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Agricultores do MST produzem álcool 70% em assentamento catarinense para doar a hospital

Agricultores forneceram equipamento e mão de obra para produção

Na última terça-feira, a cidade de Curitibanos teve problema de desabastecimento de álcool 70%. Para ajudar a suprir a necessidade, os agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) produziram o produto gratuitamente.
Em meio ao cenário de pandemia pelo coronavírus, o álcool 70% tem sido utilizado para higienização pessoal e limpeza de espaços coletivos como forma de conter a transmissão do vírus. No início da semana, Curitibanos tinha só álcool 46% nas prateleiras.
O químico Cristian Soldi, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) teve a ideia de transformar os produtos disponíveis em álcool 70% através da destilação. Ele contou com a ajuda dos agricultores do Assentamento 1º de Maio, que possuíam uma destilaria para a produção de cachaça artesanal – o maquinário era o adequado para a produção do álcool mais concentrado.
Soldi explica que a destilação é um processo de separação de substâncias líquidas com diferentes pontos de ebulição. A separação neste caso era da água e do álcool. “Tiramos a água que está na solução de 46% e aumentamos a concentração de álcool etílico”, explica.
Com 76 litros de álcool 46% foram produzidos 30 litros de álcool 70% – em uma hora. O álcool produzido foi destinado à higienização de superfícies e ambientes hospitalares.
O assentado Lulis Girotto diz que todos ficaram felizes em contribuir para esse momento difícil. O produtor disponibilizou a máquina e a mão de obra de forma voluntária. O álcool 46% foi fornecido pela prefeitura.
Girotto ressalta que o Brasil está entre os países com as maiores produções de álcool do mundo, a partir das plantações de cana-de-açúcar, e que não faz sentido algumas cidades terem a falta do produto durante a pandemia.“Se tivéssemos um governo preocupado com esse problema, fazia uma solicitação e a indústria, produzindo álcool durante meio dia, atende o Brasil. Nós, com um mini destilador, conseguimos solucionar o problema por alguns dias para postos de saúde de um município com mais de 50 mil habitantes”, aponta.
Por enquanto, 30 litros foram entregues à prefeitura. Mas, o produtor garante que se depender dele e da família não faltará álcool 70% em Curitibanos.
Soli conta que uma empresa já manifestou interesse para uma nova parceria com o assentamento, que está sendo afinada com a prefeitura. “Nos nossos cálculos, é possível produzir em torno de 200 litros por dia de álcool 70%, se tivermos o 46% disponível”, diz o químico

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