Home Notícias Geral “Falso médico” de Balneário foi estagiário de marketing na secretaria de Inclusão Social; nova denúncia diz que ele obrigava voluntárias a vender máscaras

“Falso médico” de Balneário foi estagiário de marketing na secretaria de Inclusão Social; nova denúncia diz que ele obrigava voluntárias a vender máscaras

Rapaz que seria estudante de medicina cumpriu estágio de marketing entre maio e junho na secretaria de Inclusão Social

Denunciado como “falso médico” pelo vereador Nilson Probst (MDB) na câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, Jonathan Henrique da Rosa Reyes aparece como estagiário de marketing, lotado entre maio e junho no gabinete da secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, conforme dados do portal da Transparência. Nova denúncia também aponta que ele obrigava outras estagiárias e voluntárias da secretaria a vender máscaras de proteção. O dinheiro arrecadado com as vendas teve destino desconhecido.

A contratação como estagiário de marketing tem data de admissão em 21 de maio. Pelos dados, ele recebia uma bolsa de R$ 1.045. O registro conflita com as primeiras explicações dadas pela prefeitura, de que o rapaz trabalhou como voluntário nas ações contra a Covid-19 entre março e maio e que ele estaria cursando o primeiro ano de medicina na universidade Maria Serrana, no Paraguai, conforme documentação apresentada por ele à prefeitura.

Na foto de um cartaz que circulou hoje e teria sido fixado num mural público da secretaria de Inclusão Social, Jonathan aparece como Diretor Geral do núcleo de Saúde da pasta. A secretária Christina Barichelo disse desconhecer tal cartaz e que não existe na secretaria o tal cargo citado. Em nota na quarta-feira, a secretária negou que o rapaz tenha atuado na prescrição médica, informando que ele foi recrutado pra ajudar na distribuição de máscaras, ações de conscientização e atendimento num abrigo pra moradores de rua no bairro das Nações.

Após dois meses de voluntariado, Jonathan saiu do grupo de voluntários, segundo Christina informou hoje, mas depois pediu pra fazer estágio na secretaria, alegando que as aulas de medicina no Paraguai só retornariam no ano que vem e que tinha começado a fazer marketing. A secretária diz que ele foi contratado por um mês e atuou no serviço do cadastro único. “Mas ele não tinha o perfil para o trabalho, era muito agitado, e foi dispensado em 24 de junho”, explica.

Em um esclarecimento divulgado à imprensa na quarta-feira, Jonathan acusou o vereador Nilson de calúnia e que a denúncia de “falso médico” foi sensacionalista. Ele afirmou que é estudante de medicina há mais de um ano e que foi voluntário entre 22 de março e 22 de maio em Balneário porque as aulas da faculdade no Paraguai estão suspensas devido à pandemia. 

Jonathan relatou que se apresentou à prefeitura pra atuar no atendimento direto à população, trabalhando na montagem de abrigos pra casos suspeitos de covid-19. Depois, junto com outros voluntários, passou a fazer atendimentos, incluindo cadastro de pessoas, aferição de temperatura e triagem de pacientes.

“O chamamento de estudantes de medicina para servirem como voluntários não é uma particularidade da administração pública desta comarca, várias cidades e capitais do país assim o fizeram”, conta. Sobre ser chamado de “doutor” pelo prefeito Fabrício Oliveira em vídeo publicado nas redes, Jonathan relata que foi durante apresentação pelo prefeito da equipe de voluntários do abrigo e que a menção costuma ser comum a ele, “simplesmente por cursar a faculdade de medicina”.

Venda de máscaras

Além da denúncia de que o “doutor Jonathan”, como foi citado pelo prefeito, teria atuado como médico, ele também se apresentaria como tal pra outras estagiárias e voluntárias ligadas à secretaria de Inclusão Social. Uma estudante de enfermagem relata que, nas ações preventivas pelas ruas, ele colocava as estagiárias pra vender máscaras e que o material não poderia ser doado pra moradores de rua.

A nova denúncia aponta que a arrecadação seria dividida entre a Casa da Mulher e do Voluntariado, ONG Casa das Anas e pra ONG Renascer, da qual Jonathan seria dono e que, conforme perfil na internet, foi criada em 24 de março em Balneário Camboriú pra ajudar pessoas diante da pandemia de coronavírus. Haveria até meta de vendas e pressão “pra atacar todos” e forçar as pessoas a comprar as máscaras e não trocar pela doação de alimentos.

“Tenta fazer ela comprar. Se ela não comprar, faz ela dar o alimento. Primeiro passo é fazer comprar, depois o alimento”, diz mensagem atribuída à Jonathan, em conversa pelo WhatsApp divulgada ontem. A Casa das Anas, entidade que atende mulheres vítimas de violência, ainda não se manifestou.

A secretária Christina Barichelo esclareceu que a casa da Mulher e do Voluntariado não recebeu qualquer recurso da suposta venda e que as máscaras da secretaria são distribuídas gratuitamente à população. Ainda destacou que não recebeu denúncia por parte de outros voluntários ou estagiários contra Jonathan. “Se ele fez alguma coisa errada, eu não posso afirmar nada. Não tenho conhecimento. Só posso responder o que for concernente à minha secretaria”, afirmou.

Pelo WhatsApp, a ONG Renascer confirmou ao DIARINHO que a entidade pertence a Jonathan e Paula Beatriz Los, mas negou recebimento de recursos da vendas de máscaras da prefeitura.

“Os supostos estagiários que estão alegando que foram forçados a “vender máscaras” eram estagiários voluntários. Esses estagiários se desligaram da secretária de Inclusão Social na data do dia 27 de maio de 2020, data essa que iniciaram sua jornada de estágio voluntário com a ONG Renascer”, informa.

Na resposta, a entidade relata que vendia ou trocava as máscaras por alimentos e todo valor arrecadado era destinado para compra de mantimentos e gastos gerais da ONG. Na noite de hoje, a entidade promete postar um vídeo com todos os esclarecimentos sobre as acusações.

João Batista
Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, de Joinville (SC). E-mail: geral.diarinho@gmail.com
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