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Taxa de contágio aumenta na região

Casos ativos no estado chegaram ao maior patamar desde agosto. Itajaí, BC e região voltam pra situação grave no mapa de risco

Flexibilizações ajudaram a elevar a transmissão, apontam especialistas

As taxa de contágio e de  hospitalização voltaram a aumentar nesse mês na região de Itajaí e pelo estado, puxada por uma reacelaração de casos nas regiões de Florianópolis e no Oeste. O número de casos ativos da doença, que soma pacientes contaminados ainda em tratamento, também chamou atenção esta semana. Na segunda-feira, eram 10,4 mil infectados no estado, o maior registro desde 15 de agosto, segundo dados da secretaria Estadual de Saúde.

A situação do estado reflete na região da Foz do Rio Itajaí, que voltou a ser classificada como grave no mapa de risco pra covid-19 na atualização feita nesta quarta-feira pelo governo estadual. Em Itajaí e Balneário Camboriú, também houve aumento na taxa de ocupação hospitalar de leitos de UTI, bem como alta no número de casos ativos da doença. As prefeituras fizeram reuniões pra discutir o retorno de restrições e novas medidas de fiscalização.

A mudança na classificação de risco na região de Itajaí foi puxada pela avaliação ruim no quesito monitoramento dos casos. Esse fator mede a capacidade dos municípios em rastrear e acompanhar pessoas com sintomas para notificar os casos positivos e negativos a partir da rede de atenção básica.

Em Balneário Camboriú, os casos ativos da doença mais que dobraram em uma semana, passando de 154 em 21 de outubro pra 311 na quarta-feira. No mesmo período, os casos também aumentam em Itajaí, passando de 257 pra 313 pacientes em tratamento.

Embora com a maior parte dos leitos vagos, as cidades também registram alta na ocupação de UTI. Itajaí chegou a ter apenas 11% de uso dos leitos intensivos no hospital Marieta Konder Bornhausen nesse mês, mas a ocupação aumentou pra 21% na quarta-feira. A alta é semelhante a de Balneário, que avançou de 16% pra 26% no uso dos leitos de UTI do centro Municipal de Covid-19. No estado, a taxa já passa de 60%.

Na rede particular, o hospital da Unimed em Balneário Camboriú adotou medidas emergenciais para garantir o atendimento de pacientes graves de covid-19 diante do avanço de casos. Cirurgias que dependam de internação em UTI foram suspensas e o volume de cirurgias está reduzido em três salas. O 8º andar ficará com 10  leitos pra UTI Covid e o 7º andar será pra internação exclusiva de infectados.

Jovens estão se contaminando

O médico Umberto João D’Ávila, presidente da Unimed litoral, destacou que a alta em positivos se deu mais em pessoas jovens. “Houve um aumento de diagnóstico porque as pessoas jovens estão se contaminando com maior facilidade devido à liberação de aglomerações, praias e outras atividades”, observa.

Segundo informou, houve alta na internação de domingo pra segunda-feira. “A gente tava com uma média de quatro pacientes internados e foi pra 11 casos”, disse. O número seguia na quarta-feira. Umberto considera que o novo feriadão pela frente vai ser outro desafio.

O professor da Univali, Raphael Nunes Bueno, especialista em Saúde Pública, afirma que a tendência é de alta, sendo necessário retomar medidas restritivas pra evitar um aumento expressivo dos casos. Ele aponta que as flexibilizações feitas sem critérios, junto com a mudança de comportamento que reduziu o isolamento social, provocaram a alta no contágio.

“Começou a cair a contaminação e as pessoas entenderam que a pandemia tinha ido embora mas, na verdade, não”, observa. “O que a gente estava colhendo era justamente pelo isolamento social, mesmo precário em alguns locais, que a gente começou desde março”, disse.

Raphael não vê o atual momento como uma nova onda, mas a mesma pandemia afetada pelas mudanças de comportamento das pessoas quanto à adoção de medidas preventivas.

MP pede plano de prevenção e fiscalização no feriado

O promotor Álvaro Pereira Oliveira Melo, da promotoria de Balneário Camboriú, emitiu na terça-feira recomendação à prefeitura pedindo medidas de prevenção, combate e fiscalização, tendo em vista o próximo feriadão do Dia de Finados. O promotor considerou a mudança no grau de risco, as ações adotadas pela Unimed e a alta nas taxas de contágio e hospitalização o como um possível  “indicativo de nova onda na região da Foz do Rio Itajaí”.

Na recomendação, Álvaro requer que os órgãos municipais envolvidos no enfrentamento à covid-19 definam uma logística pra identificar os locais com maior potencial de transmissão. A partir daí, devem ser anunciadas medidas para o feriado prolongado. “Em especial para que sejam fiscalizados os setores com maior índice de aglomeração de pessoas e potencial de contágio, documentando-as e autuando-as, para coibir eventuais excessos e inobservância das normas sanitárias”, anota o promotor.

A prefeitura deve divulgar as ações, orientando a população, turistas e empresários sobre as restrições existentes, conforme a recomendação. A promotoria deu dois dias pra resposta da prefeitura de BC.

Na manhã de quarta-feira, o município fez reunião pra tratar das medidas a serem tomadas, sendo previsto um reforço na fiscalização pro feriado. Não havia previsão de novos decretos pois, segundo a prefeitura, as normas já estão adequadas pra ficar em conformidade com as restrições definidas pelo estado de acordo com o grau de risco da região.

MP recomenda plano de ação em Balneário para o feriadão

Daniela quer “isolar doentes”

A governadora interina Daniela Reinehr, que assumiu o governo estadual após o afastamento de Carlos Moisés, disse na terça-feira que poderão ocorrer mudanças na estratégia de enfrentamento ao coronavírus. Ela falou que os decretos da pandemia serão analisados e que o foco será isolar os doentes e não as pessoas saudáveis.

“Vamos avaliar e ver se vamos avançar ou recuar. Minha fala sempre foi a de prevenção, cuidados com a saúde, mas sem prejudicar o setor econômico”, comentou em entrevista coletiva. Santa Catarina já registrou cerca de 250 mil casos de coronavírus, com mais de três mil mortes desde o começo da pandemia. A região de Florianópolis é o atual epicentro da doença no estado.

Apesar da alta nas taxas contágio e de ocupação hospitalar nas últimas semanas, a mortalidade caiu em torno de 50% em outubro na comparação com setembro, que terminou com 446 mortes registradas. A hospitalização em leitos de UTI segue em elevação, passando dos 60% no estado e dos 50% na região da Amfri.

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