro que causaram a morte do açougueiro.

Imagens não flagraram os tiros ao carro de Mozeca

João Batista
Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, de Joinville (SC). Atua na área há cerca de dez anos. geral@diarinho.com.br
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