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Conversa: prevenção ideal contra o suicídio

Programa da prefeitura de Balneário atendeu mais de 400 pessoas em apenas dois dias e tem evitado muitas tragédias

Enquanto o assunto suicídio, muitas vezes, é empurrado para debaixo do tapete, o número de pessoas que tiram a própria vida cresce silenciosamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), da ONU, o número de mortes autoprovocadas é significativamente maior que as causadas por homicídio: 800 mil por ano, contra 470 mil.
No Brasil, o índice ainda perde para homicídios e acidentes de trânsito, mas o número de casos vêm aumentando a cada ano. O suicídio tem crescido nas mais diferentes faixas etárias, há crianças, jovens, adultos e idosos. O motivo, na maioria das vezes, é o mesmo: a depressão.
De acordo com a OMS, entre os principais motivos que causam a depressão, estão: solidão, doenças mentais, doenças terminais, dependência química, bullying e conflito com a família.
Falar sobre o assunto e entender as causas que levam a ele, é a única arma que temos contra o suicídio. Por isso, atualmente, existem diversas formas de orientar essa desgraça que pode se abater sobre as famílias.
Em Balneário Camboriú, por exemplo, a prefeitura criou o “Abraço à Vida”, um programa de prevenção ao suicídio, lançado durante a programação do Setembro Amarelo de 2018. Lançado em 1º de setembro, o programa já realizou mais de 400 atendimentos em um mês de funcionamento.
Santa Catarina ocupa o segundo lugar no ranking nacional de suicídios de jovens. Balneário Camboriú é o segundo município com maior número de casos de jovens no estado.
Segundo a secretária da Inclusão Social e Pessoa Idosa, Christina Barichello, isso acontece porque a cidade tem uma grande concentração de estudantes que moram sozinhos, longe da família. “A solidão é uma das principais causas da depressão e do suicídio”, afirma.
A prefeitura criou o programa “Abraço à Vida” com intuito de diminuir os casos e ajudar as pessoas através de conversas e sessões com psicólogas.

Comerciante tentou se matar porque faliu
O comerciante M.V.N tem 37 anos e conheceu o programa “Abraço” no dia do lançamento. Ele já participou de diversas sessões e hoje garante que está um passo de vencer a depressão. M. diz que em breve pretende mostrar o rosto para que possa inspirar outras pessoas a dar a volta por cima. Além disso, foi convidado pelos membros do programa para ser voluntário.
Ele conta que a depressão chegou há alguns anos, quando sua empresa faliu. “Eu sempre trabalhei, então quando me deparei com essa situação, não sabia mais o que fazer e tentei me matar algumas vezes tomando medicamentos”, revela.
Segundo ele, no momento de uma recaída profunda, ele lembrou do programa e resolveu chamar no WhastApp às duas da manhã.“Desde esse dia da primeira conversa, comecei a frequentar as terapias duas vezes por semana. Eu sofro com crises de ansiedade e o programa me ajuda a controlar isso. Eu sou muito grato por tudo”, afirma.

Um papo que pode salvar uma vida

“Enxergue através da máscara, viver é sempre a melhor opção. Uma conversa pode salvar uma vida”. Eeste é o lema do programa “Abraço à Vida”. De acordo com Christina Barrichello, entre os atendimentos feitos no programa, grande parte dos casos são de adolescentes. “A adolescência mexe muito com os hormônios, portanto, os casos que atendemos dos jovens, geralmente são mais intensos, pois muitos costumam se mutilar durante a depressão”, conta.
A pedagoga e coordenadora do programa, Ivanir Maciel, diz que a falta de diálogo com os pais é algo frequente. “Já conversei com jovens que os pais nem sabiam do problema. E, muitas vezes, eles só precisam de atenção”, alerta. Segundo ela, muitos jovens eles acabam se aproximando mais de pessoas estranhas, que conhecem pela internet, e ficam cada vez mais distantes da família.
Outra situação recorrente, de acordo com a psicóloga, é quando algum membro da equipe vai fazer uma visita domiciliar a algum adolescente e percebe que toda família precisa de ajuda. “Já aconteceu de ir atender a filha e precisei prestar atendimento aos irmãos e pais também”, relata.
Além dos jovens, homens adultos, de 30 a 40 anos, também têm sido muito atendidos pelo programa. De acordo com a secretária, o homem geralmente é mais difícil de se abrir.
Segundo ela, um dos principais motivos que os levam ao programa é a separação. “O Abraço é uma válvula de escape para desabafarem. Se separar da esposa ou marido, às vezes, pode ser mais difícil que o próprio luto”, garante.

Como participar também
O programa “Abraço à Vida” funciona 24 horas por dia em BC, e pode ser acessado pelo número (47) 99982-2322, que é também WhatsApp.
O programa conta com atendimento presencial no Espaço Família, que fica na rua Itália, 1059, Nações, das 13h às 19h, ou no Programa de Acolhimento e Inclusão Social (PAIS), na rua Bom Retiro, 1251, bairro dos Municípios, das 8h às 12h e das 13h às 18h.
O “Abraço à Vida” tem 12 profissionais voluntários e os grupos focais, que são pessoas que já passaram pela depressão e hoje ajudam outras a enfrentar o problema. São 11 psicólogos e uma pedagoga. O paciente frequenta cerca de 12 sessões psicoterápicas e consultas ambulatoriais uma vez na semana.
A pessoa que estiver interessada, deve morar em Balneário Camboriú, pois é um projeto municipal, e pode conversar apenas pelo WhatsApp com as profissionais, se preferir.
O projeto contou histórias reais, de pessoas que, de fato, viveram a dor da depressão mas conseguiram dar a volta por cima. É uma maneira de mostrar para quem está sofrendo com os mesmos problemas que há sempre uma luz no fim do túnel.

Suicídios evitados
A polícia Militar de Navegantes conseguiu evitar ontem à tarde que S.C., moradora da rua Nicolau kleis, no centro, cometesse suicídio. A moça ameaçava se jogar do quinto andar do prédio onde mora com os pais.
Quando os PMs chegaram, S. estava com metade do corpo para fora da janela. Os PMs a seguraram e conversaram muito. Ela foi levada ao hospital de Navegantes.
Em Balneário Camboriú, no sábado, profissionais do programa “Abraço à Vida” evitaram que um comerciante de 24 anos tirasse a própria vida. Foi uma funcionária da prefeitura quem chamou os profissionais do programa, que conversaram com o jovem e o fizeram mudar de ideia.

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