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BR lotada atrasa chegada dos refugiados em Balneário

Previsão de chegada era no final da noite de ontem. Comboio ficou preso na 101, perto de Barra Velha

Ocomboio de cinco ônibus com 230 venezuelanos, que integram 53 famílias, ficou preso no trânsito e tinha previsão de chegada no fim da noite de sexta-feira em Balneário Camboriú, onde os refugiados seriam recebidos na sede da igreja Embaixada do Reino de Deus, na rua 1950, centro da cidade. Com o feriadão, a BR 101 registrou engarrafamentos e os ônibus acabaram ficando trancados em Barra Velha. A previsão inicial de chegada era para 18h.
O grupo de imigrantes deixou Boa Vista, capital de Roraima, por volta das 8h da manhã, quando embarcouem um Boeing 767 da força Aérea Brasileira (FAB). O voo seguiu rumo a Curitiba (PR), de onde as famílias venezuelanas viajaram de ônibus pra Santa Catarina.
É a igreja de Balneário que tá organizando a ajuda humanitária. Soldados do Exército e representantes do governo Federal, como dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, integraram a comitiva. Mais de 15 toneladas de alimentos e roupas foram arrecadadas, além de itens de higiene, ajuda de custo e aluguel de moradias que vão atender os refugiados.
A maior parte do grupo, 40 famílias, fica em Balneário, enquanto os demais irão morar em Itajaí, Itapema, Camboriú e Florianópolis.
Os imigrantes foram recebidos com uma galinhada preparada por voluntários da igreja, onde uma estrutura foi montada para o jantar. Do local, eles seriam levados para as casas onde vão ficar. O aluguel está bancado por três meses.
Empresários e voluntários também conseguiram trabalho para um representante de cada família em empresas e comércios da região. Cada família será acompanhada por uma pessoa chamada de “anjo” pela igreja.

O perfil
As famílias são formadas, na maior parte, por casais que tem de um a quatro filhos. São cerca de 100 crianças até 12 anos no grupo.
Entre os adultos, metade tem curso superior, com profissões como engenheiro, professor e confeiteiro. Os imigrantes, que aceitaram voluntariamente a ajuda, foram vacinados, passaram por exames de saúde e tiveram a situação regularizada no Brasil, com emissão de CPF e carteira de Trabalho.
Entre eles, há quem estava no Brasil, em Roraima, há mais de um ano esperando ser transferido pra ter uma melhor condição no país, conforme explica o pastor Michael Aboud. “Não tem ninguém que esteja esperando há menos de três meses”, informa.

Ajuda aos vizinhos
O projeto de ajuda humanitária, batizado de Somos Todos Hermanos, pretende atender 500 refugiados da Venezuela que estão em Roraima. Em novembro, uma nova leva de imigrantes chega a Balneário.
O pastor Michael destacou que a igreja já promove esse tipo de assistência social, como a distribuição de alimentos e roupas, para os brasileiros necessitados. Ele observou que críticas ao projeto de ajuda aos venezuelanos refletem a falta de entendimento de muitos. “Como podem criticar uma ajuda aos nossos irmãos? O Evangelho não é palavra, é atitude”, diz o pastor.
O prefeito Fabrício Oliveira (PSB), que é membro da igreja, destaca que a iniciativa é totalmente custeada pela instituição e por voluntários. “Esse é um problema do Brasil. As pessoas estavam no Brasil já. Portanto, para algum lugar iriam. E essa acolhida não é simplesmente um convite pra que elas estejam aqui […], são pessoas que estão vindo com residência certa e, inclusive, com emprego certo, com toda a assistência necessária”, frisa.

Chegada faz parte do programa de interiorização dos refugiados

A chegada dos venezuelanos a Santa Catarina faz parte da 12ª etapa do processo de interiorização dos imigrantes que estão em Roraima. A transferência das famílias para outras regiões do país se intensificaram no mês passado, quando mais de 1100 pessoas saíram em 10 voos organizados pelo governo Federal, após conflitos entre imigrantes e brasileiros na região de fronteira na cidade de Pacaraima.
Antes do episódio, nos primeiros cinco meses do processo de interiorização, oitos voos tinham sido feitos, atendendo 1200 venezuelanos. Os abrigos montados pelo governo no Norte estão lotados. Até agora, o governo fez 20 voos, distribuindo 2672 pessoas pra outros estados. Mesmo com as transferências, há ainda muitos imigrantes vivendo em barracas ou na rua.
Neste mês, 354 imigrantes deixaram Roraima, sendo que 124 foram pro Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, na semana passada, e os 230 que chegaram agora a Balneário. Mais voos tão previstos ao longo do mês pra outras regiões.
A iniciativa de interiorização dos imigrantes tem o apoio das agências da ONU para Refugiados (Acnur) e para as Migrações (OIM), além do fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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