Home Notícias Geral MP pede pra CRM investigar interferência “religiosa e política” no protocolo de tratamento de covid de Balneário

MP pede pra CRM investigar interferência “religiosa e política” no protocolo de tratamento de covid de Balneário

O ministério Público de Santa Catarina abriu um processo investigatório para apurar as denúncias de interferência religiosa e política que ocasionaram supostas mudanças no protocolo de combate à Covid-19 de Balneário Camboriú, após a saída da médica Rosalie Knoll.
A infectologista pediu o seu afastamento da coordenação do comitê Municipal de Enfrentamento à doença. O novo coordenador do comitê é o médico Martoni Moura e Silva, com fez carreira em Rio Branco, no Acre.
O procedimento do MP foi aberto na sexta-feira e pede com urgência que o Conselho Regional de Medicina (CRM) fiscalize “se os protocolos e atos médicos adotados pelo município de Balneário Camboriú, e especialmente no hospital Ruth Cardoso, tem sido profissionalmente aplicados de forma livre e consentânea aos critérios científicos e éticos “, diz o documento assinado pelo promotor Álvaro Pereira Oliveira Melo.
O MP pede que sejam ouvidos os médicos de Balneário Camboriú e a ex-coordenadora do comitê, Rosalie Knoll. “Caso exista alguma ilegalidade flagrante, solicita-se ao CRM imediata comunicação ao Ministério Público para a tomada das providências cabíveis no âmbito de suas atribuições”, diz o documento.
O MP ainda alerta que há suspeitas de “influências religiosa e política na escolha de protocolos médicos a serem tomados, conflitando com posturas médicas de profissionais locais, tendo o prefeito municipal agendado.
Sábado o prefeito Fabrício promoveu uma live com a médica Nise Yamaguchi para discutir a aplicação do protocolo precoce no combate à Covid-19.
Nise é médica oncologista e imunologista e trabalha no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Em abril, ela chegou a ser cotada para assumir o cargo de Ministra da Saúde, com a saída do ministro Luiz Henrique Mandetta.
A médica ficou conhecida nacionalmente por sua defesa pública da hidroxicloroquina associada ao zinco e à azitromicina, um antibiótico indicado em infecções respiratórias, no combate à covid.
A sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) reforçou na semana passada que não há embasamento científico para o uso da hidroxicloroquina e do antibiótico azitromicina no tratamento à covid.
A associação dos dois medicamentos foi descrita em estudos, mas não trouxe benefícios clínicos comprovados. Há risco de sequelas como predisposição à arritmia cardíaca.
Nise também foi uma das defensoras do isolamento vertical, quando somente os grupos de risco da doença ficariam em isolamento domiciliar.

Respiradores
O MP também que saber qual o desfecho dos seis respiradores da Weg, comprados pelo governo do Estado de Santa Catarina para UTIs do Centro de Tratamento de Covid-19 de Balneário Camboriú, que estavam com defeito.
Na sexta-feira, técnicos da Weg estiveram no hospital Ruth Cardoso para tentar resolver o problema, mas eles não conseguiram consertá-los e os respiradores terão que ser trocados.
A prefeitura de Balneário Camboriú locou seis aparelhos para ampliar a capacidade da UTI do centro de Covid. O o custeio dos leitos está sendo bancado em rateio pelos municípios da Amfri.

Trabalhava no Acre e Joinville ao mesmo tempo
O novo chefe do combate ao coronavírus em Balneário Camboriú, Martoni Moura, disse ao DIARINHO na sexta-feira que o uso precoce dos medicamentos azitromicina e ivermectina, que teriam motivado a saída da médica Rosalie Knoll do comitê, já eram prescritos no combate à covid na cidade. Os pacientes internados no centro de covid recebem a dose de invermectina. Se existe a evidência de infecção bacteriana, os pacientes recebem azitromicina, dependendo do caso.
A novidade, segundo Martoni, está no fato de que ao invés de esperar o paciente chegar em estado grave ao centro de covid, a prefeitura vai visitar os pacientes em casa. Havendo necessidade médica, a medicação começará a ser prescrita e entregue pelos médicos aos moradores. O tratamento começaria antes mesmo do resultado do teste da doença.
O infectologista Martoni ja frequentou as páginas de notícias. Ele já tinha se envolvido em outra polêmica em Santa Catarina em 2018. O médico estava morando em Joinville e recebendo R$ 15 mil mensais para trabalhar dois ou três dias para secretaria do Estado da Saúde do Acre. Só que o médico não prestava os serviços, pois já estaria morando em Santa Catarina. Em setembro de 2018, o governo suspendeu o pagamento de salários ao médico.
Martoni diz que a suspensão de pagamento foi por poucos meses após a troca de governo entre 2018 e 2019. Ele explica que é concursado no Acre desde 2003 e em 2016 comprou um aparelho pra fazer o exame de elastografia hepática, que identifica doenças como hepatite, gordura no fígado, cirrose, entre outras doenças.
Em uma forma de convênio com o governo do estado, ele passou a receber o salário para que a clínica dele realizasse 35 exames ao mês. “Não tinha um desenho melhor e então o governo transformou meu salário em número de exames mensais”, contou.
Mesmo não estando no Acre, a empresa dele realizou os procedimentos até três meses atrás. Desde o início da pandemia, o serviço está paralisado. Martoni estuda agora trazer o aparelho pra região ou tentar fazer uma contratação através de pessoa jurídica no Acre. Ele diz que está em Balneário desde 2018 e trabalha no Ruth Cardoso por processo seletivo.

Fran Marcon
Formada em Jornalismo pela Univali, com MBA em Gestão Editorial. fran@diarinho.com.br
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