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Pais de alunos fazem protesto pela volta às aulas em Balneário Camboriú

Grupo fez caminhada e ato com cartazes pela reabertura de creches e escolas

A faixa de areia do pontal Norte, em Balneário Camboriú, foi ocupada na manhã deste domingo por um grupo de pais e mães de alunos que reivindicou o retorno das aulas nas redes particular e pública, principalmente nos ensinos infantil e fundamental. A mobilização foi chamada pelas redes sociais e reuniu mais de 300 famílias, além de alunos e professores.

O grupo se concentrou no trecho da praia em frente ao hotel Marambaia, onde houve um ato com as crianças com cartazes, balões e fumaça colorida, enquanto os pais formaram um grande círculo. Depois, todos saíram em caminhada pela praia até o posto de guarda-vidas. Os cartazes foram colocados na areia mostrando todas as mensagens em defesa da retomada das aulas e da educação como prioridade.

O objetivo do grupo foi chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas famílias diante da suspensão de creches e escolas. Os pais entendem que não há mais sentido em manter as unidades fechadas, sendo que diversas outras atividades e locais públicos, como praias e parques, estão abertos e com grande movimentação.

De acordo com a empresária Joana Bogoni Ribeiro, de 43 anos, mãe de dois filhos, de seis e 11 anos, o retorno não precisa ser obrigatório. “Deveria ser liberado pra quem quiser ir, com os pais tendo essa opção. Se a mãe não se sente à vontade [pra mandar o filho], a aula pode ser transmitida online”, considera.

Devido ao fechamento das escolas, Joana teve que deixar os filhos aos cuidados dos avós. Ela conta que os pequenos tiveram problemas no estômago e psicológico devido ao tempo afastados da escola. “É muito complicado manter eles trancados em casa. O convívio com outras crianças é muito importante”, destaca.

Para Marisa Marili Svoboda Idalêncio, de 52 anos, o governo tem a obrigação de reabrir as escolas porque a educação é um direito das crianças previsto no estatuto da Criança e do Adolescente. Marisa tem duas netas, uma de três e outra de seis anos, aluna especial de uma creche particular de Balneário. A menina está sendo cuidada por uma profissional contratada, já que a creche está fechada. “A escola faz uma falta imensa. Ela está sofrendo uma violação de direitos”, afirma.

Segundo a moradora, a manutenção do fechamento das escolas por mais tempo vai gerar mais evasão escolar, aprofundando o desinteresse dos alunos pelas aulas. A professora Andrea Camila Garcia, 38, da escola Quintal Mágico, destaca que o afastamento das crianças das escolas gera impactos psicológicos e provoca doenças como depressão e gastrite.

“Temos que inserir essas crianças nas escolas. O brincar, o conviver é essencial para elas”, observa. Conforme a professora, apesar de o ano letivo estar quase terminando, ainda é válida a retomada das aulas presenciais para minimizar os efeitos sobre as crianças e nas famílias. “O mais importante é a socialização das crianças com os amigos”, completa.

Os participantes da manifestação seguem mobilizados pelas voltas às aulas. Outras iniciativas, como realização de abaixo-assinado, estão sendo discutidas. Em Itajaí, os pais também defendem a reabertura das escolas. Na tarde deste domingo, famílias programam uma mobilização a partir da prefeitura até a Beira-rio, a partir das 16h.

Critérios de liberação

Pelas normas estaduais, só poderão retomar atividades presenciais as escolas que tenham o plano de contingência aprovado pelas prefeituras e que sejam de municípios com classificação alta ou moderada no mapa de risco pra covid em Santa Catarina. A maior parte das regiões, contudo, segue em risco grave no estado, incluindo a foz do Rio Itajaí.

Com a situação, o planejamento de retomada de escolas particulares e estaduais, permanece suspenso na região. Na rede municipal, as prefeituras da Amfri já decidiram que as aulas não voltam mais nesse ano.

Os estudantes continuam sendo atendidos com atividades pela internet. O plano de educação prevê que as aulas online sejam mantidas mesmo nos locais onde as atividades presenciais forem liberadas.

Na rede estadual, a secretaria de Educação ainda não confirmou se alguma escola conseguiu liberação nas regiões permitidas. Um levantamento está sendo feito pra conferir quem está em condições de retomar nos próximos dias. Mesmo assim, a volta será só com aulas de reforço e de forma gradual, começando pelos alunos do 3º ano do ensino médio.

João Batista
Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, de Joinville (SC). E-mail: geral.diarinho@gmail.com
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