Home Notícias Geral Depressão pós-parto atinge 25% das mulheres

Depressão pós-parto atinge 25% das mulheres

Em casos extremos, mulheres podem cometer suicídio e há até mesmo riscos para os bebês, explica especialista

Ana Paula ( à esquerda) costuma reunir mães para um bate-papo e troca de experiências sobre maternidade

Aestatística assusta. “25% das mães brasileiras sofrem depressão pós-parto”. É o que afirma a psicóloga Ana Paula Majcher, 31 anos, especialista na área chamada de maternagem, que atua no acompanhamento e orientação de gestantes e mães.
E não é apenas o grande número de mulheres que sofre de depressão pós-parto que preocupa, mas também o resultado da doença. “Geralmente acaba correndo risco de morte, de suicídio altíssimo”, diz Ana Paula.
Nos casos mais graves, observa, há inclusive risco para os próprios bebês, que podem até mesmo sofrer agressões. “E se for uma mãe que tem um transtorno de personalidade, bipolaridade, que já tenha diagnóstico prévio, o risco é muito maior”, observa ainda a psicóloga.
Fernanda Luciana da Silva, 39 anos, a moradora de Navegantes que ontem entrou no mar supostamente levando a filhinha de oito dias, sofria de transtorno bipolar, segundo os familiares (veja na página anterior matéria sobre a tragédia). Fernanda morreu e as autoridades ainda tentam encontrar o bebê.
O problema acontece, explica Ana Paula, porque logo depois do parto as mulheres sofrem uma queda vertiginosa de dois hormônios, o estrogênio e a progesterona. “É um problema fisiológico e que tem tratamento”, afirma.
No caso de mulheres que enfrentam sozinhas a gravidez, há ainda dois agravantes que podem ajudar a piorar um quadro de depressão pós-parto. Um deles é o preconceito ou a não compreensão da família. “Mas, mais do que isso, é o peso da responsabilidade em ter que dar conta de tudo sozinha, especialmente se esta mãe não tiver uma boa rede de apoio”, comenta a psicóloga.

Como ajudar
Além das estatísticas, o que também é grande é o descaso para com a doença. “Infelizmente não é levada a sério. As pessoas acham que é frescura da mulher, que não vai dar nada”, lamenta Ana Paula Majcher.
A família e quem tá no convívio diário com a mulher é que pode identificar os primeiros sintomas da doença. “É preciso ficar de olho, observar se ela está muito ‘pra baixo’, muito desanimada, muito irritada, sem vontade de ficar com a criança, se tem ou não vontade de amamentar”, diz a psicóloga, listando algumas das manifestações mais básicas da depressão pós-parto.
Se alguns desses sinais foram observados, a primeira coisa a fazer e entrar em contato com o médico obstetra que já acompanha a mulher ou que fez o pré-natal na época da gestação. “É esse médico que vai decidir se há a necessidade de encaminhar a mulher para uma psicoterapia ou para uma avaliação psiquiátrica”, explica a especialista.
Nesse meio tempo, alerta, é importante não deixar a mãe sozinha com a criança. “Além de precisar de ajuda há ainda o risco que ela pode apresentar para si e para a criança, nos casos mais graves”, reforça.
A boa notícia é que a depressão pós-parto pode sumir. “Geralmente os sintomas desaparecem durante o tratamento, com terapia e medicamentos. Afinal, é uma questão de hormônios descompensados”, afirma.
Ana Paula mantém no Instagram o perfil “gestandoeaprendendo”, onde dá dicas às mães e mostra experiências e iniciativas que ajudam a melhorar a vida tanto das mamães de primeira viagem quanto das mais experientes. Ela também promove grupos de debate sobre o tema, terapias grupais e palestras sobre maternagem.

Sandro Silva
Tem 31 anos de jornalismo, formado em pedagogia pela Udesc e com MBA em Gestão Editorial. geral@diarinho.com.br
Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com