Home Notícias Geral Só 10% do povão da região confia na Justiça

Só 10% do povão da região confia na Justiça

Outros 50% desconfiam do pessoal da toga e 14% não confiam nadinha

Uma pesquisa feita pelo Foro Metropolitano da Foz do Rio Itajaí-açu e que será divulgada nas próximas semanas, trouxe um dado pra lá de indigesto para os membros do judiciário. O levantamento, chamado de ‘Percepção da População Regional’, apontou que apenas 10% das mais de 608 mil pessoas que moram na região confiam plenamente na justiça de sua cidade.

Ainda pela pesquisa, um percentual de 14% não acredita de jeito nenhum no judiciário e exatamente metade da população tem alguma desconfiança em relação à justiça. Outros 26% foram indiferentes ao questionamento.

Para o advogado Rafael Mayer, 34 anos, primeiro vice-presidente do Foro, a rejeição da população em relação à justiça nada tem a ver com as críticas que se faz aos salários e benefícios dos juízes. “Acredito que tenha a ver mais com o tipo de entrega do serviço do judiciário à população. Esse resultado tá aderente ao que o primeiro grau da justiça está vivendo, com um índice de congestionamento insuportável e as pessoas não veem resultado”, pondera.

O cientista político Eduardo Guerini, da Univali, tem uma avaliação diferente. Para ele, os brasileiros em geral não confiam mais nas instituições do estado. E isso inclui o judiciário.

“Quando vocês magistrados usarem do seu cargo para ter benefícios próprios, nós chegamos num nível de degradação ética sem precedente”, analisa, referindo-se ao privilégio dos juízes em relação a outras categorias do serviço público.

 Ontem, numa greve que não conseguiu parar o judiciário, os juízes federais protestaram contra uma ação no Supremo Tribunal Federal que pode lhes tirar o auxílio-moradia.

Mas não é apenas isso que faz com que a população não confie na Justiça, acredita Eduardo Guerini. “O judiciário é moroso, tem uma inflação de leis. O nível de produtividade do judiciário brasileiro é muito baixo em relação do que ganha um juiz”, alfineta.

Outra crítica do cientista político é a intervenção do judiciário em outras esferas de poder. “Existe uma politização do judiciário. Quanto mais ele se transforma em protagonista de decisões, por agir imperativamente sobre outros poderes, mais ele interfere no processo democrático”, avalia.

O professor ainda faz referência ao resultado das ações judiciais. “Temos um encarceramento de miseráveis, enquanto os poderosos continuam nadando de braçada”, conclui.

A associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) foi procurada, mas não se manifestou sobre a pesquisa. JB / SS n

 

Bombeiros estão bem na fita

Se por um lado foi assustadora a performance do judiciário na pesquisa de percepção da população sobre os serviços públicos, por outro os bombeiros e a polícia Militar estão bem na fita.

Quando os pesquisadores apresentaram a afirmação: “Confio nos bombeiros da minha cidade, 53% das pessoas apontou a opção “concordo totalmente”. Outras 31% disseram “concordo parcialmente”. Apenas 4% “discordaram totalmente”.

Curioso é o resultado da polícia Militar. Apenas 22% das pessoas disseram acreditar totalmente na PM e outras 39% parcialmente. Para o pessoal do Foro, isso representa um total de 60,67% de aprovação.

Mas quando esse resultado é estratificado e se toma como público pessoas que têm renda de até R$ 1,5 mil, aí o resultado cai para 41,23%. “É o resultado de uma leitura de como a polícia atua nessas camadas de menor renda. Vamos encaminhar a pesquisa à polícia Militar para talvez rever o relacionamento que tenha com essa camada social”, disse Rafael Mayer, do Foro Metropolitano.

Pesquisa avalia serviços públicos

O advogado Rafael Mayer, do Foro Metropolitano da Foz do Rio Itajaí-açu, diz que a pesquisa tem como objetivo compreender as demandas da população da região metropolitana de Itajaí, que já foi criada por lei estadual, em 2011, mais ainda não instalada oficialmente.

“A gente criou um indicador anual da percepção do povo da região com relação a serviços públicos. Queremos anualmente mensurar para ver se há evolução”, explica.

As abordagens foram feitas tanto pessoalmente quanto por meio eletrônico e o próprio Foro Metropolitano gerenciou a pesquisa. “Um total de 384 pessoas foram entrevistadas, o que dá um grau de confiança de 95%”, garante Rafael.

O resultado da pesquisa será entregue às instituições governamentais.

 

Juízes recebem mais que o teto permitido

O Brasil tem 18 mil juízes, segundo dados do CNJ. Em 2016, a despesa com todos eles somou R$ 84,8 bilhões.  Quem mais gasta é a Justiça Estadual, que consome 56,7% do orçamento total, ante 20,1% da Justiça do Trabalho, 12,4% da Justiça Federal, 6,2% da Justiça eleitoral, 4,5% dos tribunais superiores e 0,2% da Justiça Militar Estadual.

O teto do funcionalismo público é de R$ 33.763, valor que só os 11 ministros do supremo Tribunal Federal (STF) percebem. No entanto, os adicionais, abonos e eventuais gratificações não entram na conta do total de rendimentos, fazendo com que muitos juízes tenham vencimento bem acima do máximo permitido.

Esses pagamentos geram distorções nas folhas de pagamento como a de um juiz de Balneário que, no mês passado, teve um rendimento líquido de R$ 67.094,70, incluindo R$ 26 mil de férias.

 

 

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