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Estação de esgoto tem tubo ligado diretamente no rio

Até o Instituto do Meio Ambiente baixou na cidade pra fiscalizar a denúncia

Apolícia Militar Ambiental e a prefeitura de Itapema descobriram ontem uma tubulação de descarte de esgoto in natura que vai da estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da empresa Conasa até o rio da Fita, que alimenta o rio Perequê. Ação ocorreu depois de denúncias de que a Conasa estaria jogando esgoto no rio e seria uma das responsáveis pela língua negra e fedorenta que o Perequê lança ao mar.
A empresa nega o descarte, mas ontem à tardinha impediu até mesmo que fiscais do instituto do Meio Ambiente (IMA, antiga Fatma) fizessem uma vistoria na estação. “Ainda esta noite vamos entrar com um mandado judicial para conseguir dar seguimento na fiscalização”, informou a prefeita Nilza Simas (PSD).
A operação da polícia e da prefeitura começou logo cedo. Seguindo pistas de uma denúncia, PMs, fiscais e peões da prefeitura encontraram uma tubulação ligada diretamente do tanque de esgoto in natura ao rio da fita. Quando abriram a tubulação, havia um líquido preto e fedorento. Os funcionários da Conasa, que estavam no momento da operação, não souberam explicar a existência do cano.
Mais tarde, advogados da Conasa apareceram e alegaram que se tratava de um sistema emergencial, que não era acionado, chamado de “by-pass”.

Impediram o trabalho da fiscalização

À tarde, representantes da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) e do IMA também estiveram no local. Teria sido constatado que a tubulação supostamente emergencial não tem nenhum controle.
À tarde, houve a suspeita da existência de mais um encanamento ligado da ETE ao rio da Fita. Mas os advogados da Conasa proibiram qualquer ação dos fiscais, até mesmo dos representantes do IMA e da Aresc, segundo a prefeitura.
Neste verão, o rio Perequê despejou muito esgoto no mar e passou a maior parte dos dias escuro e fedorento. Vistorias identificaram que o problema começava a partir da confluência com o rio da Fita.
Ontem à noite, depois que a Conasa impediu a continuação da fiscalização, a prefeita Nilza Simas fez um apelo: “Convoco toda a população para que esteja ao nosso lado. Não estamos acusando ninguém, só estamos em busca de uma solução”, disse.

Conasa diz que nunca usou sistema de emergência
A Conasa emitiu uma nota de repúdio à operação da prefeitura e da PM Ambiental. “Sem qualquer conhecimento técnico, máquinas sob comando da prefeitura, escavaram o local sob alegação de denúncias de existência de dispositivo que liberaria o esgoto dos tanques da ETE para o corpo hídrico, sem tratamento”, reclamou.
A empresa admitiu a existência da tubulação, mas diz se tratar de um “by-pass”, que somente seria acionado em casos de emergência. “Como acidentes internos e calamidades públicas relacionadas ao meio ambiente”, argumentou.
E completou: “Em Itapema, o dispositivo nunca foi utilizado e só seria acionado em casos extremos, contrariando qualquer tipo de denúncia que tenha motivado a ação”.
Sobre o impedimento da atuação da fiscalização, a empresa não se manifestou.
Segundo um técnico da área de saneamento ouvido pelo DIARINHO, que pediu para não ser identificado, o by-pass até é permitido, mas seu descarte ou deve ser feito em uma lagoa especial ou retirado através de caminhões hidrojatos, os populares limpa-fossa.

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