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Juiz afasta secretários da prefeitura de Navegantes

Magistrado também impediu que engenheiro Paulo Ney entre no paço municipal

Ajustiça determinou o afastamento de dois secretários municipais e de um assessor técnico da prefeitura de Navegantes. Além disso, os engenheiros Paulo Ney Laurentino e Mirian Laurentino, que são casados e pais de um dos secretários, estão proibidos de entrar na prefeitura.
Todos são acusados pelo ministério Público Estadual de integrar um esquema que permitiu que mais de 350 obras irregulares fossem levantadas na cidade sem qualquer impedimento ou punição da prefeitura. Formação de organização criminosa, prevaricação, corrupção ativa e passiva e advocacia administrativa são os crimes apontados pela promotoria.
As investigações são do promotor Marcio Gai Veiga. Ele chegou a solicitar a prisão preventiva de Paulo Ney Laurentino, para que o engenheiro não pressionasse testemunhas. Mas o juiz Gilberto Gomes de Oliveira Júnior não acatou o pedido.
Ontem, antes mesmo do prefeito Emílio Vieira (PSDB) acatar a decisão judicial, os secretários Cassiano Weiss, de Governo, e Andrew Filintto Laurentino, de Planejamento Urbano, pediram exoneração. O outro acusado é Carlos Alberto de Souza, que já atuou como secretário de Planejamento Urbano e agora era assessor técnico. Andrew é filho de Paulo Ney Laurentino.
De acordo com o promotor, o grupo não apenas deixava que obras sem licença acontecessem pela cidade, como também prejudicava a fiscalização feita por servidores efetivos, incluindo engenheiros. Conforme a denúncia, embargos não eram feitos, multas não eram emitidas e laudos dos engenheiros da prefeitura, indicando irregularidades em obras, eram ignorados.
Em meio a tudo isso, afirma a promotoria, o escritório particular de Paulo Ney e da esposa Mirian atuavam para resolver as pendengas de clientes, com ingerência direta na secretaria de Planejamento.
Maria Flor, secretária de Comunicação, informou que os cargos comissionados acusados pelo ministério Público trataram de pedir exoneração por conta própria. Ontem mesmo, o arquiteto Waldir Aparecido Lopes Ramos, que é servidor efetivo, assumiu a chefia da secretaria de Planejamento.

O que dizem dois dos acusados
O engenheiro Paulo Ney Laurentino nega as acusações e diz que há uma inversão. Ele afirma que em março deste ano apresentou ao ministério Público uma denúncia de mais de 200 páginas contra um fiscal da prefeitura, que hoje figura como principal testemunha da promotoria. Esse fiscal, segundo ele, costumava emitir multas de alto valor, entre R$ 700 mil e R$ 800 mil e depois ele mesmo as retirava do sistema.
“O promotor, ao invés de pegar o fiscal, vem pra cima de mim. Em Navegantes tem mais de 1000 obras irregulares, hoje tá varrido de irregularidades”, afirmou.
Ele nega que seu escritório tenha atuado dentro da secretaria de Planejamento para tentar regularizar obras com problemas, mas admite que conversou com alguns engenheiros sobre problemas de clientes.
Cassiano Weiss ressaltou que em quase 10 anos de serviço público sempre teve “postura clara e coerente”. Segundo ele, o papel de um secretário é a gestão da pasta e não a prática de serviços de rotina.
“Se houve qualquer irregularidade, como as mencionadas, não tive conhecimento que ensejasse a tomada de medidas administrativas cabíveis”, argumentou.
Os engenheiros Andrew Laurentino e Mirian Laurentina não retornaram as ligações. A reportagem não conseguiu o contato com Carlos Alberto de Souza.

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