Home Notícias Geral Derrubada chaminé da Fábrica de Papel

Derrubada chaminé da Fábrica de Papel

Prefeitura não deu bola e símbolo da cidade foi pro chão

Estrutura tinha mais de 100 anos. Nino da Femepe é o dono do terreno

A chaminé da antiga fábrica de papel Itajahy, na rua Curt Hering, na Barra do Rio, em Itajaí, que era o que restava da construção centenária, foi ao chão esta semana. Da torre de cerca de 30 metros, resta agora a base.
A demolição do prédio começou em 2014, mas foi interrompida após uma investigação do Ministério Público. O dono, o empresário Orlando Ferreira, o Nino da Femepe, conseguiu um acordo com a Justiça este ano. As construções foram derrubadas em abril, sobrando apenas a chaminé como lembrança. A ideia era que a estrutura fosse mantida como um memorial, mas nem isso aconteceu.

Descaso
A derrubada da chaminé pode resultar em novos desdobramentos na justiça, em ação civil pública do ministério Público que corre desde junho.
O processo buscava o reconhecimento histórico do imóvel, que estava em processo de tombamento pela Fundação Cultural e foi pedida uma indenização ao proprietário pela derrubada do prédio.
A promotoria pedia que o dono fosse proibido de mexer no imóvel, restringindo novas construções no local. A justiça negou a liminar e a defesa fez as contestações.
Segundo a assessoria da 10ª promotoria de Justiça, o caso aguarda sentença e deve ter a primeira audiência marcada em breve.
Na ação, a justiça responsabiliza o município por não ter dado continuidade ao processo de tombamento do imóvel. O processo foi iniciado por duas vezes, em 2005 e em 2007, mas não foi aceito pelos sucessivos proprietários.
Em 2008, o instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) recomendou o tombamento, mas a coisa não andou. Em 2014, a prefa tentou comprar o imóvel, mas o valor estimado de R$ 30 milhões ficaria pesado. No mesmo ano, o atual dono começou a demolição.
O empresário Nino não teria autorização pro serviço mas, mesmo assim, a justiça entendeu que não poderia impedir o proprietário de usar o bem, sob risco de ser considerado um confisco indevido.
O superintendente da fundação Cultural de Itajaí, Normélio Weber, reconhece que houve um “relaxo total” no processo de tombamento à época. Mas não acredita que o município seja condenado porque a responsabilidade seria do dono. Normélio lembrou que, pela última decisão judicial, nenhuma construção pode ser feita sem autorização da prefeitura.

Local serviu para abrigar imigrantes alemães
A fábrica foi uma das mais importantes indústrias do século passado em Itajaí, sendo a primeira especializada na produção de papel na região sul.
A história do imóvel remonta à metade do século 19, antes de abrigar a fábrica, quando o local foi usado por Hermann Blumenau pra abrigar imigrantes alemães que vinham de navio pra região.
O alemão Gotlieb Reif comprou a área e, em 1913, ergueu o prédio que começou como fábrica de charutos. Depois, mudou pro ramo de papel, produzindo guardanapos e papel-toalha. O negócio foi perdendo força a partir dos anos 1950.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com