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Casos disparam em Itajaí

Número de casos foi quase três vezes maior em Itajaí do que o registrado em Balneário Camboriú

número de casos de covid-19 aumentou quase três vezes em Itajaí nas últimas duas semanas em comparação com os casos registrados em Balneário Camboriú no mesmo período. Foram 749 novos infectados em Itajaí contra 260 em Balneário entre os dias 6 e 20 de setembro. Os dados são do boletim da coordenadoria regional de Defesa Civil, que monitora a situação da pandemia na região da Amfri. A prefeitura de Itajaí apura divergências nos registros de infectados.

Itajaí contava até domingo com 6666 casos de coronavírus. Eram 5917 ao final da primeira semana do mês, o que significa um aumento de mais de 12%. Em Balneário Camboriú, os casos passaram de 6097 pra 6357 nas duas últimas semanas. No mesmo período, Balneário registrou uma morte a mais que Itajaí, com nove óbitos. Apesar da redução, Itajaí segue como a segunda cidade do estado com maior número de mortes, atrás apenas de Joinville.

De acordo com o professor da Univali Raphael Nunes Bueno, especialista em Saúde Pública, a diferença de contágio entre as duas cidades pode estar ligada à demografia, considerando que Itajaí tem mais que o dobro da população de Balneário. “Isso talvez possa justificar mais casos que Balneário pela questão do número da população”, comenta, ressaltando que o serviço de testagem e a origem das notificações também precisaria ser verificada.

Independentemente dos motivos pra variação, Raphael destaca que a pandemia não está controlada, sendo necessário ainda manter as medidas preventivas. “O que nós estamos presenciando é que tem uma pressão social e uma pressão econômica pra que as atividades voltem ao normal”, analisa.

Do ponto de vista da epidemiologia e da saúde pública, o especialista aponta que é preciso controlar algumas atividades hoje restritas ou suspensas. Por outro lado, diz, há um entendimento coletivo sobre a pandemia que demandaria uma discussão maior pra definir novas liberações.

“As pessoas estão entendendo que muitas já se contaminaram, que a economia não pode parar e que as atividades têm que voltar ao normal. Aí estamos nessa pressão social”, completa.

Balneário Camboriú com menor taxa de crescimento

Balneário teve crescimento de apenas 2% no número de casos

Boletim da UFSC divulgado ontem, analisando a semana da pandemia entre os dias 10 e 17 de setembro, mostra que a covid-19 está em desaceleração em Santa Catarina, embora com diferenças em cada região. O monitoramento chama a atenção para Balneário Camboriú, com taxa de crescimento de 2% nos casos, a menor entre as 10 cidades com mais infectados no estado. Itajaí, Brusque e Florianópolis ficaram entre 4% e 5,5%.

De acordo com a secretária de Saúde de Balneário, Leila Crócomo, a procura por exames ou pacientes com sintomas vêm diminuindo, mas o município segue em alerta, pedindo que as pessoas usem máscaras e façam a higiene das mãos. A prefeitura mantém a testagem normalmente, com mais de 13 mil testes já feitos através da rede pública. Segundo a secretária, a expectativa é que os casos possam cair ainda mais.

“Estávamos bastante apreensivos nestes últimos 15 dias após o feriadão, pois poderia aumentar o número de pessoas contaminadas com a grande circulação de turistas em nossa cidade, mas não aumentou”, relatou, acreditando que as ações de fiscalização e orientação tenham surtido efeito.

Para Leila, o aumento do número de novos casos em Itajaí seria porque a cidade está fazendo maior número de testes rápidos.

Itajaí investiga divergência

De acordo com a vigilância Epidemiológica de Itajaí há uma diferença entre os casos confirmados pelo estado e os contados pelo município. Até domingo, o estado mostrava Itajaí com 696 infectados a mais.

“Após investigação, os casos são acrescidos na conta do município ou descartados. Essa diferença ocorre porque o banco de dados é de livre digitação nacional, ou seja, pode ocorrer digitação incorreta ou mesmo casos duplicados”, explicou a prefeitura em nota.

Pela apuração, a diferença de casos é de exames não realizados pelo município, mas de laboratórios privados, de outras cidades e estados. A vigilância ressaltou que a maior parte dos exames, após serem investigados e confirmados, já entra como casos curados em virtude da data realizada de cada teste.

Até domingo, mais de 52 mil testes foram feitos na cidade, incluindo exames da rede privada. “Na medida do possível, a vigilância de Itajaí tem trabalhado para manter o seu banco de dados atualizado em tempo real”, informa a prefeitura.

“Trégua” até o Natal

O epidemiologista Oscar Bruna-Romero, coordenador dos cursos de Ciências Biológicas da UFSC, vê uma “verdadeira trégua” na pandemia, que se estenderia até o Natal. “Teremos uns meses nos quais o ritmo de contágio será menor, tanto menor quanto mais sejamos capazes de entender que depende de nós e do cumprimento das normas de biossegurança”, comenta.

Oscar destaca que se a população se descuidar da prevenção com as festas de fim de ano e as férias em janeiro, há risco de uma segunda onda no Brasil entre fevereiro e março, com nova alta de casos e num momento ainda sem vacina disponível. Ele lembra que os casos aumentaram na Europa por desrespeito às regras nas férias de verão e não devem baixar com a chegada do outono/inverno por lá.

“Que a segunda onda nos pegue com mais ou menos força dependerá exclusivamente de nós, e do quanto inteligentes sejamos para perceber que isto ainda não acabou, e que ainda pode piorar de novo se não tivermos cuidado”, alerta.

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