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Famílias se expõem em fila do CRAS à espera de ajuda pra comprar comida

A situação de pessoas registradas no Cadastro Único está cada vez mais difícil diante da pandemia do coronavírus. Em Itajaí, mesmo com a orientação da Organização Mundial da Saúde para evitar aglomerações como prevenção à doença, as famílias se arriscam entre filas e tumultos nos Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para conseguir um benefício que dá direito a R$ 150 de compras no supermercado.

Sem ter o que comer e ou dar aos filhos, mães, pais e crianças vêm se aglomerando em frente ao CRAS Promorar, no bairro Cidade Nova, em Itajaí, que só está funcionando das 13h às 17h. Revoltados com a situação e as horas de espera no sol, as pessoas mostram as cadeiras para enfrentar a longa espera e os papelões, travesseiros e cobertores utilizados na esperança de serem os primeiros da fila.

No portão da frente está um aviso informando “Horário de atendimento neste momento de pandemia, da 13h às 17h. Não há necessidade de chegar antes desse horário!!! Gratos”.
A secretária de Assistência Social de Itajaí, Neusa Giraldi, informou que existe o benefício e quem não for atendido no dia, basta voltar no dia seguinte, porque os assistentes sociais não dão conta de atender s todos, “Quem não for atendido hoje, amanhã vai ser atendido. O benefício nós temos, só falta dar conta de atender todas as famílias, porque só temos quatro CRAS em Itajaí”, disse. Mas acontece que o atendimento é por ordem de chegada, e quem está passando fome, se submete a virar a noite no local para não ter que ir embora sem conseguir o cartão social pra comprar comida.

É o caso de Taiara Silveira, que foi uma das pessoas que dormiu em frente ao CRAS nesta madrugada para conseguir o benefício. “Eu tô aqui porque a gente realmente precisa. E daí nos sujeitamos a dormir na rua, deitar em papelão, pra poder conseguir R$ 150 pra poder fazer mercado e ter o que dar de comer pra minha filha. Eu e meu marido estamos parados por causa do coronavírus, meu marido é vendedor e eu faço faxina, não tem faxina pra fazer. Não tem comida pra botar na mesa pra uma menina de um ano e meio”, desabafou.

A prefeitura de Itajaí informou que o horário foi reduzido diante das restrições de aglomeração de pessoas, mas essa medida está gerando mais fila ainda, porque os servidores não estão conseguindo atender todas as famílias que buscam o Centro e estão em situação mais vulnerável do que antes da pandemia, por falta de oportunidade para trabalhar.

“Por que eles não voltam a trabalhar no horário de atendimento integral? Quanta gente precisando e a temos que passar por essa humilhação, torrando debaixo do sol. A gente é diarista, pega uma bicicleta e vai trabalhar com gosto. Meu marido acabou de me perguntar o dar pras crianças comerem? Não tem comida! Se eles atendessem de manhã, não tinha mais tanta gente aqui”, questionou Andrine Rover, mãe de três filhas.

Bruna Andreia tem dois filhos e carregava um no colo. Nesta segunda-feira ela estava enfrentando a fila pela quarta vez, segurando a senha número 52. “Eu venho, sou mandada embora. Daí venho de novo, chega aqui e tem essa multidão, sou mandada embora de novo”, reclama. Bruna já conseguiu o benefício uma vez, há muito tempo.

As senhas foram distribuídas pelas próprias pessoas que estavam no local, como forma de organizar a fila e tentar o atendimento mais rápido. Perto do meio dia as senhas já tinham ultrapassado o número 80, e segundo as famílias, só cerca de 30 pessoas são atendidas por dia. Com esperança de serem chamados, homens e mulheres permaneceram na espera.

Andressa Gomes Donato, que também estava bem pra trás na fila, afirma que precisou deixar os três filhos com a vizinha para tentar o benefício. Ela conta que não pode nem dormir ali, como outras pessoas fizeram, porque não tem com quem deixar os filhos durante a noite.

As pessoas pedem que os funcionários públicos voltem ao horário de atendimento normal para poder atender mais pessoas. Roseli Massaneiro estava acompanhada da nora grávida, e conta que não tem mais nem gás dentro de casa. “Lógico que a gente tem medo do coronavírus. Mas precisamos levar comida. Todo mundo que tá aqui tá precisando muito!”, disse.

Benefício ajuda famílias carentes

A secretária explicou que o benefício já existe há muitos anos, não é benefício específico da pandemia do coronavírus, mas serve para matar a fome de famílias em situação de vulnerabilidade social. Ela concorda que a procura se intensificou diante dessa situação que o país vive e a necessidade das pessoas. Antes era cesta básica, mas em 2005 foi transformado em cartão vale-compras. “Para dar mais dignidade para a pessoa e aquilo que ela realmente precisa comprar”, disse.

Ela também explicou que esse benefício não é dado para todas as pessoas, e que elas são atendidas por um assistente social para identificar a necessidade real da pessoa. Ainda de acordo com a secretária, estão sendo montadas ações para melhorar a vida das famílias que estão enfrentando situações mais difíceis diante do coronavírus, e que logo devem ser colocadas em práticas, para reduzir a demanda do CRAS.

Quem tem direito?

A Secretaria de Assistência Social de Itajaí informou que tem em seus programas sociais os chamados “benefícios eventuais” e que diante de uma realidade de carência, têm direitos garantidos e são beneficiárias desses programas em Itajaí. Mas todos já definidos por análise socioeconômica anterior à pandemia.

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