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Prédio mais alto do Brasil balança feito joão-bobo

Construtora garante que movimento é normal. Moradora filmou ondas na piscina dentro de casa

 

Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá. O Millenium Palace, da construtora FG, o edifício mais alto do Brasil já concluído e que fica em Balneário Camboriú, mexeu durante o temporal da última terça-feira. Um vídeo que viralizou na internet mostra ondas formadas na piscina de um dos luxuosos apartamentos do condomínio.

O Millenium Palace tem 46 andares e 177 metros de altura. A construtora FG garante que não há nenhum risco no balanço do Millenium Palace e diz que é normal isso acontecer. Já um engenheiro ouvido pelo DIARINHO diz que há tecnologias que amenizam esse tipo de problema.

Instagram. Facebook. WhatsApp. O vídeo feito dentro de um dos apartamentos, mostrando a água sendo jogada pra fora da piscina, se espalhou pelas redes sociais e grupos de conversa. A mulher que fez as cenas se assusta com o que vê. “Apavorante isso aqui, apavorante. Uh! Meu Jesus!”, solta.

Ela focaliza um dos cantos da piscina e mostra a água subindo e descendo por conta do balanço do edifício. Depois faz uma panorâmica da piscina para mostrar as ondas e termina no outro lado, exibindo a água que é jogada pra fora e se esparrama pelo chão do apê que custa milhões de reais.

 

É tudo normal, diz construtora

Em nota oficial, a FG Empreendimentos diz que não há riscos no balanço do edifício Millenium Palace registrado na noite de terça-feira. Segundo a empresa, os prédios são construídos levando em conta parâmetros internacionais de segurança.

“São realizados ensaios de túnel de vento com a empresa BRE na Inglaterra, além de vários outros testes de segurança, e com esses dados são realizadas análises de dinâmica dos esforços gerados pelo vento e intempéries climáticas, sempre seguindo normas técnicas e orientações dos melhores profissionais especialistas no assunto”, garante a FG.

Ainda de acordo com a empresa, naquela dia as rajadas de vento chegaram a 90 quilômetros por hora. “(…) E não houve nenhum tipo de dano nas edificações graças a toda tecnologia aplicada na concepção de nossas obras”, ressalta a nota oficial.

A empresa ainda diz que é normal a movimentação dos prédios, algo já previsto nos projetos. “(…) Pois assim fica assegurada a sua estabilidade, sempre respeitando e considerando o bem-estar e o conforto de cada morador”, argumenta.

Normal também seriam as ondas da piscina do apartamento. “No momento dessas rajadas muito elevadas de vento, a água e objetos pendentes podem ser amplificadores da sensação de movimento, que no caso de edificações seriam as piscinas e lustres”.

 Especialista diz que balançar muito é problema

O DIARINHO procurou um especialista para saber se é normal edifícios altos oscilarem prum lado e pro outro. “É comum os edifícios balançarem”, diz o engenheiro Inacio Antonio Thomé, gerente de engenharia da Lavoro Holding. “Toda estrutura balança em amplitudes maiores ou menores, dependendo da configuração geométrica da secção da laje, da altura do edifício e da velocidade do vento a que o edifício está submetido, tais limites estão estabelecidos nas normas técnicas”, completa.

Mas quando o DIARINHO perguntou se é normal um prédio balançar a ponto de fazer ondas que jogam a água de uma piscina fora da borda, ele torce o nariz. “Não, isto não é normal”, afirma.

Segundo o engenheiro, pequenas oscilações são permitidas pelas normas técnicas e até frequentes na maioria dos edifício. “Porém, como são pequenas, não são suficientes para serem percebidas e provocarem um desconforto aos usuários do edifício”, explica.

Esse vai-e-vem maior do que o considerado normal pode provocar o que os engenheiros chamam de “patologias”. Isso tanto nas estruturas e paredes quanto nas esquadrias e revestimentos. “Cujas consequências, se não tratadas de forma adequada e oportunamente, podem levar a consequências mais graves tais como rompimento de elementos estruturais”, alerta Inácio Thomé.

O gerente de engenharia da Lavoro Holding diz ainda que há diversas tecnologias que ajudam a amenizar as oscilações dos grandes edifícios. “Tais como construções de pavimentos técnicos ( outriggers ), instalação de sistemas pendulares, construção de reservatórios com água confinada, sistemas de amortecedores hidráulicos e outros mais”, lista.

Ele sabe de pelo menos dois casos na região. “Tenho conhecimento de que está sendo utilizada a tecnologia de instalação de pavimentos técnicos, os outriggers, nos edifícios Yachthouse e Vitra, ambos em Balneario camboriu”, conta.

Sandro Silva
Tem 31 anos de jornalismo, formado em pedagogia pela Udesc e com MBA em Gestão Editorial. geral@diarinho.com.br
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