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Mais duas quedas em obras acontecem em Balneário

Um dos acidentes foi na construção do aquário gigante que tá sendo instalado na Barra Sul

Prevenção e equipamentos adequados garantem segurança

Acidentes de trabalho envolvendo quedas de altura de trabalhadores da construção civil em Balneário Camboriú, entre quarta e quinta-feira, chamaram a atenção para a necessidade de prevenção e uso de equipamentos de segurança. Após uma vítima na quarta-feira, ontem outros três operários se machucaram em dois acidentes na cidade. Na terça-feira, em Itajaí, um trabalhador morreu após cair no fosso do elevador de um prédio em obras.
Ontem pela manhã, os socorristas do Samu e os bombeiros atenderam duas ocorrências em Balneário Camboriú, envolvendo vítimas com ferimentos leves. O primeiro acidente foi por volta das 10h nas obras Oceanic Aquarium, em construção na esquina da avenida Normando Tedesco com a rua 4000, na Barra Sul.
O andaime onde estavam dois operários teria despencado no segundo pavimento, numa altura aproximada de seis metros.
Um dos trabalhadores foi levado pra atendimento no hospital Ruth Cardoso, mas sofreu apenas ferimentos leves, segundo informou o Samu. O outro foi liberado no local.
O DIARINHO pediu esclarecimentos à assessoria de imprensa do aquário sobre as circunstâncias do acidente. Os responsáveis pela obra não se manifestaram até o fechamento desta matéria. O Samu chegou a fazer uma referência à importância do uso de equipamentos individuais de proteção em casos de acidentes, mas não indicou se o acidente estava ou não relacionado aos EPIs.
O aquário deve ser inaugurado entre o fim do mês e o começo de dezembro. Os animais da nova atração turística da cidade chegam na semana que vem.

Avenida Atlântica
O outro acidente foi na entrada do condomínio Maria Eduarda, no trecho da avenida Atlântica em frente ao posto 3 dos guarda-vidas, pouco depois das 11h. Um imigrante haitiano de 46 anos, que trabalhava como servente de pedreiro, sofreu uma queda de cerca de um metro durante um serviço de reforma no hall do edifício. Ele machucou o braço e foi levado pro Ruth Cardoso, liberado horas depois.
O haitiano é funcionário da MCJ Serviços, contratada pelo condomínio. O dono da empresa, Josni Antônio Mendrzycki, explicou que o servente caiu após subir em uma pilha de quatro tijolos usada como apoio. Os tijolos quebraram e o homem foi ao chão.
Josni diz que o funcionário sofreu só um “mau jeito” no braço, estendido pra amortecer a queda. O empreiteiro argumentou que naquela caso não era preciso equipamentos pra trabalho em altura porque o serviço era no térreo.

Quase 700 acidentes
Conforme o Observatório Digital de Segurança e Saúde no Trabalho, ligado ao ministério Público do Trabalho (MPT) e à organização Internacional do Trabalho (OIT), em Balneário foram 691 notificações de acidente de trabalho em 2018, sem casos de morte. A estimativa é que outros 182 acidentes deixaram de ser reportados. A plataforma tem por base dados da previdência Social.
Na cidade, a construção civil representa o setor com a maior fatia das ocorrências. O total de acidentes foi menor em relação a 2017, quando 710 casos foram notificados. Entre 2002 e 2018, a entidade levantou 43 mortes. As lesões mais frequentes são fraturas.
Em Itajaí, o levantamento aponta 1,7 mil acidentes de trabalho em 2018, com quatro mortes. Quase outros 500 casos não chegaram a ser notificados oficialmente. Entre 2002 e 2018, foram 77 fatalidades, 12 delas em 2017. Os setores hospitalar, de pesca e de armazenamento de carga somam a maior parte dos registros.

Maioria dos acidentes são de queda em altura, diz sindicato
Arthur Medeiros Minela, técnico em segurança do trabalho do sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Balneário, diz que o principal problema é a falta do cinto de segurança, obrigatório pra trabalho em altura acima de dois metros. Conforme o sindicato, a queda de altura representa a maioria dos acidentes. O choque elétrico vem em seguida. “A maioria deixa vítimas grave ou gravíssima”, alerta Arthur.
Ainda de acordo com o técnico em segurança do sindicato, a reforma trabalhista e as mudanças no ministério do Trabalho prejudicaram a fiscalização nas obras e os registros e a prevenção de acidentes.
A agência do ministério do Trabalho de Balneário Camboriú foi fechada pelo governo Federal no início do ano. Arthur conta que a fiscalização depende de quatro fiscais do centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), em Blumenau, que tem a demanda de 53 cidades da região pra atender.
Com a falta de estrutura, a resposta pros pedidos de fiscalização do sindicato demora seis meses. “Os órgãos que têm poder de fiscalizar e interditar estão cada vez mais defasados”, reclama Arthur.

Sindicato vai visitar obras
Sobre os acidentes registrados ontem em Balneário, Arthur disse que o sindicato deve ir até o local das obras na semana que vem. Ele informou que o sindicato só teve conhecimento do caso de quarta-feira, quando um operário de 39 anos despencou de um andaime das obras do edifício Royal Tower, entre as ruas 2480 e 2500, no centro de Balneário. A queda foi de uma altura de seis metros. A vítima foi levada ao hospital em estado grave.
Após os atendimentos de ontem, o Samu reforçou a necessidade de manutenção e uso correto dos equipamentos de segurança para trabalhadores que ficam nas alturas. Os socorristas afirmaram que em outros dois casos de queda atendidos na terça e na quarta teria havido o uso incorreto dos equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

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