Home Notícias Geral Trans que sofreu ataques homofóbicos vence eleição para diretora de escola

Trans que sofreu ataques homofóbicos vence eleição para diretora de escola

A transexual Lodemar Luciano Schmitt, a Lode, 45 anos, foi eleita ontem à noite diretora da escola Municipal Dolores L. S. Krauss, de Gaspar. Ela é a primeira trans a assumir a direção de uma escola em Santa Catarina.
Antes da eleição, Lode sofreu ataques transfóbicos e uma mãe liderou um movimento para tentar evitar que a professora fosse candidata.
Lode foi candidata única. Por isso, as cédulas continham as duas opções: “Sim” e “Não”. “Até achei que no segmento dos pais eu fosse perder, mas ganhei em todos os seguimentos, pais, alunos e professores e funcionários”, contou, orgulhosa, ao DIARINHO, na sexta-feira à noite.
Entre os professores e funcionários, os “Sins” representaram 84% dos votos. Entre os alunos foram 68,5% e entre os pais foram 63%.
Formada em matemática e física pela Furb, Lodi é efetiva na rede pública de Gaspar há 19 anos. Também é professora da rede estadual, onde atua há 26 anos.

Mãe denunciada por crime de transfobia
Desde que anunciou sua candidatura à diretora da escola Dolores Kraus, Lode passou a ser atacada publicamente por uma mãe de aluno. A mulher usou as redes sociais para depreciar a condição trans da professora e para tentar juntar outros pais de alunos contra a eleição de Lode.
Em áudios pelo Whatsapp e também pelo Facebook, a mãe não apenas depreciou a professora como também tentou juntar outros pais para evitar que Lode fosse eleita.
“Vai inverter os valores todos que a gente ensina em casa. É muito triste isso. É muito triste ver a (nome de uma professora) e toda a equipe apoiando uma pessoa dessas pra ficar ali. (…) Ele (Lode) não tem compostura”, disse a mulher”, num dos áudios já entregues à polícia.
Lode fez a denúncia na delegacia por crime de transfobia. Segundo Sandro Ciefuentes, dirigente do sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), que está dando apoio e suporte jurídico à professora, o delegado do caso já informou que irá convocar a mãe para depor.
O preconceito sempre existiu, pondera a professora, mas agora as pessoas estão mais ousadas. “O pensamento dessa mãe não é uma raiva, parece mais uma coisa reproduzida, uma coisa copiada. Hoje, infelizmente, temos um presidente que faz arminha, é contra negro, contra gay, um discurso de ódio”, analisou.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com