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Inteligência artificial contra a covid

Câmeras com reconhecimento facial pra monitorar uso de máscaras e medir a temperatura corporal estão entre novas as tecnologias

Além da corrida pela vacina, a pandemia de covid-19 está acelerando mudanças tecnológicas na área de segurança eletrônica e inteligência artificial para atender necessidades preventivas impostas pela doença. Os novos investimentos do setor envolvem o uso de câmeras com detecção de temperatura, tecnologia para reconhecimento de quem está usando máscaras e controle de acesso com leitura sem toque. Em Itajaí, uma câmera que mede a temperatura de até três pessoas por segundo foi instalada ontem no Centreventos, onde está sendo distribuída a ivermectina.

Os equipamentos são procurados por empresas, comércios e órgãos que buscam certificação como ambientes seguros e que respeitam as regras de prevenção. Pra atender a demanda, fornecedores de sistemas de segurança estão ampliando a oferta de produtos com essas novas ferramentas. 

De acordo com a distribuidora Dealer Shop, de São Paulo, as empresas especializadas em segurança eletrônica estão se reinventando pra atender o “novo normal” forçado pela pandemia.

A distribuidora informa que criou o primeiro centro de Experiências do setor pra que os clientes possam testar as novas tecnologias e simular de forma prática o funcionamento dos equipamentos. Entre os produtos estão câmeras com imagens termográficas, que permitem medir a temperatura corporal em tempo real e que emitem alertas no caso de febre.

Ainda existem sistema de controle de acesso que dispensam o toque e monitoram a taxa de ocupação e câmeras com inteligência artificial para reconhecimento do uso de máscaras e identificação de aglomeração de pessoas. O reconhecimento usa algoritmos com base em dados como tamanhos, formatos e texturas das máscaras, sendo possível até saber se a proteção está sendo usada de forma correta ou não.

De acordo com o gerente comercial da distribuidora, Rubens Branchini, houve um aumento de 70% na procura pelos equipamentos. Entre os mais interessados estão lojas de varejo.

As ferramentas serão procuradas para que os estabelecimentos sejam reconhecidos como “Covid-Free” e tenham condições de manter as atividades diante das restrições da pandemia. “Entendemos que a covid-19 trouxe o novo normal, onde a segurança é e será imprescindível para a reabertura dos negócios no país”, avalia.

Mas Rubens destaca que a ampliação do uso dessas tecnologias não deve parar mesmo após a pandemia. O setor de segurança eletrônica reúne mais de 26 mil empresas no Brasil, movimenta cerca de R$ 7 bilhões por ano e tinha um crescimento médio anual de 8% antes da pandemia, percentual que deve ser ultrapassado de 2021, conforme indicam pesquisas do setor. 

Em Balneário Camboriú, câmeras da polícia já ajudam a fiscalizar o uso de máscara

Selos certificam boas práticas

Diversos órgãos estão fazendo a certificação contra a covid-19, garantindo que empresas, entre academias, lojas ou restaurantes estão seguindo práticas preventivas.  O hospital Albert Einstein, em São Paulo, criou o selo CovidAudit, pra classificação de lojas de todo o país. O instituto Brasileiro de Excelência em Saúde (Ibes) criou a certificação “Covid Free”.

Em Itajaí, o núcleo de gastronomia da associação Empresarial de Itajaí, lançou o selo “Stop Covid-19” para reconhecer boas práticas de restaurantes, bares, lanchonetes, cafeterias e afins. A ideia partiu do coordenador do Núcleo, Jorge Freitas, com objetivo de estimular os comércios e fazer com que os clientes se sintam seguros ao frequentar os locais.

O restaurante Mr. Batata, no Itajaí Shopping, foi o primeiro a receber o selo. Segundo Jorge, outros quatro locais estão em andamento, incluindo o restaurante Recanto Ibérico, que ele toca na praia dos Amores. A proposta é alcançar outros estabelecimentos em Balneário e demais cidades da região.

Procura pelas novas ferramentas aumentou 70%, segundo empresa do setor

Privacidade em risco

O professor Fabrício Bortoluzzi, professor do curso de Ciência da Computação da Univali, destaca que as novas tecnologias colocam em risco a privacidade do cidadão. Ele informa que sistemas pra monitorar as pessoas são usados amplamente em países como China e Reino Unido, onde no caminho pro trabalho uma pessoa chega a passar por 400 ou 500 câmeras.

“Quando se trata de espaço público, a pessoa consente que ao transitar ali estará sendo observada”, diz. Em ambientes privados, no entanto, ele avalia que cabe um melhor nível de consentimento diante da exposição da pessoa. “A tecnologia invade gravemente a privacidade dos usuários”, afirma.

No contexto da pandemia, ele explica que boa parte dos índices de isolamento divulgados no país vem da coleta da posição do celular em relação às antenas do sistema telefônico que permitem a triangulação de coordenadas. “Não é nem o GPS do aparelho. Só o fato de eu usar meu celular faz com que ele consulte as antenas de telefonia”, explica.

O professor destaca que o usuário tem poucos meios de limitar essa “intrusão”. Para garantir a privacidade, ele cita a criação da lei Geral de Proteção de Dados, que prevê punição às empresas quando a exposição fere as normas.

Em Balneário Camboriú a prefeitura está fiscalizando o uso de máscaras com a ajuda das câmeras de monitoramento equipadas com sistema de reconhecimento facial. A ação é em parceria com a polícia Militar. São quatro câmeras com a tecnologia que fazem o reconhecimento de quem está usando ou não a máscara.

Os pontos ficam na esquina da avenida Brasil com a Central, na rua 1901 com a Brasil, rua Biguaçu com a 5ª avenida e pontal Norte. Nessas câmeras, foram observadas taxas de adesão entre 30% e 80%. O projeto é piloto e prevê ampliação pra outros pontos.

 
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