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Empresários analisam a suspensão de atividades

DIARINHO ouve empresários catarinenses sobre o momento de confinamento social e de paralisação de setores não essenciais

A pandemia do coronavírus é um caso de saúde pública mundial que exigiu as drásticas porém necessárias medidas de confinamento social e de suspensão de todas as atividades que não sejam essenciais em Santa Catarina. Os efeitos da paralisação sobre os motores da economia já são sentidos, tanto por patrões em alerta pelo prejuízo como por empregados como medo de ficar sem trabalho.
Para falar sobre esse momento inédito, o DIARINHO ouviu a opinião de empresários da construção civil, do setor de varejo automobilístico, de turismo e entretenimento, da educação e da indústria para saber quais são as estratégicas para manterem os negócios de pé e, consequentemente, a geração de empregos e de impostos.
Jairo Romeu Ferracioli, professor de Análise Econômica da Univali, adianta que de um modo ou de outro, o tempo de isolamento vai impactar na economia brasileira. “Para cada semana parada são 100 mil empregos que se vão em todo o Brasil. E já estamos com uma grande população desempregada”, pondera.

Economia informal sofre
Jairo lembra que quem mais sofre com essa paralisação é a economia informal. “Sem amparo legal, esses trabalhadores estão à mercê da sorte. Eles têm que se reinventar como negócio. O Estado deveria de alguma maneira tentar proteger este pessoal”, opina.
Depois dos informais, o comércio e os serviços são os setores que mais sofrem os impactos imediatos da paralisação.
Já para as empresas, é o porte que define quanto tempo o empresário conseguirá ter fôlego sob o efeito da pandemia na área econômica. “As grandes empresas conseguem segurar o emprego e a atividade mais tempo. Programam férias e trabalham com banco de horas. As indústrias em geral estão trabalhando com 50% de sua capacidade”, explica.

Apoio do governo
As pequenas e médias empresas têm um tempo menor de sobrevivência.“As grandes conseguem segurar o problema por dois, três meses, mas antes disso e dependendo da perspectiva de retorno da atividade normal, elas começam a demitir em massa”, alerta.
O professor enxerga como uma saída para as pequenas e médias empresas a redução de pessoal e de produção. Fazendo isso conseguiriam manter a empresa funcionando por cerca de dois meses, estima o professor. “As micros e médias são as que sofrem de imediato. Trabalham com capital de giro e correm o risco de antes da volta à normalidade, já terem fechado”, adverte.
Para o professor, a mão forte e generosa do Estado é importante nesse momento. “Além de ajudar os autônomos, também precisa pensar em linhas de créditos para socorrer as pequenas e médias empresas.
Os empréstimos só resolvem se houver uma carência para dar tempo dos caixas das empresas se recuperarem. O crédito facilitado também deve chegar aos pequenos prestadores de serviço e ao comércio”, aconselha o professor.

Alcino Pasqualotto, 33 anos, Construtora Pasqualotto

“A nossa empresa, durante os 15 dias do decreto, não estará em funcionamento, porque nós não temos uma atividade essencial. É muito importante que durante o período de disseminação do vírus na nossa sociedade, que os nossos colaboradores, nossas famílias estejam protegidos e não estejam vulneráveis a se contaminar e dependerem de um sistema único de saúde, que pode estar superlotado e não atender a demanda. Não tendo equipamento, não tendo capacidade, a saúde pública pode entrar num quadro de grande risco […] Mas eu também entendo que os demais setores da sociedade, principalmente os essenciais, os autônomos e as pessoas que têm essa necessidade, essa carência de trabalho, estejam vivendo um período muito complicado em suas casas. E, infelizmente, em meio a falta de cuidados que nós tivemos com relação ao vírus, não só no Brasil, mas no mundo, nós vamos ter que trabalhar antes desse período ideal. A nossa economia depende, as pessoas dependem do trabalho para sustentar suas casas. Já as empresas que podem parar, que não são essenciais, devem respeitar esse período, pelo menos até os dias 2, 3 de abril, e ficar em resguardo”.

Cláudio Werner, 61 anos, Promenac/Camvel

“Aqui no estado de Santa Catarina as medidas foram corretas, porém esse novo decreto [do governo do estado] foi muito duro. Eu acho que nós deveríamos afrouxar um pouco. Pessoas com menos de 60 anos e que não tivessem comorbidades deveriam voltar pra atividade econômica. E daí proteger aqueles que são o grupo de risco, que são acima de 60 anos e pessoas com comorbidades. Porque a parte econômica também é importante. O pós-crise, o pós-pandemia vai ser uma coisa pavorosa. Tem empresas que não conseguem se manter uma semana, 20 dias, e aí como será com as pessoas perdendo empregos? […] Essa histeria tem que acabar. Eu estou com o presidente da República. A coisa está extremamente exagerada. Temos que mudar isso. Óbvio que tem que se tomar cuidado, ninguém quer perder nenhuma vida, mas se não tomarmos atitudes mais corretas, vamos acabar tendo um problema ainda maior.”

Mohamad Hussein Abou Wadi, 42 anos, UniAvan
“É difícil mensurar a dose do remédio. O câncer, quando se trata do câncer, às vezes, a gente exagera na dose e acaba matando o paciente. Mesmo sabendo que vai matar a doença. Não pode acontecer isso em Santa Catarina, não pode acontecer no Brasil. Porque o desemprego e a pobreza também geram muita letalidade. O que diferencia os países norte-americanos dos países africanos é justamente a riqueza e a pobreza, que também mata muita gente, como a falta de medicamento, a falta de tratamento. Nós temos muita gente que necessita de um medicamento de hipertensão e custa, muitas vezes, R$ 200, R$ 300, dependendo do medicamento. Como essas pessoas vão comprar os medicamentos? Como vão comprar o leite das crianças? Se não tem emprego, se não tem renda?! Então é importante mensurar a dose. É possível fazer uma política onde os idosos fiquem em casa, e a faixa etária mais nova, mais produtiva, possa ir voltando a trabalhar com alguns protocolos rigorosos de desinfecção e de biossegurança.”

Júlio Tedesco, 72 anos, grupo Tedesco

“Eu acho que o coronavírus realmente é muito grave e o governo está certo em tomar medidas para contenção dessa epidemia. Porém, nós temos que prestar muita atenção na crise econômica que pode gerar. Então um recolhimento total de toda a população por sete dias ou 10 dias, eu acho que é uma medida razoável. Agora o fechamento de tudo, restaurantes, hotéis, shoppings, toda a parte de lazer, indústrias só com 50% dos funcionários, isso eu acho que tem que ter um cuidado para que não gere um problema muito maior. Porque esse vírus, com certeza, vai ser controlado, como muitos outros já foram. Já a economia, se ela entrar em uma depressão, vai ser muito pior. Porque todo esse grupo de pequenos empresários e pequenos comerciantes, profissionais liberais, inclusive aqueles que têm atividades que não são registradas, vai ter sérios problemas financeiros. É preciso cuidado.”

Dário Vitali, 57 anos, Vitalmar Pescados

“Este advento terrível deixa o mundo prostrado. Nós somos uma empresa de alimentos e como tal estamos com nossa atividade sob cuidados, mas continuada. O que fizemos aqui como empresa? Tomamos os cuidados necessários, afastamos pessoas que compõem o grupo de risco, monitoramos diariamente caso a caso, fazemos uma aferição diária da temperatura de cada colaborador e tudo que é necessário como medida pra amenizar qualquer tipo de problema. E dessa maneira acreditamos que nós conseguiremos superar esse momento difícil.
Sobre as questões econômicas, o que sabemos de antemão é que haverá consequência, com certeza graves. Isso tudo precisa ser muito bem alinhado. Há uma preocupação muito grande nos diversos setores, dentre os quais o nosso, com relação a continuidade das atividades e a manutenção dos empregos”.

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