Home Notícias Geral Rosalie Knoll deixa a coordenação do comitê de enfrentamento à covid-19 em Balneário

Rosalie Knoll deixa a coordenação do comitê de enfrentamento à covid-19 em Balneário

A médica Rosalie Knoll anunciou em rede social que não está mais coordenando o comitê de Enfrentamento ao Coronavírus de Balneário Camboriú. Ela pediu para deixar o cargo após a mudança no protocolo no tratamento à Covid-19, com a chegada de um novo médico convidado pelo prefeito Fabrício Oliveira (Podemos).
O infectologista Martoni Moura e Silva, com carreira em Rio Branco, no Acre, desde quinta-feira, é o novo coordenador do comitê. A secretaria de Saúde de Balneário Camboriú não informou qual o novo protocolo para tratamento da covid na rede pública de saúde.
A ex-coordenadora afirma que não conhece detalhes sobre o novo protocolo adotado em Balneário e não quis falar sobre ele. Ela só reforçou que continua seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), dos médicos intensivistas e pneumologistas. “Para não ferir minha posição científica e ética, eu recuo da coordenação. Vou continuar ajudando o grupo de trabalho, mas como médica da secretaria de Saúde”, informou Rosalie, que é funcionária concursada do município.
O DIARINHO apurou extraoficialmente que o novo protocolo de atendimento para o tratamento à covid em Balneário Camboriú inclui o uso do medicamento ivermectina – um antiparasitário que ainda está sendo testado para o uso humano. A invermectina foi usada pelo prefeito Fabrício no período que ficou em tratamento contra a covid-19. O tratamento dele foi a base de invermectina, azitromicina e paracetamol, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura.
O informe da sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), assinado pelo presidente Clóvis Arns da Cunha, divulgado esta semana, diz que os antiparasitários, tanto a ivermectina como a nitazoxanida, parecem ter atividade eficaz em laboratório contra a SARS-CoV-2, porém ainda não há comprovação da eficácia no tratamento de seres humanos. “Muitos dos medicamentos que demonstraram ação antiviral in vitro (no laboratório) não tiveram o mesmo benefício in vivo (em seres humanos). Só estudos clínicos permitirão definir o benefício e a segurança na covid-19”, alerta a SBI.
O mesmo informe ainda reforça a falta de embasamento científico para o uso da hidroxicloroquina e do antibiótico azitromicina. O documento diz que a associação dos dois medicamentos foi descrita em estudos, mas não trouxe benefícios clínicos. Além disso, os dois medicamentos estão associados ao prolongamento do intervalo QTc no eletrocardiograma, que predispõe à arritmia cardíaca.
As sequelas trazidas pela combinação dos dois remédios podem ter um “desfecho clínico fatal, especialmente em pacientes com doenças cardíacas, uma vez que a própria infecção pela covid-19 pode causar dano ao órgão”, explica a SBI.
O alerta feito pelo presidente da SBI é no sentido de que antibióticos não têm indicação em infecções virais. O uso indiscriminado e inadequado favorece a resistência bacteriana. “O potencial benefício clínico do efeito ´anti-inflamatório ou imunomodulador´ da azitromicina em pacientes com cobid-19 ainda está por ser comprovado”, alerta.

Especialistas aplicam ivermectina
Umberto João D´Ávila, presidente da Unimed Litoral, diz que em laboratório foi comprovado que a ivermectina impede a duplicação do vírus. “Ela tem um efeito muito bom a nível de laboratório. Está sendo usada, não existe nenhum protocolo com o resultado da utilização, mas em muitos serviços já estão sendo usados e os médicos podem prescrever sim quando os pacientes estão na fase inicial da doença. Muitos especialistas estão usando a ivermectina”, explica.
A dosagem do remédio depende da indicação clínica pra cada paciente. “Houve a liberação para a utilização devido à grande incidência de pessoas contaminadas”, informa. Os médicos da Unimed têm liberdade para usar o medicamento se acharem necessário no tratamento contra o coronavírus. “Não existe protocolo na Unimed para usar essa medicação. É uma definição profissional, o médico utiliza se achar necessário. Ele tem a liberdade para fazer a prescrição conforme a sua orientação científica”, afiança.

Fran Marcon
Formada em Jornalismo pela Univali, com MBA em Gestão Editorial. fran@diarinho.com.br
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