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Dezenas de bateristas juntos na Beira Rio

Segunda edição do maior encontro de bateristas de Santa Catarina aconteceu ontem, em Itajaí

Sandro Silva

geral@diarinho.com.br

Gente de todas as idades. O mais novinho, de três anos. O mais velho, 66. Mulheres, homens, uma garota deficiente visual. Roqueiros, sambistas e gente que curte todos os gêneros musicais. O Batucaçu, maior evento de bateriais de Santa Catarina e que aconteceu ontem à tarde, na Beira Rio, em Itajaí, mostrou que não tem preconceitos. O que conta é gostar – e muito – de bateria.
A avenida Victor Konder, a Beira Rio, foi fechada para receber os cerca de 100 bateristas que participaram desta segunda edição do Batucaçu. “É uma integração entre os músicos, uma interação entre pais e filhos. E tem a ocupação de espaços públicos, além de ser um fomento ao estudo da música e da bateria”, diz o baterista e um dos organizadores do evento Mário Bandeira, 39 anos, numa tentativa de conceituar o evento.
O baterista Denis Ramos, 50, também organizador do Batucaçu, ressaltou o empenho dos músicos em participar do evento. “É impressionante ver o interesse dos bateristas, de crianças ao pessoal de idade mais avançada”, comentou, contente em ver o dobro de inscrições, se comparado com o encontro do ano passado.
Cada um dos músicos trouxe sua própria bateria. Todos participaram das 13 músicas tocadas no palco por outros cinco bateristas.
O pequeno Bernardo Gomes, oito anos, estava entre os bateristas que integraram a segunda edição do Batucaçu. Foi um dos primeiros a sentar e a brincar com as baquetas, bumbos, caixas, pratos e chimbau. “Desde os oito meses de idade ele gosta disso”, afirma a mãe, Nilziane Gomes, 29, toda orgulhosa do pequeno. Bernardo não queria saber de falar, o negócio dele era tocar. E tocou, na primeira fila de bateristas, da primeira à última música.
E não pense que bateria é coisa da gurizada nova. O músico aposentado Silton Luiz de Amorim, 66, chegou duas horas antes do evento começar e já montou sua bateria. Caixinha de isopor ao lado do instrumento, com água para se hidratar entre uma música e outra, e participou ativamente de todas as peças tocadas. “Tenho mais de 50 anos de bateria e o coração já tá assim, pulando”, comentou.

Garota cega estava entre os músicos
A jovem Mariana Alves Cândido, tava lá, na primeira fila. Cega, a adolescente de 13 anos veio com a mãe, mas foi incentivada pelo professor Thiago Lenardo da Silva, 29, de quem recebe aulas de bateria na banda Filarmônica de Itajaí. “Como eu não sei ler ainda partitura, vou tocar de ouvido”, disse Mariana, animada.
Mariana está nas aulas de bateria há cerca de um ano. Mas antes já frequentava as aulas de percussão, ressalta. Mesmo com a nova paixão, que é a bateria, ela continua namorando a percursão e ainda tendo aulas.
Thiago conta que toca bateria desde os nove anos. Hoje é músico integrante da Filarmônica de Itajaí. Também dá aulas de bateria pra mais de 40 jovens músicos. Entre eles, Mariana.
Ontem, Thiago estava algumas filas atrás da aluna.“A Mariana é bem dedicada, estuda bastante e sua audição é bem apurada”, elogia professor.

Quem foi à Beira Rio, gostou do que viu e ouviu
O público também gostou. O empresário e corretor de imóveis Fábio Renato Pereira, o Maga, 49 anos, tava lá com a filha, entre a multidão que foi curtir o Batucaçu. “Toco um violãozinho e gosto muito de rock. Ela também. A gente não podia perder, né!?”, soltou.
Gracieri Donato, a Graci, 23, de Balneário Camboriú, também gostou do que viu e ouviu. “Tudo muito legal. Vou voltar ano que vem e, se der, ali no meio”, diz a garota, indicando o trecho da avenida Beira Rio onde os bateristas arrepiavam nas batidas. Graci, que veio de BC só pra assistir o Batucaçu, conta que também é baterista.
Para Rodrigo Gudin Paiva, coordenador do curso de Música da Univali, um dos grandes lances do Batucaçu é mesmo a interação com a plateia. “O público gosta muito de assistir”, afirma, ressaltando a participação das famílias.
No comando de uma das cinco baterias sobre o palco dos maestros, Rodrigo avalia ainda o Batucaçu como evento que movimenta o cenário musicial da região. “É fantástica a confraternização. Vem todo mundo tocar e se divertir”, elogia.
Qualquer baterista poderia ter participado do Batucaçu. As inscrições foram gratuitas e ficaram abertas pela internet até alguns dias antes do evento, que faz parte das atividades de aniversário de Itajaí. Quem participou ainda ganhou na boa uma camiseta do Batucaçu.
O evento também integra as ações do movimento nacional Bateras 100% Brasil, que também organiza encontros similares ao do Batucaçu.
No próximo dia 23, o movimento irá reunir um grupo de bateristas para também tocar em conjunto na praça Almirante Tamandaré, em Balneário Camboriú.

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