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Itajaí quer ozônio contra covid-19

MP fez recomendação para vetar a terapia e CRM diz que não há comprovação científica. Itajaí virou manchete nacional

aplicação de “ozônio retal” no tratamento de pacientes positivos para o coronavírus em Itajaí, anunciado pelo prefeito Volnei Morastoni (MDB), através de uma fala ao vivo em rede social, na noite de segunda-feira, ganhou repercussão nacional e internacional ontem. O caso também virou zoeira nas redes sociais e foi um dos assuntos mais comentados da rede social Twitter.

O ministério Público enviou uma recomendação ao município pra que vete a terapia, que não tem qualquer comprovação científica. O tratamento no Brasil é considerado experimental pelo Conselho Federal de Medicina e não tem eficácia científica comprovada, frisou o Conselho Regional de Medicina.

Segundo o que afirmou o prefeito na rede social, o município se inscreveu no conselho Nacional de Pesquisa e Ética para entrar no protocolo nacional de pesquisa. A aplicação nos pacientes seria, via retal, durante 10 dias.

O protocolo do município seria oferecer aos casos positivos, ou com sintomas de coronavírus, a ivermectina, azitromicina, a cânfora e o ozônio. “É uma aplicação simples, rápida, de dois a três minutinhos por dia, provavelmente uma aplicação via retal, que é uma aplicação tranquilíssima, rapidíssima, com um cateter fininho, e isso dá um resultado excelente. Vamos em breve estar implantando isso em Itajaí também”, afirmou o prefeito na fala.

“São 10 sessões de ozônio por 10 dias, e isso ajuda muitíssimo aos casos de coronavírus positivo. Ivermectica, cânfora, ozônio e tudo mais que nós formos descobrindo e sabendo que pode ajudar, nós vamos colocar à disposição da população para fazer o enfrentamento”, disse Volnei na rede social.

A Sociedade Brasileira de Infectologia informou que a ozonioterapia, como se chama a aplicação de ozônio com oxigênio, não tem qualquer evidência científica de que seja útil contra a covid.

Após o anúncio de Volnei, o conselho Regional de Medicina de Santa Catarina reforçou que tratamentos médicos devem ser validados pelo CFM. A resolução 2181/2018,  do CFM, proíbe a prescrição de ozonioterapia em consultórios e hospitais.

A exceção pode acontecer em caso de participação dos pacientes em estudos de caráter experimental, com base em protocolos clínicos e critérios definidos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

“A norma federal  deixa claro que o seu uso benéfico em tratamentos clínicos está longe de ser uma unanimidade positiva, já que o volume de estudos e trabalhos científicos adequados sobre a prática ainda é incipiente e não oferece as certezas necessárias. Esse assunto exige mais pesquisa em busca de conhecimento sobre o tema”, disse o CRM em nota.

Novidade causou zoeira nas redes

Galera passou a terça-feira fazendo piada

A ideia de aplicar ozônio no ânus dos pacientes contra a covid colocou Itajaí no centro das tradicionais zoeiras das redes sociais. O assunto ficou entre os mais comentados do Twitter. Foram mais de 11 mil posts sobre o assunto.

Veículos de comunicação como Band News, Folha de São Paulo, Estadão, Isto É, Exame, Catraca Livre, UOL e o  internacional The Guardian repercutiram o assunto.

A aplicação também fez sucesso entre os humoristas, políticos e influencers. O famoso José “macaco” Simão comentou. “Prefeito de Itajaí sugere aplicacão de ozônio no ânus para combater coronavírus. Diz que o cateter é fininho!”.

O jornalista Marcelo Tas postou que “depois da cloroquina, que não deu em nada, o prefeito de Itajaí vai testar ozônio no bumbum dos habitantes. 10 aplicações de dois minutos, com um caninho de pequeno calibre. Agora vai?!? “. 

Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro, provocou no Twitter: “Eu prometo…. que não farei isso com os cariocas!”.

A galera também caprichou nos memes, mostrando que pro brasileiro pode faltar tudo, menos criatividade.

MP diz não

O MP de Itajaí recomendou ao prefeito Volnei que não faça qualquer ação de distribuição de ozônio.

A 13ª promotoria de Justiça embasou a recomendação em notas técnicas e estudos que apontam riscos à saúde e a falta de comprovação de eficácia no tratamen. O prazo para acatar a recomendação é de 24 horas.

O promotor justificou que a distribuição de ozônio sem comprovação de eficácia pela rede pública “poderá caracterizar violação da Lei de Improbidade Administrativa”.

O MP explica que a recomendação antecede a ação judicial. Se a prefeitura não acatar, o MP pode instaurar a ação civil pública.

Já o município respondeu, através de nota,  que aguarda a aprovação da participação no estudo e, portanto, não há certeza ou previsão de quando a pesquisa poderá ser iniciada.

“O município mantém o seu interesse em participar da pesquisa,” concluiu a nota.

Itajaí diz que intenção é participar de “pesquisa voluntária”

O prefeito Volnei Morastoni (MDB) não respondeu aos questionamentos da reportagem depois da repercussão do anúncio da terapia com uso de ozônio. Através de uma nota oficial, o município alegou que o objetivo seria a participação em um estudo da Associação Brasileira de Ozonioterapia que pretende avaliar cientificamente a técnica no tratamento de pacientes de covid. O município alegou que aguarda a aprovação e que não há previsão de quando a pesquisa poderia ser iniciada. 

A pesquisa analisaria o impacto da terapia de ozônio na recuperação e evolução de pacientes positivos. Para incentivar o estudo, o município implantaria um ambulatório pra tratamento de pacientes com sintomas leves a moderados. Os pacientes participariam da pesquisa de forma voluntária. O estudo recomenda que o protocolo seja aplicado em, no mínimo, 142 pacientes. A nota oficial da prefeitura ainda alegou que vários países usam a ozonioterapia no tratamento de covid e produzindo materiais científicos.  Segundo a nota oficial, na Espanha, China e Itália há ensaios clínicos com resultados benéficos.

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