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Mais seis cubanas têm que deixar a região

Fim do convênio pode impactar o orçamento enxuto de municípios pequenos

Dalcia atende em Piçarras e ia de férias pra Cuba, agora não volta mais

O fim do convênio do governo cubano com o programa Mais Médicos também vai deixar outras cidades da região em situação complicada. Barra Velha tinha três médicas cubanas atendendo no interior, Porto Belo tinha dois profissionais e Balneário Piçarras uma médica, Dalcia Bisset. Por coincidência, Dalcia estava de viagem marcada para Cuba porque entrou de férias na quarta-feira. Agora não poderá retornar.
Como ela entraria em férias, a secretaria de Saúde de Balneário Piçarras, Bruna Emanuela Machado, conta que já havia remanejado outra médica para a unidade. Ela conta que a médica cubana chegou em janeiro de 2017 e, aos poucos, conquistou a comunidade.
“É uma grande perda para o município. Ela já conhecia a população de sua área e criou um vínculo que facilitava o acompanhamento dos pacientes”, justifica.
O agricultor e presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Piçarras, Artur Amadeu Onofre, conta que já foi atendido por Dalvia várias vezes, e disse que a rotatividade dos médicos atrapalha o tratamento.
“A unidade fica no interior, onde só tem estrada de chão, então os médicos brasileiros vinham, mas ficavam pouco tempo. Depois que Dalcia chegou, o atendimento melhorou porque ela acompanha o tratamento até o fim”.
Artur lembra que Dalcia passou por uma fase bem difícil de adaptação por causa de preconceito duplo. “Foi ruim pro lado dela, que sofreu algumas vezes por causa do racismo e xenofobia”, afirma, e lembra com carinho da última vez que precisou de seus serviços. “Eu tinha machucado o joelho jogando futebol. Ela me encaminhou para o ortopedista e para uma fisioterapeuta. Depois, voltei ao posto e mostrei os resultados. Fará falta”.

Navegantes perde nove
O DIARIoticiou ontem que só a cidade de Navegantes perderá nove profissionais. Itajaí também perderá uma médica cubana. Serão 16 profissionais a menos na rede pública de saúde da região. O estado de Santa Catarina deve perder 255 médicos.
O médico Porfírio Rafael Guillen, que atende na policlínica de Machados, em Navegantes, há cinco anos, lamenta que o profissionalismo dos cubanos tenha sido questionado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.
Sua revolta é justamente porque o novo governo nem pensou nos milhares de pacientes que serão prejudicados. São mais de oito mil médicos que devem ir embora, a maioria deles atendendo comunidades pobres e afastadas das metrópoles.
Porfírio é casado com uma brasileira e tem visto permanente no Brasil, por isso vai esticar até dezembro sua estada. Ele quer finalizar o tratamento de alguns pacientes. Depois vai embora.
“Tem que pedir perdão ao Nosso Senhor os que criticam porque não sabem o que estão fazendo contra nós e contra seu próprio povo”, lamenta Porfírio.

Sandro Silva
Tem 31 anos de jornalismo, formado em pedagogia pela Udesc e com MBA em Gestão Editorial. geral@diarinho.com.br
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