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Fechamento de associação que atende crianças carentes gera revolta em Itapema

Entidade passou por nova inspeção mas ainda não pode receber crianças na escolinha

O fechamento da associação Beneficente Cantinho da Alegria, que atende crianças carentes em Itapema, gerou revolta da comunidade nesta semana. O local, no bairro Morretes, foi interditado pela vigilância Sanitária na segunda-feira após denúncia de descumprimento de medidas preventivas ao coronavírus, como uso de máscara, álcool em gel e falta de distanciamento social.

Nesta quinta-feira, houve nova inspeção e a entidade foi reaberta parcialmente, segundo informou a presidente e coordenadora da associação, Leidaiana Muller. A autorização é válida só pra distribuição de marmitas às famílias carentes. Leidaiana disse que a ONG ainda não pode receber crianças em situação emergencial, que são atendidas na escolinha com atividades de recreação enquanto os pais trabalham, em razão dos decretos da pandemia.

A denúncia contra a associação dava conta que estaria ocorrendo aglomeração de crianças no galpão da entidade e foi feita de forma anônima ao ministério Público, que solicitou a fiscalização. Pelas redes sociais, a presidente e coordenadora da associação Beneficente Cantinho da Alegria, Leidaiana Muller, disse que não entendeu o motivo da interdição, considerando que não foram identificadas irregularidades no momento da notificação, sexta-feira passada. Na segunda-feira, a entidade recebeu a ordem de fechamento.

Conforme Leidaiana, além de seus seis filhos, havia apenas sete crianças no local quando a interdição foi anunciada, sendo que o galpão teria capacidade pra 150 crianças. Ela afirma que as crianças tiveram que voltar para os pais, parte deles catadores de recicláveis, e outras estão com babás, mesmo com as famílias sem condições financeiras.

Mobilização pelas redes

Pela internet, moradores e apoiadores da ONG criaram uma campanha pela volta do atendimento. A presidente a associação destaca que o projeto atende 1830 pessoas, incluindo crianças de famílias em situação de vulnerabilidade e moradores de rua. Algumas crianças ficam em período integral na entidade.

“Minha revolta é em saber que as praias estão lotadas, os shoppings, os bares, as boates lotadas, tudo pode mas as crianças não podem ter um lugar pra comer, um lugar pra tomar banho e nem podem ser cuidadas”, disse em desabafo pelas redes após o anúncio do fechamento.

Depois da mobilização da comunidade e a apoio de advogados, a entidade conseguiu retomar o atendimento. A diretoria de Vigilância Sanitária fez uma nova inspeção no local na quarta-feira. “Tivemos a desinterdição pra poder voltar a atuar na área social, atendendo nossas crianças em situação emergencial”, disse Leidaiana. Ela, explicou, no entanto, que atividades de recreação ainda não estão liberadas devido à pandemia. A entidade tem pedidos de ao menos cem mães pra que as crianças sejam deixadas no local.

A associação pretender marcar uma reunião com a promotoria pra que os serviços possam voltar normalmente. Caso contrário, uma medida judicial deve ser adotada, adiantou a presidente. A prefeitura e a promotoria ainda não se manifestaram sobre o caso.

Nesta quinta-feira, o governo do estado atualizou o mapa de risco pra covid-19, com a região de Itajaí passando de grave pra alto risco, junto com outras seis regiões. A reclassificação permite a volta de atividades na educação na região, mas cada escola precisa ter o plano de contingência aprovado junto aos municípios.

João Batista
Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, de Joinville (SC). E-mail: geral.diarinho@gmail.com
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