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Relatórios de balneabilidade da praia de Balneário divergem

Metodologia, horário de coleta e correntes marítimas ou a chuva são fatores que interferem nos resultados

No relatório do IMA, pontos em frente às ruas 3000 e 1001 estão impróprios para banho. No relatório do município, a praia está toda ok

Dois pontos da praia central de Balneário Camboriú confrontam os resultados dos relatórios de balneabilidade do instituto do Meio Ambiente (IMA) e o do laboratório particular contratado pela Emasa. A amostra da água foi coletada no mesmo dia.
No relatório do IMA, os pontos em frente às ruas 3000 e 1001 aparecem como impróprios para banho. Pela análise contratada pelo Emasa e paga pelo município, os mesmos pontos são próprios para banho.
Os resultados estão nos relatórios divulgados na sexta-feira passada, com base em coletas de quarta-feira, dia 15 de janeiro. O IMA mostra quatro locais impróprios entre 15 pontos monitorados em Balneário Camboriú. Além dos locais divergentes, constam mais dois poluídos: o pontal Sul, em frente à rua 4900, que não é monitorado pelo município, e a lagoa de Taquaras, que é analisada a cada 15 dias pela prefeitura e, por isso, não entrou no último relatório.
Pelo município, todos os 15 locais analisados, na praia central e nas praias agrestes, mantiveram a balneabilidade em dia. O acompanhamento da prefeitura é feito pelo laboratório Freitag, credenciado pelo IMA, e rola três vezes por semana durante a temporada de verão. Já o IMA faz o monitoramento semanalmente, abrangendo 231 pontos do litoral catarinense.

Prefeitura diz que confia
De acordo com diretor-geral da Emasa, Douglas Costa Beber, as diferenças de resultados são explicadas por diversos fatores. “Hora da coleta, dia (se após uma chuva forte), coletar na profundidade da água do mar recomendada (na linha da cintura), etc”, lista. Ele destaca que o município só pode falar sobre as coletas do laboratório contratado, que seguem diretrizes nacionais, segundo ele.
“O laboratório Freitag é considerado um dos melhores do país neste segmento. Além do credenciamento no próprio IMA, possui registro no Inmetro e segue duas ISOs de qualidade de serviços”, destaca Douglas.
A secretária municipal do Meio Ambiente, Maria Heloísa Furtado Lenzi, também comentou o resultado divergente.
Maria Heloísa ressalta que os trabalhos do laboratório contratado são fiscalizados pela prefeitura, e que o município não pode acompanhar as amostras do IMA, que são bancadas pelo estado. “Nós não sabemos, e não estamos nem desconfiando do IMA, mas os resultados podem ser diferentes dependendo da forma como a coleta e a análise foram feitas”, justifica.
A pasta de Meio Ambiente é responsável pelo monitoramento das praias do programa Bandeira Azul.

Especialistas explicam
A ocenógrafa Patrícia Foes Scherer Custódio, professora da Univali, diz que o resultado depende da metodologia da coleta.“Por exemplo, existem correntes que alteram conforme o passar do dia, dependendo da temperatura, salinidade. Tudo isso influencia na contagem dos microorganismos”, explica.
Patrícia considera que o correto seria a coleta da água ser feita na área de arrebentação da praia. “O ideal pra comparar essas amostras é que as coletas tenham sido feitas juntas, no mesmo momento, pelas duas equipes”, sugere.
O oceanógrafo Marcus Polette, também da Univali, destaca que a natureza é dinâmica e que uma coleta antes ou depois da chuva leva a resultados diferentes.
Embora não desconfie dos laboratórios particulares, Polette defendeu a credibilidade do IMA, que faz o monitoramento das praias há mais de 30 anos. “Não devemos procurar “culpados” ou estabelecer critérios de quem é a melhor instituição. O momento é do município continuar nas ações de melhoria de saneamento”, analisa.

IMA se manifesta

Segundo o IMA, a divergência estaria ligada à periodicidade do monitoramento, que é feita com frequência diferente pela prefeitura. O instituto explica que são necessárias cinco semanas de coleta consecutivas pra se obter um resultado confiável. “Os resultados de impropriedade apresentados no dia 15 de janeiro de 2020 carregam o histórico das quatro semanas anteriores”, disse a nota.
Para os dois pontos divergentes voltarem à condição própria pra banho, será preciso que nas próximas coletas o número de coliformes fecais fique abaixo do limite, conforme o IMA. “O fato de a Emasa realizar coletas em dias diferentes das do IMA provoca as divergências entre os resultados”, continua, destacando que a própria Emasa orienta os banhistas a consultar o relatório estadual.
O instituto informa que a partir de hoje vai passar a divulgar o cronograma de coletas em todos os pontos do Estado.

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