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Navegay arrasta multidão pela orla dengo dengo

Trios elétricos investiram nos hits do funk e axé pra não deixar ninguém parado na avenida da praia

Com a promessa de botar 150 mil pessoas pra dançar na beira da praia, o bloco de sujos mais afamado do sul do mundo, o Navegay, se firma como o evento carnavalesco mais concorrido da região. E nesta edição, não compareceram apenas homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem. O lindo dia de sol e a vontade de extravasar os perrengues da vida levou uma multidão bem variada a praia central, formada de grupos de amigos, famílias, namorados, idosos e curiosos dançando ao som de trios elétricos e turbinados por muita cerveja.

A movimentação começou do lado peixeiro do rio Itajaí, a partir das 15h, onde uma fauna variada fazia fila pra entrar no ferry boat, que operava num esquema especial, oferecendo viagens rápidas apenas para pedestres. Mesmo assim, a fila ia até o primeiro berço do porto. Do lado dengo dengo, a avenida João Sacavem virou uma procissão cheia de personagens, que só se aventuram a sair do armário nesta época do ano.

A professora Penélope Junkes, 29 anos, veio fantasiada de Slash, o guitarrista da banda de rock Guns ‘n roses, e estava a procura de suas amigas. Ela fez um estudo na pós-graduação sobre a questão de gênero e disse que o Carnaval é uma oportunidade para se expor sem receio de ser descriminado. “Essa flexibilidade de gênero está no imaginário popular, então no Carnaval essa fantasia vem pra fora”, acredita. “Além do mais, aqui tem tudo o que o brasileiro gosta: cerveja, música, diversão e a oportunidade de beijar na boca”.

O casal Rogério Marcelo, 39, e Vinícius Garrido, 43, vieram de Balneário Camboriú para causar na avenida com fantasias pra lá de caprichadas. “É o sétimo ano que venho ao Navegay, aqui é tudo de bom, um luxo só!”, se derrete.  Eles trouxeram a amiga Rafaela Fernandes, 36, de Itapema, e estavam na expectativa de um Carnaval nota 1000, mas longe da muvuca. “Pena que muita gente aproveita pra fazer arruaça, então a gente se mantém mais afastado para brincar o Carnaval tranquilamente”, explica.

Quem estava estreando no Navegay era o radialista Eládio Cândido, 48, morador de Braço do Norte, no sul do estado. Vestido à caráter, ou seja, travestido, ele contou que sempre ia no bloco de Laguna, mas está achando a versão navegantina mais massa. “Lá dá muita confusão. Aqui o povo é mais animado, querendo só se divertir”, aposta. Ele estava acompanhado do grupo indígena formado por William, Camila, Lucélia e Emily, moradores de Navegantes. “Fizemos a cabeça dele para trocar Laguna pelo Navegay ele adorou”, garante Lucélia.

Festa da carne também injeta grana no comércio informal

A prefeitura quis botar ordem na bagunça de Momo e não autorizou a entrada de garrafas de vidro nem carros particulares com o som na chapa, então, para o grupo de amigos de Cassiana Deborah Ferreira da Silva, 30 anos, o jeito foi estacionar num posto de gasosa próximo e botar pra quebrar. Vestida de policial, ela dançava em cima do veículo amparada pela amiga Thayna Rodrigues, 21. “Já é a quinta vez que venho à festa e cada ano fica melhor”, elogia.

E não foram apenas os foliões que curtiram o Navegay, mas também precisa reforçar a renda, como o barnabé Gilmar Chagas, 41, gaúcho de Dom Pedrito que passou no concurso da prefa e mora em Navega há dois anos. Ele chegou a colocar um freezer na calçada forrada com mais de mil espetinhos de carne. De gato? “Não, é bovina!”, garante. Até às 17h ele já havia vendido 50 e botava fé que não sobraria um pra remédio. “Dançar dá fome, né?” E para que a praia não virasse um mictório a céu aberto, também foram instalados 200 banheiros químicos, além de ambulatórios pra quem passasse da conta na festa da carne.

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Elaine Mafra
Jornalista formada pela Univali em 2006. elaine@diarinho.com.br
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