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Quando o humor ajuda a superar dor

No clima da data dos apaixonados, casal conta história marcada pelo companheirismo e a superação de um câncer

Fé, paciência, companheiro, força, humor. São essas as palavras que resumem a história do casal Henrique e Karine que, embalados pelo amor que sentem um pelo outro, conseguiram superar até um câncer que acometeu Karine.
Henrique Sereno, 27 anos, e Karine Ferreto Gardini, 23 anos, estão juntos há dois anos e nove meses. Eles se conheceram através de um aplicativo de relacionamentos. Com seis meses de namoro, já estavam morando juntos. “Ele me convidou pra morar com ele quando estávamos no mercado fazendo compras. Assim, do nada”, relata.
O bom humor faz parte da rotina dos dois. Muito divertidos, completam as piadas um do outro e são parceiros em tudo. Foi em maio de 2018, enquanto se preparavam para mudar pra um apartamento que tinham comprado, que Karine começou a sentir muitas dores no corpo. Foi logo depois de sofrerem um acidente de carro.
Por dois meses foi submetida a exames, passou por várias internações e viveu à base de morfina, sem nenhuma noção da doença grave que tinha. Até que veio o diagnóstico: leucemia. “Eu ouvi tudo da médica e perguntei: tem cura? Depois que ela disse que sim, eu desabei. Só conseguia pensar que ela ia morrer”, conta Henrique.
Karine precisou abandonar o trabalho, como auxiliar fiscal em um escritório de contabilidade, e a faculdade de Contabilidade para ser internada no hospital do Câncer, em Florianópolis. Lá começou a quimioterapia, teve diversas complicações como uma tuberculose, trombose, um princípio de embolia pulmonar e precisou ficar 40 dias num isolamento.
Companheirismo salva
Ela conta que pensou em desistir, mas durante todo o tempo contou com o bom humor e a parceria do namorado. “Quando ele chegava no hospital era a alegria dos enfermeiros e do paciente que dividia o quarto comigo,” relembra, com um sorriso no rosto.
“A vida não acabou e não acaba. A gente dá jeito e faz”, é o que diz Henrique, sobre o período em que a namorada precisou ser carregada no colo para não encostar o pé no chão. “Eu sempre dizia pra todos no hospital: você já tem o caminho de pedras, agora é escolher se vai olhar pra baixo ou em volta”, conta, lembrando que sempre quis dar apoio psicológico para que a namorada não desanimasse das provações do tratamento.
Karine ainda vai a Florianópolis para sessões de quimioterapia, mas ela está curada da doença.
Nesse meio tempo eles casaram, Henrique passou a trabalhar como ator e humorista profissional e os dois são parceiros em mais essa empreitada.

Planos pra hoje
No primeiro dia dos namorados juntos, Karine surpreendeu o amado com um “fondue à luz de velas” improvisado, pois não havia velas, mas a lanterna do celular. No ano passado, o casal enfrentava a expectativa do diagnóstico da doença, a rotina de internações e as medicações para suportar a dor.
Esse ano o plano é fazer um jantar caseiro e curtir o momento pensando só em coisas boas. Os dois esperam o final do tratamento, que deve levar mais um ano, para viajar e seguir a vida com o amor e a relação que construíram juntos, para além das telinhas de aplicativo. mf n

Quando o amor vira doença e a relação uma armadilha

O amor, a amizade e o companheirismo de Karine e Henrique são o oposto do que viveu S.K.R., 23 anos.
No segundo ano de namoro, S. começou a perceber atitudes estranhas no parceiro. A agressividade foi o principal sintoma.
S. conta que, já abalada, não tinha mais interesse sexual pelo namorado, mas sofria com suas chantagens. Ela acabava obrigada a transar com o namorado. Hoje interpreta que o que aconteciam não eram mais relações sexuais, mas, na verdade, estupros.
Ela passou oito meses vivendo com medo e se sentindo culpada até descobrir, por intermédio de uma postagem em uma mídia social, que estava vivendo um relacionamento abusivo.
Relacionamentos abusivos são mais frequentes do que imaginamos, explica a terapeuta especialista em relacionamentos Camila Custódio.
Camila diz que há uma construção social e uma cultura de que “vale tudo em nome do amor”, que cria um ideal romântico que mascara atitudes e comportamentos abusivos. “As crenças que carregamos fazem pensar que nosso amor pelo outro fará que com que ele mude o comportamento complicado”, fala.

Ciclo da violência

Camila explica que há fases no chamado ciclo da violência: a pessoa abusiva tende a ser incrível, depois passa a ter explosões de raiva, ciúme, aí controla o comportamento do parceiro, monitora o telefone, as redes sociais e acredita que foi o outro que provocou essas atitudes. As agressões iniciam de maneira verbal e depois acabam sendo físicas também.
O namorado de S. chegou a agredir os amigos da vítima. Ela conta que registrou um boletim de ocorrência por causa das ameaças. Hoje ela está num novo relacionamento, mas procura evitar estar nos mesmos lugares que o ex-namorado porque ainda sente medo.
Vítimas de relacionamentos abusivos com frequência se tornam dependentes emocionais dos parceiros. Elas não devem ser julgadas ou criticadas, pois ficam sem forças para sair da situação. Camila explica que o importante é dar apoio emocional para que a pessoa possa se libertar e denunciar o que sofre, bem como se preparar para uma relação saudável no futuro.

A internet pode dar um empurrãozinho

Como Karine e Henrique são muitos os casais que se conhecem por meio de aplicativos de relacionamento. Segundo dados do aplicativo Tinder, são mais de 30 bilhões de “matches” desde o lançamento, em 2012, e mais de dois bilhões de visualizações por dia nos 190 países onde o aplicativo existe.
Segundo pesquisadores, buscar relacionamentos online tornou-se um hábito da geração millenial: a dos nascidos depois de 1980. Além do Tinder, aplicativos como o “adote um cara” também ficaram populares. Nesse são as mulheres que escolhem rapazes para conhecer, e já são mais de 22 milhões de usuários pelo mundo. Depois da conversa e do primeiro encontro, alguns casais chegam a um casamento cheio de histórias como a dos nossos personagens, provando que o amor pode ultrapassar os likes.

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