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Família consegue voltar da Nova Zelândia

Casal de Itajaí, com filho pequeno, contou com ajuda do estado de SC e do governo chileno; governo federal não colaborou

casal itajaiense Cristian Oliveira e Caroline Rocha e o filho Heitor, de cinco anos, estão entre os 12 catarinenses que conseguiram retornar da Nova Zelândia nesse final de semana depois da suspensão dos voos por conta da pandemia de coronavírus. Cristian e Caroline estavam morando fora do país há quase cinco anos, mas decidiram retornar ao Brasil após ele ter perdido o emprego e o governo local adotar medidas que priorizavam os trabalhadores nascidos naquele país.

Já em Itajaí, Cristian, morador do bairro São Roque, contou ao DIARINHO um pouco mais da experiência que a família viveu para voltar à cidade e recomeçar a vida. Foram cerca de 35 horas de viagem, passando por quatro aeroportos e encarando uma viagem de micro-ônibus de São Paulo até Santa Catarina. Segundo Cristian, o desgaste foi ainda maior porque Heitor é autista e requer uma série de cuidados.

A viagem iniciou na sexta-feira, com a saída de um voo de Auckland, capital da Nova Zelândia, até Santiago, no Chile. Da capital chilena, os brasileiros embarcaram para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Já em território brasileiro, uma equipe do governo do estado aguardava os catarinenses para trazê-los em um micro-ônibus.

Família passou por quatro aeroportos e 35 horas de viagem até chegar a Itajaí

Ajuda do Chile

A volta para a América do Sul só foi possível graças ao governo do Chile, que cedeu espaço para os brasileiros em uma avião destinado a passageiros chilenos. Segundo Cristian, a embaixada do Brasil organizou apenas um voo, em maio, para brasileiros que queriam retornar da Nova Zelândia. Desde então, quem não conseguiu vaga, teve que buscar alternativas ou não conseguiu voltar pra casa.

Foi assim que um grupo se organizou e conseguiu “carona” no avião chileno. O governo brasileiro negociou com a companhia aérea Latam para que fizesse o translado entre Santiago e São Paulo, mas as passagens tiveram que ser pagas pelos próprios passageiros.

O governo do estado enviou um micro-ônibus do corpo de Bombeiros Militar e outros dois veículos de apoio para buscar os catarinenses em São Paulo. A ação foi intermediada pela secretaria Executiva de Assuntos Internacionais e contou com o apoio de servidores do setor de transportes, coordenados  pela Casa Militar, para fazer a recepção do grupo e translado até Santa Catarina. No grupo também estavam catarinenses de Jaraguá do Sul, Florianópolis, Imbituba, Tubarão, São Joaquim e Caçador.

“O governo do estado foi muito eficiente, falamos uma vez só que estávamos voltando e eles organizaram tudo. Nos monitoraram durante a viagem, e cada aeroporto que a gente parava, fazíamos contato. Quando pousamos em Guarulhos, estavam nos esperando e voltamos muito confortavelmente. O governo de SC foi o único que fez algo por quem estava voltando. Pessoas de outros estados ficaram lá no aeroporto tentando achar hotel pra passar a noite e tentar ir embora no dia seguinte”, conta Cristian.

Dificuldades à vista; hora de voltar

Cristian trabalhava com carpintaria da construção civil há mais de quatro anos na Nova Zelândia, mas acabou perdendo o emprego um dia antes do início do lockdown porque a obra em que trabalhava foi embargada pela prefeitura.

Ainda assim, ele recebia do governo local uma boa ajuda de custo, enquanto sua mulher conseguiu manter o emprego após o término do isolamento no país. Mas Cristian percebeu que, mesmo tendo um bom currículo, não conseguiria mais trabalho em sua área por conta de uma medida do governo da Nova Zelândia, que decidiu bancar a mão de obra de pessoas nascidas no país para as empresas locais, com salários pagos pelo governo por um ano e meio.

“No momento que acabasse o auxílio do governo, eu estava com medo de começar a enfrentar sérias dificuldades financeiras. Meu filho tem algumas necessidades e não poderia nos expor a uma situação pior com ele. Temos dificuldades aqui também, mas temos nossa casa, nossa família e vamos viver da melhor forma possível”, planeja.

A família ficou sabendo apenas na terça-feira que teria lugar no voo e teve que correr atrás de todos os trâmites para conseguir vir embora a tempo. “Cada um tinha direito a uma mala de 23 kg. Eu morava há quase cinco anos lá e ter que botar toda a vida em uma mala é complicado. Tivemos que doar bastante coisa, vender coisas para fazer um dinheiro. Mas voltamos agradecendo por poder estar em casa novamente”, completa.

Cristian, a esposa e o filho moraram mais de quatro anos no exterior

Nova Zelândia erradicou o vírus

No início desse mês o governo da Nova Zelândia anunciou que havia erradicado o vírus e cortou todas as restrições econômicas e sociais no país, exceto as de fronteira. Foram 75 dias de restrições e cerca de sete semanas de quarentena rígida. O país de cinco milhões de habitantes registrou apenas 1154 infecções e 22 mortes por covid-19 desde que o vírus chegou no final de fevereiro.

“O isolamento foi levado a sério por parte da população. O máximo que se fazia era ir na frente de casa para dar uma caminhada, pegar um sol. Foram cinco semanas dessa maneira, só funcionando supermercado e posto de gasolina. Uma pessoa da família ou por grupo ia  fazer compras e mais ninguém na rua. Se a polícia te visse na rua, parava pra perguntar o que estava fazendo. Não se podia viajar ou usar rodovias”, narra Cristian.

Segundo ele, além da população equivalente ao estado de Santa Catarina, o fato de ser uma ilha também ajudou o país a controlar o vírus. Porém, a atitude da população contrasta com a realidade vivida em Itajaí em atualmente.

“O primeiro impacto que eu tive aqui quando fui no supermercado para fazer compras pra casa foi ver famílias inteiras fazendo compras. Pai, mãe, dois filhos e um bebê no carrinho. A mãe ou o pai e as crianças não deveriam estar ali. Não tem necessidade de todos andarem na rua num momento de pandemia”, opina.

A volta pra casa também teve momentos de apreensão por conta da pandemia do coronavírus. A cunhada e o cunhado de Cristian testaram positivo e se mantém em isolamento. Os pais de Caroline estão internados com covid-19. O pai dela está na UTI, mas apresenta melhora. A mãe  está no quarto e pode ganhar alta nos próximos dias.

 
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