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A trajetória do sol na Brava

O DIARINHO pediu ajuda para a arquiteta Carolina Rocha Carvalho, Mestre em Conforto Ambiental e Eficiência Energética, professora e pesquisadora na área de Conforto Ambiental da Univali, para tentar entender as consequências do aumento do número de pavimentos nas quadras próximas à praia.
E ela usou o Simulador da Trajetória Solar, que existe no Laboratório de Conforto Ambiental (LACA), do curso de Arquitetura e Urbanismo Univali, para demonstrar as sombras que são criadas dependendo da hora do dia e da posição do sol, ao longo do ano.

DIARINHO – Por que é importante a luz do sol?
Carolina – A presença do sol é importante para a qualidade dos espaços e da vida. A falta pode provocar ambientes úmidos e frios, resultando em problemas respiratórios além de depressão, problemas cardíacos, obesidade e diabetes. O excesso de sol pode resultar em superaquecimento dos espaços e necessidade do uso de condicionamento de ar aumentando o consumo de energia elétrica. Assim, nem a ausência de sol nem o excesso são satisfatórios. Se houver excesso, existem tecnologias que auxiliam na redução de sua influência, porém se houver falta não há como trazer a luz do sol para os ambientes.
O planejamento urbano influencia diretamente a disponibilidade de sol nos diversos espaços. Os idosos e crianças precisam ser expostos ao sol de forma controlada, porque têm mais dificuldade de controlar a temperatura corporal e ciclo biológico. Sendo assim, seria interessante poderem ter sol entre 9 e 10h da manhã e entre 16 e 17h da tarde.

DIARINHO – E qual é a situação da Praia Brava?
Carolina – A Brava possui uma disposição territorial interessante no que diz respeito à orientação. A praia está disposta no sentido norte-sul. Isso facilita a presença do sol na praia ao longo de toda a manhã em todos os dias e estações do ano, sem sofrer influência da verticalização das edificações. Entretanto, no período da manhã as edificações dispostas na beira-mar irão obstruir a luz que poderia chegar às edificações localizadas atrás, dependendo da altura e do afastamento entre os prédios.
Considerando as trajetórias solares, ângulos de incidência e os horários relevantes de sol e também levando em conta um recuo frontal de 4m + 1,50m de calçada + 5m de rua + 2,5m de ciclovia + 2m de calçada + 15m de restinga (aproximadamente 30m antes de começar a praia), para que no verão tenha sol na praia às 16hs a edificação da primeira quadra deverá ter, no máximo, oito pavimentos. Mais do que isso vai provocar sombra na praia antes das 16 horas. Uma edificação de 20 pavimentos, por exemplo, sombreia a praia a partir das 14h30.
Naturalmente a altura e o afastamento também influenciam no sombreamento entre edificações e entre estas e praças públicas.

DIARINHO – Que outros problemas isso pode causar?
Carolina – Edificações com acesso restrito às horas de sol apresentam vários problemas com relação à saúde, afetando tanto aspectos fisiológicos quanto psicológicos. E já que a sustentabilidade se tornou algo obrigatório no discurso e preocupação da população e governo, esse efeito de excesso de sombreamento dificulta o aproveitamento da energia solar tanto para sistemas de aquecimento solar quanto para a geração de energia elétrica através de placas fotovoltaicas. Existem pesquisas desenvolvidas em vários países destacando a importância de sua aplicação nas fachadas da edificação e não apenas em sua cobertura, mas em localidades com dificuldade de disponibilidade de luz solar, a aplicação da tecnologia se torna inviável.

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