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Prefeitos pressionados pela covid

Reunião entre prefeitos da Amfri será nesta segunda-feira; MP cobra ações urgentes para tentar brecar o avanço da pandemia

Em Balneário Camboriú, igrejas vão suspender missas e cultos por 14 dias após sugestão do prefeito

Com o aumento do número de infectados e de mortes na região, circularam informações de que haveria um lockdown a partir desta semana, com o bloqueio total de atividades. Oficialmente, as prefeituras ainda discutem as novas medidas. Nesta segunda-feira à tarde, os prefeitos da região da Amfri se reúnem pra buscar uma solução conjunta.

O ministério Público cobra dos municípios e do estado medidas imediatas pra brecar o avanço da doença na região, incluindo novas ações de isolamento e ativação de novos leitos de UTI.

A região da foz do rio Itajaí está classificada como risco potencial gravíssimo para covid-19 pelo governo do estado há três semanas. Pela avaliação, são recomendadas novas medidas de prevenção e controle da doença, como suspensão de atividades, reforço na fiscalização e aumento do isolamento social. Até sábado, eram 8886 infectados e 131 mortes registradas na região. Houve aumento de 38% dos casos de contágio e de mortes nesse mês, com média de três vítimas fatais por dia.

Em 11 dias, as mortes subiram de 38 pra 53 em Itajaí, e de 18 pra 28 em Balneário Camboriú, até sábado. As duas cidades concentram em torno de 60% dos casos na região, seja de mortes ou número de infectados.

Diante do quadro, o procurador-geral do ministério Público de Santa Catarina, Fernando da Silva Comin, e promotores da região da Amfri, recomendaram na sexta-feira que o governo estadual e os prefeitos locais adotem medidas sanitárias imediatas. A resposta dos municípios precisa ser dada até hoje.

O ministério Público considerou que nenhuma medida eficaz foi adotada no enfrentamento da crise mesmo após a região entrar na terceira semana seguida com risco gravíssimo e que o aumento de casos e a alta da ocupação de leitos de UTI persistem nas últimas semanas.

Os promotores ressaltam que o estado e os municípios devem atuar de forma conjunta contra a pandemia. “É competência de ambos adotar todas as medidas que as evidências técnicas e científicas apontam como necessárias para a proteção da saúde pública”,  destacou em nota.

Igrejas suspendem missas e cultos em BC

Em Balneário Camboriú, o prefeito Fabrício Oliveira (Podemos) sugeriu, em conversa com lideranças religiosas de igrejas católicas e evangélicas, a suspensão de missas e cultos por 14 dias. “A proposta foi bem recebida e, com quem conversei, assumiu o compromisso de suspender temporariamente por duas semanas, a partir de segunda-feira”, adiantou.

O fechamento não é obrigatório e vai depender de cada igreja. A paróquia Santa Inês aceitou a medida e suspenderá as atividades presenciais, com as missas sendo transmitidas pelo Facebook. O mesmo deve ocorrer na paróquia de São Sebastião.

A igreja Luz da Vida também anunciou o fechamento por duas semanas. Além da sugestão às igrejas, não houve novas decisões pela prefeitura. No que depender de Balneário, a prefeitura informou que não haverá lockdown.

Em Itajaí, a prefeitura disse desconhecer a realização de lockdown e que possíveis novas medidas serão discutidas nesta segunda em conjunto com a região. Na semana passada, o município liberou a prática de esportes individuais em novo decreto.

O funcionamento do comércio até às 23h e a proibição de circulação e permanência em espaços públicos, como praias, praças e parques, seguem mantidos.

Como estratégia preventiva, a prefeitura está fazendo a distribuição de ivermectina, mas a compra do medicamento é questionada pelo ministério Público e pelo Tribunal de Contas do estado.

Falta de medicamentos pra entubação de pacientes

O ministério Público informou no sábado que entrou com uma ação civil pública com pedido de liminar pra que o governo do estado regularize os estoques de sedativos e bloqueadores neuromusculares, usados no tratamento de pacientes graves com covid-19 que precisam ser entubados. A justiça deu prazo de dois dias pro governo estadual se manifestar.

A ação foi aberta após relatos de que diversos medicamentos estão em falta nos hospitais públicos estaduais, prejudicando os pacientes internados em UTIs. Aos menos 10 tipos de remédios estariam com estoques críticos. Devido ao problema, o procedimento de entubação dos infectados graves estaria sendo feito com sedativos e outros remédios não apropriados, colocando os pacientes em risco, apontam as denúncias.

De acordo como promotor da Capital, Luciano Naschenweng, a alegação do estado que há falta dos medicamentos no mercado é infundada diante de informações prestadas pela associação Catarinense de Médicos. Ele destacou que a compra isolada de respiradores pra ampliação de leitos de UTI, entre outras medidas do estado, sem o gerenciamento dos estoques de medicamentos “deixa no imaginário dos cidadãos a ideia fictícia de que o governo tem pleno domínio da situação pandêmica”.

A liminar pede que o estado regularize em 72 horas os estoques dos remédios e que seja apresentado um plano de compra dos insumos em quantidade compatível com a demanda. A secretaria estadual de Saúde ainda não respondeu ao DIARINHO sobre o problema.

Ação civil pública aponta falta de medicamentos usados pra entubação de pacientes que se tratam na UTI

Podem faltar vagas de UTI

Até sábado, 84% dos leitos de UTI no hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, estavam ocupados com 42 pacientes internados, restando apenas oito leitos vagos pra tratamento de covid-19. Outras 33 pessoas estavam em internação clínica.

Em Balneário Camboriú, a lotação na UTI do centro municipal de Covid-19 chegou a 81% dos 26 leitos no sábado, com 21 pessoas internadas, 10 delas confirmadas com a doença. Eram 11 moradores de Balneário, nove de Camboriú e um de Itapema. Com a ocupação, restam cinco leitos intensivos vagos.

No hospital da Unimed de Balneário, dos 19 leitos de UTI, 15 estão ocupados neste domingo com pacientes positivados com covid-19. Há ainda outras 14 pessoas infectadas sendo tratadas na enfermaria.

Na sexta-feira, o secretário estadual de Saúde, André Motta, prometeu novos leitos na rede estadual “nas próximas semanas”. Em Itajaí, são previstos 40 leitos de UTI no complexo Madre Teresa, junto ao Marieta. Segundo o secretário, o momento não impõe a construção de hospitais de campanha pois há espaço pra ampliação de leitos da rede hospital existente.

 
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