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Juíza confirma mau cheiro perto da BFP

Desconfiada dos relatórios da Famai e de uma empresa privada, magistrada mandou a Fatma fazer um laudo das atividades da fábrica

Fábrica produz proteína animal que vai servir como ração para peixe

A juíza Sônia Moro Terres, da vara da Fazenda Pública da comarca de Itajaí, determinou que a fundação do Meio Ambiente (Fatma) faça um laudo ambiental da planta da BFP Bioprodutos de Pescado, uma das fábricas da GDC que fica na comunidade de Arraial dos Cunha. A própria juíza esteve na comunidade e confirmou a existência de forte mau cheiro, conforme reclamação dos moradores e denúncia do ministério Público (MP).
Antes de julgar o pedido da promotoria para a suspensão dos trabalhos da empresa, por conta da fedentina provocada pela produção de proteína de peixes, a juíza quer comparar o laudo da Fatma com os relatórios de fiscalização já produzidos pela fundação Municipal do Meio Ambiente de Itajaí (Famai) que permitiu o funcionamento da fábrica em fase de teste. A comparação também será feita com o laudo de uma empresa particular contratada pela própria BFP.
A visita da juíza à comunidade foi na quinta-feira da semana passada. Sônia afirma que sentiu um “odor insuportável por volta das 17h” na rua Luiz Adami. Também percebeu cheiro forte na rua Arcângelo Bertoldi.
Os moradores relataram à juíza que o cheiro piora quando o barulho de uma turbina está mais forte e ela percebeu a presença de muitas “moscas verdes”.
Por conta disso, a magistrada decidiu que a Fatma fará um novo laudo das atividades da fábrica da BFP. “Há evidente contradição entre os laudos técnicos existentes nos autos e as queixas da comunidade vizinha, que são, de fato, motivadas, porquanto esta magistrada constatou pessoalmente o odor insuportável e as dificuldades que estas pessoas vêm enfrentando em função disso”, cita a juíza nos autos.
Sônia ainda marcou uma nova audiência conciliatória para 26 de setembro às 19h30. Até lá, espera, o laudo da Fatma devera apontar se a responsabilidade do mau cheiro e da presença das moscas.
A BFP produz proteína animal com restos de sardinha e atum que vêm da fábrica da GDC, no bairro Cordeiros. As reclamações contra a empresa do Arraial dos Cunha já se arrastam por um ano. Recentemente, 150 moradores assinaram um documento reforçando a reclamação e enviaram à juíza Sônia.

Situação só piora, reclama vizinho
O agricultor Evandro Bertoldi, 43 anos, conta que nasceu e se criou na rua Arcângelo Bertoldi e nunca tinha sentido nada igual como a catinga que surgiu depois que a BFP se instalou na comunidade. “O cheiro é insuportável, pega até na roupa. Somos a favor do progresso, mas queremos nossa qualidade de vida”, pondera.
Evandro conta que a empresa pediu um tempo prometendo solucionar o problema, mas nunca resolveu a situação. Pelo contrário. Segundo ele, a coisa piorou. “Secaram a lagoa, agora ficou o cheiro da produção. Só piora”, afirma.
Em maio, o diretor de engenharia da GDC, Adão de Sá, explicou que a empresa não gera efluentes líquidos e que o problema do cheiro vinha de três lagoas que recebiam água da chuva, usada no sistema de resfriamento. A água teria apodrecido, criando lodo e fungos.
Para não deixar a água parada, conforme orientação do Programa da Dengue, a empresa passou a bombear os líquidos para as torres de refrigeração, depois a devolvendo às lagoas, o que teria causado o cheiro ruim na vizinhança.

Poluição já estaria ocorrendo há um ano

Usa restos de peixe como matéria-prima
Os moradores começaram a reclamar do mau cheiro em setembro de 2016. Em maio, depois que as denúncias feitas à Famai, o órgão ambiental de Itajaí, não surtiram efeito, a promotoria moveu uma ação civil pública contra a BFP Bioprodutos de Pescado.
A empresa produz proteína animal com restos de sardinha e atum que vêm da fábrica da GDC. Por enquanto, não estaria comercializando a produção, mas a intenção é exportar o produto para a Ásia como ração para peixe.
Para o vereador Rubens Angioletti (PSB), que tem acompanhado o caso, a empresa tem enrolado a comunidade e não fez o planejamento adequado para se instalar no local. Além disso, mudaram a atividade inicial que era somente a estocagem da sardinha, para processamento, sem ter se adequado à legislação ambiental, segundo ele. “Que fique bem claro, ninguém está querendo fechar a empresa. Mas eles têm que se adequar as leis. Não é porque gera emprego que pode fazer o quiser”, critica.

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