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Protestos rolaram em Itajaí e Camboriú

Alunos dos institutos federais foram às ruas pacificamente para exigir do governo que volte atrás na decisão do corte de verbas

Cerca de 300 alunos do instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em Itajaí, e do instituto Federal Catarinense (IFC), em Camboriú, participaram dos protestos de ontem contra o bloqueio de verbas em universidades e institutos federais. As manifestações engrossaram um movimento nacional em defesa da educação, com apoio de diversas entidades.
No instituto Federal Catarinense (IFC) alunos e professores começaram o protesto pela manhã, com concentração em frente à escola. De lá, um grupo de cerca de 200 pessoas, saiu em passeata pelas ruas, rumo ao centro da cidade. Eles seguiram pela rua Joaquim Garcia, pararam na rótula da avenida Santa Catarina e entraram pela rua Gustavo Richard até parar na praça das Figueiras. O grupo se concentrou até o fim da tarde no local.
O movimento teve apoio de estudantes de escolas estaduais de Camboriú e Balneário Camboriú, além de entidades como a Udesc, o sindicato dos Professores de Itajaí e região (Sinte) e o comitê pela Democracia de Itajaí e Região.
À noite, uma nova caminhada no mesmo trajeto estava programada pelos estudantes, após um ato inicial na sede do IFC. Com faixas, cartazes, camisetas, apitos, batucadas e palavras de ordem, a alunada deixou diversas mensagens pela valorização da educação. Alguns cartazes também criticaram a reforma da previdência proposta pelo governo federal.
De acordo com Paulo Ricardo Miorando, presidente do grêmio estudantil do IFC, a manifestação rolou tranquila e teve o apoio da população. “Ficamos bem felizes com o resultado”, destacou. Paulo adianta que, se o governo não recuar dos cortes, novas manifestações serão feitas.
O estudante rebateu as declarações de Bolsonaro sobre os protestos pelo país. Em viagem aos Estados Unidos, o presidente disse que os alunos que foram às ruas “não sabem nem a fórmula da água” e os chamou de “idiotas úteis”. “Vindo dele, a gente sabe que não tem o que esperar”, comentou Paulo. “Os alunos [que participaram] sabem o que tá acontecendo com a educação e o que tá em risco. Eles sabem pelo que vieram lutar”, concluiu.

Em Itajaí, protesto foi na Contorno Sul

Em Itajaí, cerca de 100 alunos do instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) se concentraram na frente da unidade, na avenida Abrahão João Francisco, a Contorno Sul, na Ressacada. O protesto começou de manhã e seguiu até o início da tarde, perto das 14h.
A vice-presidente do grêmio, Ana Vitória, destacou que o movimento foi pacífico e bem participativo. Sob o argumento de que a instituição é apartidária, a líder estudantil preferiu não opinar sobre as críticas de Bolsonaro às manifestações.
Outros alunos, no entanto, não deixaram barato. “Foi uma falta de respeito da parte dele. O presidente deveria é ouvir a população. Ele disse que os alunos não sabem a fórmula da água, mas ele não sabe governar o país”, criticou Amanda Siqueira Correia, de 16 anos.
Os alunos do IFSC tiveram apoio de colegas da Univali. Um grupo da universidade fez uma caminhada na noite de ontem pela Contorno Sul até o prédio do instituto. A iniciativa foi aberta aos acadêmicos de todos os cursos.

Suspensão do corte não foi confirmada

Os protestos de ontem por todo o Brasil foram contra a medida do ministério da Educação, anunciada em 30 de abril, que reduz os repasses pra universidades e institutos federais. Em unidades como o IFC de Camboriú, o corte chegaria a 39% do orçamento da unidade, o que compromete o funcionamento do instituto a partir do segundo semestre. O governo alega que o bloqueio é necessário devido à queda da arrecadação.
Na noite de terça-feira, numa tentativa de desmobilizar os manifestantes que se organizavam pelo país, parlamentares ligados ao presidente espalharam uma notícia de que o corte de verbas não iria mais ocorrer. Mas era boato. Logo depois, o próprio ministério da Educação desmentiu o recuo.
Em discurso ontem no Congresso Nacional, o deputado federal Capitão Wagner (Pros), aliado de Bolsonaro, denunciou que a informação de que o presidente iria voltar atrás partiu do próprio Jair Bolsonaro durante uma reunião com parlamentares da base aliada.
Na frente dos parlamentares, Bolsonaro teria feito uma ligação para o ministro da Educação. “Com todas as letras, o presidente disse: ‘A partir de agora, o corte está suspenso’”, relatou capitão Wagener, que estava na reunião.
“Se o governo não sustenta o que o presidente falou na frente de 12 parlamentares, não sou eu que vou passar por mentiroso”, descascou o aliado de Jair Bolsonaro.

Ministro convocado por deputados
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, teve que ir ontem explicar os cortes de verbas na Educação na câmara dos Deputados, após convocação dos parlamentares, aprovada na terça-feira por 307 votos a 82.
Ele entrou no plenário por volta das 15h, fazendo uma apresentação inicial de meia hora sobre o plano Nacional de Educação. Depois, líderes das bancadas fizeram questionamentos ao ministro.
Weintraub criticou o Fies e o Pronatec, avaliando que os programas deixaram dívidas e não deram bons resultados. Disse que o país está “bem” no ensino superior e que a prioridade do governo é investir na pré-escola e nos ensinos básico e técnico. Mas quando questionado sobre o governo também fazer bloqueios de recursos na educação básica, o ministro alegou que o contingenciamento atual e o orçamento foram aprovados no governo Temer

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