Home Notícias Geral Só um Candidato a governador topa encarar entrevistão do DIARINHO

Só um Candidato a governador topa encarar entrevistão do DIARINHO

“Já anunciei que vou reduzir de 1400 para apenas 200 os cargos comissionados. Acabar com toda a indicação política”

Candidato a governador
Ele começou a eleição de forma tímida, com 6% das intenções de votos dos catarinenses e estava em terceiro na disputa. Depois pulou para o segundo lugar, de acordo as pesquisas, com 20%. A realidade das urnas, no entanto, lhe foi ainda mais favorável: venceu o primeiro turno com 31% dos votos. Agora às portas do segundo turno, o empresário e deputado federal Gelson Merísio [PSD] continua na disputa para ser o governador de Santa Catarina. Ele encarou o desafio do DIARINHO para uma segunda rodada de entrevista e não se furtou em se posicionar tanto sobre propostas que têm para resolver no estado, como saúde e segurança, quanto em falar de temas delicados, como a denúncia que sofreu durante a campanha e o fato de Jair Bolsonaro não ter lhe dado apoio formal. O adversário, comandante Moisés (PSL), também recebeu o convite para a sabatina, mas se recusou a participar alegando falta de tempo e, posteriormente, problemas de saúde. A entrevista foi feita pelo jornalista Sandro Silva. Os cliques são de Fabrício Pitella.

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DIARINHO – No meio da campanha do 1º turno o senhor declarou apoio a Jair Bolsonaro, o candidato a presidente do partido do seu concorrente. Depois do primeiro turno, Bolsonaro deu duas declarações. Uma, de que não apoiaria ninguém em Santa Catarina. Em outra, agradeceu ao senhor e disse que estava torcendo para o candidato do partido dele, o comandante Moisés. O fato de Bolsonaro não declarar apoio explícito a nenhum dos candidatos, mas dizer que torce pelo outro, atrapalhou ou ajudou a sua campanha no segundo turno?
Gelson Merísio – Na verdade, eu fiz uma declaração de voto antevendo que seria no segundo turno, onde teríamos o PT de um lado e o Bolsonaro de outro. E não pedi nada em troca, não pedi compromisso do Bolsonaro. Não tenho nada a cobrar. Pelo contrário. Entendo que é melhor para o Brasil. Fiz no primeiro turno e vou votar no segundo. A eleição de Santa Catarina há que se decidir em Santa Catarina. Entendo que o Bolsonaro é o melhor para o Brasil. Aqui nós temos que escolher para Santa Catarina, levando em conta tanto as propostas quanto as convicções, mas também o preparo, a qualificação, o time que vai tocar o estado, com uma agenda difícil, com uma agenda complicada, que mexe com a vida dos catarinenses, porque vai cuidar da saúde, da educação, da segurança pública. Portanto, o critério da escolha tem que ser como é em Brasília. Lá nós queremos o melhor e não vamos confundir. O Bolsonaro tem sete mandatos de deputado federal, tem experiência, conhece a máquina pública e sabe exatamente como precisa fazer, o que precisa fazer. Da mesma forma aqui no estado, eu tenho essa condição, de três mandados de deputado, conheço profundamente a máquina pública, sei o que precisa mudar, de que forma fazer e quando fazer.

DIARINHO – O senhor fez basicamente duas críticas ao seu concorrente, o comandante Moisés. Uma delas é a de que ele se aposentou na faixa dos 40 anos de idade, aos 30 anos de serviço. O direito a aposentadoria especial é previsto em lei federal para policiais e bombeiros de carreira militar. Portanto, não cabe ao governador alterar a legislação. E quanto aos demais servidores, o senhor tem proposta de mudança para a previdência dos funcionários públicos catarinenses?
Gelson Merísio – A mudança já foi feita em 2015. Quem ingressar no serviço público a partir de 2015 vai ter uma aposentadoria, seja juiz, promotor ou coronel, igual a qualquer ser humano tem no dia a dia, com o teto do INSS. Portanto, Santa Catarina já fez o dever de casa e é algo que é absolutamente necessário. Veja que o caso dele, muito embora seja legal a sua aposentadoria, mas ela traz uma questão moral que tem que ser discutida. Pode uma pessoa com 48 anos aposentar-se no primeiro dia do tempo de serviço, tendo ainda seis anos como coronel? Era tenente-coronel e se aposentou com cinco mil de promoção e passa a ganhar durante a vida inteira como coronel da reserva R$ 26 mil por mês. Se formos fazer um cálculo do que contribui e o que vai receber, vai ter contribuído com R$ 1,2 milhão e vai receber R$ 10 milhões nos próximos 30 anos. Quem paga é a sociedade. Isso não é um ataque. Isso é um processo que é legal, mas que moralmente tem que ser discutido. Tanto é que já foi mudado. E esse privilegiados – e ele é um privilegiado – tem que conviver com isso, porque tem o benefício, mas também tem o ônus de uma decisão que pra mim é equivocada. Eu trabalho desde os 15 anos. Tenho 35, 37 anos de carteira assinada e não penso em me aposentar tão logo. Quando se toma uma decisão de aposentadoria com 48 anos, no processo público, também é uma mensagem de descompromisso com o estado, que é, no meio de uma eleição, necessário que seja levantado.

DIARINHO – A outra crítica feita pelo senhor ao adversário é a inexperiência dele e dos quadros do a gestão pública. No entanto, o que a população tem pedido é justamente a renovação política. Essa não é uma estratégia perigosa nesse final de campanha mais atípico que já vivemos no Brasil?
Gelson Merísio – É, mas não é igual ao Bolsonaro, candidato a presidente, porque tem sete mandatos. Ele [Comandante Moisés] é um inexperiente. Não é uma novidade política. O Bolsonaro ao contrário. Tem 28 anos de mandato de deputado federal, conhece a máquina pública. E o novo não é nunca ter participado da vida pública. O novo é estar disposto a fazer o rompimento que precisa ser feito. Que é o que eu defendo. Nós temos que mudar completamente o processo administrativo. Já anunciei que vou reduzir de 1,4 mil para apenas 200 os cargos comissionados. Acabar com toda a indicação política. Fazer com que o processo seja técnico e eficiente. Como também prega o Bolsonaro. Agora, uma máquina tão pesada, como é o estado, com 100 mil servidores entre ativos e inativos, com R$ 19 bilhões de dívidas que precisam ser geridas. Com processo muito justo de questão orçamentária e fiscal. Um movimento equivocado e pode acontecer folha atrasada do servidor três meses. O catarinense quer correr esse risco de não ter ambulância trabalhando, não ter policial dando proteção à rua? É como você embarcar num avião onde o piloto vai aprender a pilotar durante o voo. Isso não é possível. Não pode ser um improviso. Nos últimos dois anos, fiz mais de 20 sabatinas, respondi 300 jornalistas em transmissões ao vivo ou como essa, podendo as perguntas serem todas feitas, estruturadas, de forma a conhecer o estado, conhecer os problemas, deixar muito claras as minhas posições. Agora, quando se inventa uma candidatura três meses antes da eleição, sem nunca ter tido nenhuma função pública relevante, sem nunca ter administrado absolutamente nada, sem ter nenhum conhecimento do que é uma gestão fiscal ou orçamentária, como é que vai cuidar da vida de sete milhões de catarinenses? Ainda vai aprender no curso do processo. A inexperiência fez com que o Rio Grande do Sul tivesse indicadores terríveis, como salários atrasados, com um processo que estão absolutamente descontrolados. Nós queremos isso para Santa Catarina? É uma decisão do eleitor. Comparar com o Bolsonaro é algo absolutamente atípico, porque ele tem experiência. Significa o rompimento, como eu também significo, mas com experiência. No caso do meu oponente aqui, é uma boa pessoa. Não tenho nenhuma consideração com relação à pessoa dele. No entanto, absolutamente inexperiente. Sem nenhum preparo no que diz respeito ao conhecimento da máquina pública.

DIARINHO – A primeira pesquisa do segundo turno apontava vitória do seu concorrente com 51% dos votos. Se não considerar os brancos, nulos e indecisos, a diferença é de 59% para 41% em favor do outro candidato. As pesquisas erraram bastante no primeiro turno. Como o senhor avalia as pesquisas de intenção de votos às portas das eleições?
Gelson Merísio – Quando iniciou o primeiro Ibope, eu tinha 6% contra 20 e tantos do Mauro, 17% do Décio e o Moisés deveria ter 2 ou 3%. Na última pesquisa, o Mauro tinha 23%, eu tinha 20%, o Décio tinha 13% e o Moisés tinha 6%. Eu acabei fazendo 31%, o Moisés 29% e o Mauro ficou em terceiro. Portanto, a pesquisa está muito distante do que o eleitor deseja fazer, porque a decisão é dele e ele não está disposto a anunciá-la antes. Eu respeito os institutos de pesquisa, mas confio é no dia da eleição, a motivação. No meu caso, da comparação do que já fez, da forma como age, do preparo, da experiência. Eu espero, sinceramente, ser escolhido para poder fazer um bom trabalho. Eu já anunciei e repito que não disputarei reeleição, porque entendo que quatro anos é suficiente para fazer um bom trabalho e uma reeleição compromete o primeiro mandato pensando no segundo. A agenda é tão pesada que não vai haver espaço para projeto político e projeto administrativo. E é minha opção fazer uma administração enxuta, muita qualificação e muitos resultados para as pessoas.

DIARINHO – O tema segurança tem sido um dos mais importantes destas eleições, tanto em nível federal quanto estadual. O que diferencia a sua proposta da proposta do seu concorrente?
Gelson Merísio – Simples. Eu digo o que é que tem que ser feito e como vai ser feito. Por exemplo, os dois dizem que têm que aumentar o efetivo. Só que eu digo como aumentar o efetivo. Porque nos últimos cinco anos, se contratou 4,7 mil policiais e se aposentaram 4,3 mil. O efetivo aumentou 400 apenas. Uma academia demora 11 meses para formar um soldado e o estado tem um limite máximo de 1000 formações por ano. Nós vamos continuar fazendo a formação dos 1000 soldados, mas além disso vamos trazer da reserva cinco mil policiais, tornando o efetivo de 10 para 15 mil. [Como seduzir esse pessoal à voltar à ativa?] Uma nova remuneração, com segurança no trabalho, com segurança jurídica, com seu status funcional atual. Uma legislação constitucional que garante que a sua aposentadoria esteja garantida. Ele vai ter a oportunidade, uma vez que já tem academia, tem apego à farda, tem disposição física e tendo uma nova remuneração que seja atrativa, vai voltar a trabalhar. O próprio Moisés. Imagine com 51 anos, se não tem vitalidade para voltar a trabalhar? Só não volta se ele não quiser. Agora, querendo, vai ter a oportunidade de voltar, tendo de novo o apego à farda, o apego ao serviço público, o apego a servir a comunidade, com uma remuneração nova, porque é muito mais barato para o estado. Nós trazendo 5 mil policiais de volta e tem hoje disponíveis 5631 reservistas. Portanto, o número é absolutamente factível. Nós vamos economizar só de academia R$ 400 milhões em cinco anos de formação. Essa é a diferença. Como fazer e a forma como deve ser feito. [Há alguma outra proposta para a segurança pública? Como ficará o combate ao crime organizado, por exemplo?] R$ 2 bilhões em investimento de tecnologia que permita a inteligência funcionar na sua plenitude, controle do fluxo de informação dos presídios, um processo de aparelhamento do estado, que seja sempre dois passos à frente do crime organizado. Hoje nós estamos três passos atrás. Fazer essa mudança, se faz com prioridade e com recurso. [E de onde viriam esses R$ 2 bilhões?] Toda receita nova que tivermos com aumento de arrecadação e todos os ativos que foram realizados serão destinados nos primeiros três anos para a segurança pública. De forma que nós possamos fazer dela prioridade absoluta para Santa Catarina.

DIARINHO – Saúde é outro tema que os catarinenses apontam como prioritário. O senhor esteve num governo que deixou dívidas na secretaria de Saúde. O que tem apresentado como solução de gestão financeira da saúde e como propostas de melhoria do atendimento à população?
Gelson Merísio – Nós nunca podemos esquecer que 2016, 2017 foram os dois anos da maior crise econômica que o Brasil já passou. Com impactos em Santa Catarina e especialmente nas questões da saúde, da educação, porque são percentuais da Receita. Em 2015 eu fiz uma emenda constitucional que elevou de 12 para 15% o piso de gastos com saúde. Isso vai permitir nos próximos 10 anos R$ 8 bilhões a mais de recursos. A saúde precisa de mais recursos e estão garantidos. Precisa de mais tecnologia que permita a integração plena entre o município e o estado. De forma que a resposta seja mais eficiente e mais barata. Agora mesmo, sempre será um problema, porque as pessoas estão envelhecendo, vivendo mais e isso é uma boa notícia. Mas, por outro lado, o custo dos tratamentos, que são sempre melhores, com mais equipamentos, com mais inteligência, vão aumentando. Fazer compatibilização de prioridade e saúde é sempre uma prioridade, porque é ligada à vida. É um exercício que vamos fazer e que teremos que fazer diariamente.

DIARINHO – No começo deste mês, o senhor foi acusado pelo ministério Público de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. Como é que o senhor interpreta uma denúncia desse quilate às portas de uma eleição e qual foi o tamanho do estrago para sua campanha a divulgação dessa notícia?
Gelson Merísio – Sua colocação vem com um erro. Eu não fui denunciado pelo ministério Público. O PMDB de Chapecó fez uma ‘notícia de fato’, e levou ao ministério Público. Sempre que há uma ‘notícia de fato’, o ministério Público abre um procedimento preparatório, para depois ver se existe elemento para fazer a investigação. No meu caso, o ministério Público já arquivou porque não havia elementos para essa investigação. E essa ‘notícia de fato’ foi feita pelo PMDB a uma semana da eleição, querendo criar um fato político. Tanto é que foi retirada do ar e o ministério Público eleitoral já arquivou o processo, porque não havia indício nenhum. Todo o meu patrimônio é declarado, feito da forma correta e transparente. Por isso mesmo tenho muito orgulho do meu passado e de nunca ter tido nenhum processo, tenho uma ficha absolutamente limpa, com todas as negativas apresentadas. [Inclusive ganhou direito de respostas no programa do MDB, foi isso?] Mas depois o TSE reverteu porque era depois do prazo do período eleitoral. Mas o mérito ficou consolidado. [E o estrago à sua campanha? O senhor acha que arranhou?] Não. As pessoas sabem diferenciar o que é uma denúncia de fato e o que é um processo político construído. A eleição é uma guerra e guerra tem armas, muitas vezes, que não são legítimas. Essa é uma delas. Mas prejuízo não houve, até porque houve um perfeito discernimento com relação aos fatos da notícia criada.
DIARINHO – Quais as propostas dirigidas à região da foz do Vale do Itajaí, especialmente à região de Itajaí, que é o segundo PIB do estado, e Balneário Camboriú, que é um dos maiores polos turísticos do Brasil?
Gelson Merísio – A maior obra de infraestrutura turística, na minha visão, é a ponte que liga Itajaí a Navegantes. Porque não é só uma ligação de dois municípios. Ela liga todo um setor turístico do lado de cá da foz do Itajaí com o aeroporto de Navegantes e com o parque Beto Carrero. É um equipamento turístico vital para Santa Catarina, no que diz respeito à sua estrutura de turismo. E nós vamos implementar, enterrar um trauma que existe. É uma obra necessária, absolutamente viável economicamente e que não é feita. Eu, para essas ações, sou contundente. Nós vamos fazê-la nos primeiros dois anos. E ela vai ser precedida por um processo onde nós vamos conhecer juntos com as comunidades ou junto com o projeto que o InovAmfri fez aqui em termos de mobilidade, em termos de construção de um ambiente onde o turista se sinta muito valorizado. A região de Itajaí e de Balneário Camboriú está passando a ser o principal destino turístico do Brasil. Nós temos que compreender isso, como uma necessidade de investimento em infraestrutura. E pra mim a ponte é o primeiro passo da demonstração dessa prioridade.

DIARINHO – Candidato, essa eleição teve uma característica de violência e algumas vezes de incitação ao ódio a setores como gays, negros, mulheres feministas. Como é que o senhor tem orientado os seus eleitores em relação a essas posturas?
Gelson Merísio – Graças a Deus isso é em outras regiões do Brasil. Em Santa Catarina nós não tivemos no primeiro turno nem no segundo nenhuma ocorrência de incitação tampouco de violência ou de homofobia praticada. Não é compatível com Santa Catarina, com o que nós acreditamos e com o que nós pensamos. Nós temos que continuar com essa matiz: respeitar o diferente, entender que cada um tem direito à sua manifestação e exercer a mais absoluta democracia, permitindo a cada um a sua liberdade de manifestação. Respeitando-se sempre as pessoas. Aqui no estado, graças a Deus, a eleição transcorreu naturalmente, sem nenhum episódio de homofobia ou de qualquer discriminação racial, ideológica ou de qualquer outra ordem.

Nome: Gelson Luiz Merísio (PSD)
Coligação Aqui é trabalho PSD/PRB/PDT/PSB/PODE/SOLIDARIEDADE/PROS/PSC/PCdoB/PHS/PP/DEM/PRP/PPL/PV
Idade: 52 anos
Local de nascimento: Xaxim
Estado civil: Casado
Filhos: Dois
Formação: Administrador de empresas
Experiências profissionais, políticas e de gestão: Presidente da Acix, Presidente da Facisc, Presidente do Conselho do Sebrae-SC, deputado estadual, presidente do PSD-SC e presidente da Assembleia Legislativa.

“O novo não é nunca ter participado da vida pública. O novo é estar disposto a fazer o rompimento que precisa ser feito”

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