Home Notícias Geral Associação médica homeopática e CRM alertam que homeopatia não tem eficácia comprovada no combate ao coronavírus

Associação médica homeopática e CRM alertam que homeopatia não tem eficácia comprovada no combate ao coronavírus

O município de Itajaí anunciou a homeopatia como uma aliada para fortalecer a imunidade das pessoas contra o coronavírus, mas o uso da medicação foi cancelado após uma advertência do Ministério Público estadual. A Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), entidade ofici-al que representa os médicos Homeopatas no Brasil, diz que não existem medicamentos home-opáticos com comprovação científica comprovada na prevenção ou tratamento do coronavírus. O conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM) também desconhece qualquer estudo científico que comprove a eficácia da medicação a base de cânfora.
A força-tarefa anunciada pela prefeitura de Itajaí para aplicação do medicamento homeopático estava prevista para domingo. Cada morador que tivesse interesse receberia cinco gotas do me-dicamento em casa. Oficialmente, a prefeitura explicou que o medicamento seria distribuído em copinhos plásticos, e não de “boca em boca” como explicou o prefeito Volnei Morastoni em um vídeo divulgado na internet.
Pra explicar a força-tarefa, a prefeitura informou que o composto já foi usado em outros países, como a Índia, como uma forma de prevenção e fortalecimento da imunidade da população. A distribuição do composto se somaria às demais ações de enfrentamento à pandemia.
Diante da advertência do MP, o prefeito voltou atrás e anunciou o cancelamento da ação, pela internet, quase no início da madrugada de sábado. O prefeito Volnei também avisou que não desistiu da ideia “que pode beneficiar todo o povo catarinense”. O prefeito disse em vídeo que pretende se reunir com gestores estaduais de Saúde para adequar medidas para que a medica-ção possa ser usada em todas as cidades catarinenses.
Neste domingo, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que será avaliada a melhor forma de disponibilizar o medicamento à população. Não se sabe se ação poderá ser feita ainda durante as ações de combate à pandemia ou se terá que esperar um outro momento.

Sem comprovação científica
A associação Médica Homeopática Brasileira reforçou que não existem medicamentos homeopá-ticos comprovadamente eficazes pra prevenção ou tratamento do coronavírus. “Visando alertar à população, entidades de saúde pública, órgãos de comunicação e outros, repudia veemente-mente mensagens precipitadas e de fonte incerta que tem sido veiculadas na mídia, em especial nas redes sociais, indicando medicamentos homeopáticos para aplicação no surto desta enfer-midade”, informou a nota. A AMHB se diz alinhada com as orientações da associação Médica Brasileira (AMB), ministério da Saúde e sociedade Brasileira de Infectologia.
A ação do prefeito Volnei, que também é médico pediatra e especialista em homeopatia, pode ser denunciada ao conselho Regional de Medicina (CRM) de Santa Catarina. Daniel Knabben Ortellado, vice-presidente do conselho Regional de Medicina (CRM), disse que não tem conhe-cimento se no final de semana foi feita alguma denúncia formal contra Volnei. Ele também expli-ca que esse tipo de informação é sigilosa.
Se for denunciado, uma sindicância vai apurar se há indícios de infração na conduta médica. Se houver infração, o conselho abre um processo ético disciplinar que prevê cinco sanções. “O caso seria analisado por um corpo de conselheiros e as penas poderiam ser desde advertência confi-dencial até a mais grave, de cassação do exercício profissional”, informou Daniel.
As penas previstas na lei são: advertência confidencial, censura, censura pública, afastamento por 30 dias das atividades e cassação do CRM.
Na nota divulgada à imprensa, na sexta-feira, a prefeitura de Itajaí diz que a associação Catari-nense de Homeopatia e a fundação Homeopática Benoit Mure de Santa Catarina tiveram tratati-vas com o CRM-SC e a associação Médica de SC, e que ambos não teriam apresentado objeções ao uso do medicamento à base de cânfora.
O vice-presidente do CRM diz que o Conselho avalia a atitude do médico e não os tipos de trata-mentos médicos. “O CRM não chancela ou endossa nenhum tratamento que não sejam os ofici-ais preconizados pelas entidades científicas”, informou.
Sobre o composto de cânfora, Daniel reforça que não há comprovação da eficiência. “Apesar do CRM não ser o órgão que avalia o tratamento, pode adiantar que não existe nenhum trabalho científico bem feito que comprove a eficiência desse tratamento”, afirmou.
O vice-presidente informa que todas as informações aprovadas pelo Organização Mundial da Saúde OMS) e o ministério da Saúde estão no site do CRM de Santa Catarina, onde a população pode se informar.

Fran Marcon
Formada em Jornalismo pela Univali, com MBA em Gestão Editorial. fran@diarinho.com.br
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