Home Notícias Polícia Ex-prefeito e mais 15 são presos por suspeita de desvio de R$ 10 milhões

Ex-prefeito e mais 15 são presos por suspeita de desvio de R$ 10 milhões

Investigação da Deic aponta que recursos destinados à Saúde nos municípios de Itapema e Penha teriam sido desviados

Evandro, ex-prefeito de Penha, Rafael Celestino, ex-controlador de Penha, Cleybi Dalrossi, ex-secretário de Penha, e Nilson Moya, presidente do instituto Adonhiran são acusados

O ex-prefeito de Penha, Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB), o ex-secretário da Saúde, Cleybi Darossi, o ex-controlador da prefeitura, Rafael Celestino, e o presidente do instituto Adonhiran de Saúde, Nilson Santiago Moya, estão entre os 16 presos de uma operação comandada pela DEIC.
A investigação da diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) apura uma organização criminosa suspeita de desviar R$ 10 milhões de recursos da saúde nas cidades de Penha e em Itapema, entre os anos de 2012 a 2017.
O instituto Adonhiran de Saúde, que administrava os hospitais Nossa Senhora da Penha, em Penha, e Santo Antônio, em Itapema, teria recebido repasses de milhões de reais sem nunca ter prestado os serviços contratados pelos municípios. O contrato com o instituto foi rompido pelas atuais gestões nas duas cidades.
Segundo o Ministério Público de Contas (MPC), o esquema de corrupção envolvia a entidade, ex-prefeitos, médicos e controladores internos, entre outros agentes, que foram presos ontem. A prisão temporária de cinco dias pode ser prorrogada por mais cinco.
A justiça autorizou 17 ordens de prisão, mas uma pessoa não foi localizada por estar em viagem ao exterior. Outras 25 ordens de busca e apreensão foram cumpridas. As ações rolaram em Penha, Itapema, Piçarras, Balneário Camboriú, Joinville, Garuva e Timbó.
Além das ações no Estado, prisões ocorreram em Sinop, em Mato Grosso. Os detidos seriam levados ainda ontem para a sede da Deic, em Florianópolis. Durante cumprimento dos mandados, os policiais civis recolheram documentos e computadores suspeitos.
Bens e automóveis dos investigados foram bloqueados para garantir o ressarcimento aos cofres públicos, caso se confirme o desvio da dinheirama. Na sede da empresa, em Penha, foram levados computadores e documentos contábeis.
Notas frias e desvio
A batida da polícia rolou em escritórios de empresas que prestavam serviço pra organização social. Segundo o MPC, responsável pelo levantamento das supostas irregularidades, algumas dessas empresas seriam apenas de fachada. Elas seriam usadas como laranjas pra emissão de notas frias de serviços de saúde que não chegaram a ser prestados de verdade.
A estimativa do MPC é que, dos R$ 25 milhões repassados pelas prefas de Penha e Itapema ao instituto Adonhiran entre 2012 e 2017, cerca de R$ 10 milhões teriam sido desviados.
As suspeitas de irregularidades foram identificadas há dois anos pela promotoria, a partir da análise de rotina da prestação de contas da entidade.

Da parada
Diante dos indícios, o procurador Diogo Ringenberg abriu uma representação na DEIC, que resultou na operação Sutura. “Ao perceber que havia algo estranho, solicitamos documentos e confirmamos a irregularidade na prestação de contas. Como havia suspeita de crime, o Ministério Público de Contas representou à autoridade policial para que a investigação pudesse ser conduzida pelo órgão competente”,explicouDiogo.
Os documentos apreendidos serão periciados. A partir da análise poderá ser feita uma denúncia-crime contra os envolvidos ao Ministério Público pra que eles respondam na justiça pelos desvios.

Documentos apreendidos nas prefeituras de Penha e Itapema
Através de nota oficial, a prefeitura de Itapema confirmou que a polícia Civil esteve no paço e na secretaria de Saúde recolhendo documentos referentes à gestão do instituto Adonhiran no hospital Santo Antônio entre os anos de 2013 e 2016. A prefeitura diz que, no início de 2017, o contrato com a entidade foi cancelado.
A prefeitura de Penha não se manifestou oficialmente sobre as investigações, frisando que os fatos apurados na operação não envolvem a administração do prefeito Aquiles Costa (MDB). O governo informou que todas as informações solicitadas pela polícia estão sendo repassadas.
Ontem, a polícia apreendeu na prefeitura documentos ligados ao contrato firmado com o instituto, que prestaria serviço de consultas de especialidades pra rede municipal de saúde.
O convênio foi encerrado pela atual gestão no ano passado. Também houve buscas no hospital Nossa Senhora da Penha e nas secretarias da Fazenda e de Compras.

A defesa
O advogado Juliano Cavalcanti, que representa o ex-prefeito Evandro e os investigados Cleybi e Rafael, informou que ainda não teve acesso ao processo. Ele não descarta ingressar com um pedido de habeas corpus. Juliano diz que a prisão temporária é para garantir a investigação, sendo que os detidos podem ser liberados a qualquer momento.
Juliano adiantou que, durante a vigência do contrato com o instituto, a prefeitura de Penha se limitava a fazer os repasses pra instituição, não tendo responsabilidade na administração dos recursos pela entidade.
O instituto Adonhiran de Assistência a Saúde tem sede no centro de Penha, mas ninguém do local atendeu as ligações do DIARINHO durante o dia de ontem.

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