Home Notícias Geral Semasa monta esquema para distribuição de água em Itajaí; prazo para normalização do fornecimento não é divulgado

Semasa monta esquema para distribuição de água em Itajaí; prazo para normalização do fornecimento não é divulgado

Ponto de retirada de água na escola Gaspar da Costa Moraes é um dos 14 já ativados em Itajaí

Os problemas de abastecimento de água em Itajaí, após o rompimento da barreira de contenção da cunha salina na barragem do rio Itajaí-mirim, continuam. O Semasa montou um esquema de distribuição de água mineral na cidade enquanto a alta taxa de sal na água tratada persistir. A cobrança da fatura está suspensa. A procura por galões de água mineral em mercados e distribuidores também aumentou, sendo que em algumas lojas o produto já está em falta e, em outras, já houve alta nos preços.  A autarquia não informa quantos dias mais a cidade vai enfrentar o problema de alta salinidade na água da rede.

Até o início da tarde, eram 14 pontos de retirada de água ativados na cidade pelo Semasa. Foram compradas 18 caixas de água e outras 20 chegariam nesta segunda-feira pra ativação de novos pontos e garantir a cobertura em todo o município. Como medida emergencial, a autarquia também suspendeu a cobrança do consumo na fatura a partir do dia 13 de outubro, quando a estrutura da cunha salina se rompeu na barragem, até que a qualidade da água volte ao normal.

Os pontos de água mineral estão sendo abastecidos por caminhões-pipa. Eles vão atender os locais das 7h às 23h e durante a madrugada dois caminhões-pipa estarão disponíveis. Os moradores precisam levar galões e garrafas e podem encher os recipientes à vontade, sem limite por pessoa. Segundo o Semasa, a água mineral é de qualidade e as caixas d’água foram higienizadas antes de serem instaladas nos locais. O nome do fornecedor de água mineral não foi informado, apesar dos questionamentos da reportagem é de vários consumidores.

A escola básica Gaspar da Costa Moraes, no bairro Fazenda, é um dos pontos já ativados, com quatro torneiras. Desde ontem, os moradores da região estão levando todo tipo de recipiente pra garantir a água pra fazer comida e beber. “Lavar roupa nem pensar, só o essencial mesmo. E banho não tem como”, comentou o empresário Ilson Wolf, de 48 anos, ao abastecer um galão de cinco litros pra fazer o almoço.

Ilson é síndico de um condomínio na Fazenda e conta que há preocupação com possíveis prejuízos nas tubulações e equipamentos do sistema de aquecimento de água do prédio devido ao problema da salinidade na rede. O tecnólogo mecânico Vanderlei Damiani Preve, 65, também foi pegar água no ponto de coleta na escola. Ele encheu um galão de 20 litros que tinha comprado no mercado e foi usado durante o fim de semana.

Nos últimos dias, Vanderlei tem se virado com banho frio e a água para consumo teve que ser comprada. Para evitar choques e não estragar a resistência, ele desligou o chuveiro. “Se ligar, a resistência queima na hora porque tem muito sal na água”, afirma. O morador está com a caixa cheia, mas está usando apenas para descarga.

Vendas de galões de água dispararam

A procura por água mineral nas revendedoras e supermercados aumentou durante o final de semana diante dos problemas de abastecimento em Itajaí. Na distribuidora JM, no bairro São João, o produto acabou nesta segunda-feira. Em outros quatro estabelecimentos consultados pelo DIARINHO, ainda havia galões de 20 litros disponíveis com preços normais. Alguns moradores relataram alta de R$ 12 pra R$ 14 em comércios do centro e do bairro Fazenda.

Na Imperador Água e Gás, os entregadores tentam dar conta dos pedidos que chegam a toda hora pra diversos bairros. A proprietária da empresa, Francieli Clerici, conta que a procura mais que duplicou em relação aos dias normais. A entrega de galões que ficavam entre 80 e 100 por dia chegou a 240 só na manhã de ontem.

“Nem no auge do verão deu uma procura dessas”, relata. Uma das marcas vendidas pela empresa já teve o estoque zerado, mas o fornecedor garantiu a entrega. Francieli continua com os mesmos valores – R$ 10,50 pra entrega e R$ 6,50 pra retirar. Ela não prevê aumento de preços e diz que as distribuidoras estão mantendo os valores no momento.

Ressarcimento de prejuízos

O Semasa informa que está ressarcindo os clientes que tiveram as resistências dos chuveiros queimadas pela água salina. É preciso apresentar foto ou o produto danificado e a nova fiscal da resistência nova comprada. Casos específicos de danos em chuveiros e torneiras elétricas serão analisados. A autarquia não explicou se estragos em lavadoras e outros equipamentos também serão bancados.

Uma moradora relatou que os preços das resistências também aumentaram em Itajaí. O produto pra chuveiros Sintex subiu de R$ 10,50 na quarta-feira passada pra R$ 13,50 nesta segunda-feira em uma loja de material de construção, segundo contou a cliente. Ela tinha voltado à loja pra comprar uma resistência reserva e ficou surpresa com o valor já diferente.

De acordo com o diretor geral do Semasa, Diego Antônio da Silva, o problema na cunha salina ainda afeta a captação. “O abastecimento de água está normalizado, só que a água está com uma concentração de sal muito grande”, diz. Conforme Diego, a captação foi mantida pra atender as necessidades básicas, como banheiro, descarga e banho.

Mas os moradores enfrentam problemas em diversas tarefas. Quem já teve a resistência queimada não consegue nem tomar banho frio por causa do sal. “É a mesma coisa que entrar no mar. Só sair do chuveiro e os olhos já começam a arder e coça o corpo todo”, relata uma moradora.

No domingo, a cabeleireira Magda Regina Ribeiro Mendonça, de 50 anos, passou o dia lavando as roupas de casa e do salão em baldes e cestos com uma mangueira. “Lavei na mão para não correr o risco de queimar minha máquina”, disse a moradora do loteamento Nilo Bittencourt, no São Vicente.

Causas de rompimento investigadas

A barragem no rio Itajaí-mirim passou por obras emergenciais na semana passada, com a instalação de uma contenção de pedras no vão aberto entre a barragem e a margem do rio. A medida visa conter o avanço da maré com água salgada até o ponto de captação. Segundo o Semasa, a movimentação do solo na margem deslocou as estacas da cunha salina que impedem a passagem da água do mar.

Inicialmente, a autarquia informou que o rompimento da ombreira da barragem teria sido em razão de um vazamento subterrâneo na adutora que passa pela barragem e leva água bruta pra estação Arapongas. Em postagem no domingo, o prefeito Volnei Morastoni (MDB) disse que as causas do problema estão sendo investigadas por uma equipe de engenheiros e mergulhadores.

“Seguiremos tomando todas as ações necessárias para descobrir as causas deste desastre, sejam naturais ou provocadas, e assegurar à população que algo assim não se repita”, afirmou.

João Batista
Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, de Joinville (SC). E-mail: geral.diarinho@gmail.com
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