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SETE MESES | O que foi feito e o que ainda está na promessa em BC

DIARINHO analisou a saúde, educação, segurança, cultura, turismo e a área administrativa de Balneário para saber o que já pintou de novidade com a mudança de governo

Melissa Bergonsi
geral@diarinho.com.br

Fabrício Oliveira (PSB) assumiu a prefeitura de Balneário Camboriú com uma gama de promessas que classificou de “novas ideias” para administrar a cidade. Promessas que garantiam enxugar a máquina pública, resolver a extensa fila de espera nas creches e na saúde, melhorar a segurança e aproximar a prefeitura do cidadão. Fabrício insistiu durante sua campanha que iria unificar BC, acabando com a diferença de investimentos e obras entre avenida Atlântica e a 6ª, como exemplo, para tocar na ferida que a parte “turística” da cidade tem privilégios na hora de decidir onde investir o dinheiro da prefeitura. A reportagem do DIARINHO apurou o que ele conseguiu cumprir nesses sete meses e o que ainda está devendo para a população.    

 


Fila que nunca zera

Em BC a fila de quem mofava na espera de um exame médico parece ter andado mais rápido depois que o prefeito Fabrício assumiu mas ainda está longe de zerar. Em seis meses, a prefeitura conseguiu fazer, pagando a um mutirão formado por clínicas e hospitais credenciados, mais de 330 mil exames, sendo que cerca de 245 mil foram de laboratório.  Isso significa que, em média, foram realizados 55 mil exames por mês, quase dois mil por dia, uma média de 77 por hora.  Mesmo assim, a fila que em dezembro de 2016 era de 11.339 pacientes, baixou para 8824 pessoas. No balanço das consultas, o número também é expressivo. Foram mais de 29 mil em seis meses de mutirão atendendo cerca de 5,2 mil pacientes. As consultas que aparecem com maior número foram as de oftalmo, ortopedia e angiologia, por exemplo. Até agora, 12 especialidades estão com fila zero,  entre elas angiologia, neurocirurgia, cirurgia pediátrica e oftalmologia. Entretanto, mesmo com esse esforço concentrado, cerca de 16 mil pacientes estavam na fila em dezembro de 2016. O número atual é de 13.389.

Por isso, a gestora do Fundo Municipal de Saúde de BC, Ionice Amaral,  explica que o termo “zerar a fila” não é recomendado na área da saúde. “Nós pedimos para não usar essa expressão e preferir o termo fila ‘saudável’. Na saúde não existe essa expressão porque entra gente todo dia, ela nunca acaba”, disse. Segundo Ionice, as negociações com as clínicas continuam para tentar aumentar o credenciamento e o atendimento. O balanço mostra que até agora foram gastos mais de R$ 5,5 milhões do Fundo para custear o mutirão.

Uma pedra no sapato de Fabrício é a questão do custeio e administração do Hospital Ruth Cardoso. A ideia é terceirizar a administração para uma organização social, entretanto, essa experiência já foi frustrante em 2014 com a Cruz Vermelha.

 


Compra de vagas nas creches

 

Balneário Camboriú saiu na frente com a ideia de colocar a criançada na rede privada de ensino. Mas das 436 vagas anunciadas, por enquanto, só vai conseguir comprar apenas 271. Segundo a prefa, das 19 escolas ligadas à Ampe apenas sete conseguiram apresentar a documentação pretendida. O número representa quase um quinto do que seria necessário para zerar a fila. Segundo dados da secretaria de Educação do município são mais de 1100 crianças na lista de espera. Se pode parecer bom de um lado, do outro a população tem que ficar atenta aos resultados da iniciativa. Primeiro é necessário saber se quem está na fila e será atendido vai morar próximo à escolinha ou precisará de transporte. Outra incógnita é que ainda não se sabe como será a adaptação da gurizada de zero a três anos a um modelo pedagógico e a um calendário escolar que são diferentes da rede pública. É literalmente pagar para ver.

Outras ações para tentar reduzir a fila seria a criação de 20 novas vagas no NEI Anjo da Guarda e mais 10 no Nei Vovô Alécio. Além da previsão da construção de um novo núcleo infantil.

 


Saúde financeira

BC deve arrecadar em 2017 mais de R$ 641 milhões. Quase metade desse valor é usado apenas para pagar a folha de pagamento do funcionalismo. Fabrício assumiu com a promessa de enxugar a máquina, mas enfrentou as críticas por ter um governo inchado com cargos comissionados. A prefa se defende dizendo que já iniciou os cortes nas comissões, horas extras e estagiários, por exemplo. O objetivo é chegar ao final do ano economizando mais de R$ 20 milhões. Com pessoal, serão cerca de R$ 15,3 mi. Outra área de corte de despesas atacada pela prefeitura é na revisão de contratos e alugueis. Um exemplo foi a economia com a compra de asfalto quente para tapar os buracos da cidade. Segundo a prefa, o valor estimado para o pregão era de R$ 7,5 mi, mas conseguiu negociar uma redução de mais de R$ 2 milhões no preço final para comprar a mesma quantidade que daria para pavimentar cerca de 12 quilômetros de vias.  Outra ação para cortar os gastos foi o leilão de veículos que estavam há mais de 10 anos parados. Mesmo assim, a reforma administrativa ainda não se tornou realidade. Segundo a prefa, o projeto está em fase final. É esperar pra ver.

 


Prefa nos bairros

Mais de 4600 moradores de Balneário Camboriú, dos bairros das Nações e Barra,  foram atendidos pelo programa Prefeitura Perto de Você. O prefeito Fabrício prometeu em campanha que levaria a administração para mais perto da população e no início de maio fez a primeira edição do programa para atender de 2500 pessoas no bairro das Nações. Lá, além de Fabrício e seu primeiro escalão ouvirem os pedidos dos moradores, foram oferecidos serviços como confecção de carteira de identidade, carteirinha do idoso, atendimentos da Fila Única, medição de glicose e pressão, além de atividades como pintura, jogos, esportes e apresentações culturais. A segunda edição do programa rolou só no começo de julho na Barra e, segundo a prefa, 2100 pessoas participaram do programa. Nesse, que comemorou os 53 anos de BC, os serviços foram ampliados com a presença do Núcleo de Atenção ao Idoso, cadastro para Bolsa Família, testagem rápida para HIV, aplicação de vacina HPV e até design de sobrancelha, massagem e esmaltação para quem quis. O fato é que até agora foram apenas duas edições do programa com um espaço de dois meses entre elas. Segundo a assessoria da prefa, ainda não há data definida para o próximo evento. Em campanha, Fabrício insistiu em uma cidade unificada que recebesse os serviços igualmente. Se é isso que o programa pretende, com edições de dois em dois meses, Fabrício levaria mais de dois anos para passar por todos os bairros de BC com o seu secretariado para ouvir a população.

 


 

Segurança

A ideia do prefeito Fabrício para incrementar a segurança em Balneário é fazer com que as forças policiais trabalhem de maneira integrada. Por isso o Centro Integrado de Segurança, que fica na passarela da Barra, na Barra Sul, foi construído em parceria com o Ministério Público. Desde então, policiais militares e civis e guardas municipais formam um grupo que atua no local. Entre as promessas está a de agilizar as investigações de roubos, estelionatos e crimes ambientais. Por enquanto, o balanço da prefeitura mostra que somente no primeiro semestre foram 584 prisões realizadas pelas forças da Guarda Municipal. Drogas está ligada a maioria delas com 143 casos (99 encaminhamentos por posse e 44 por tráfico). Além disso, foram cumpridos 55 mandados de prisão, o que teria zerado o número na cidade, segundo alega a prefeitura. Os números apresentados são maiores que os registrados no mesmo período do ano passado, quando 356 prisões foram realizadas. Entretanto, o secretário da Segurança, Antônio Gabriel Castanheira, alega que a violência em BC não aumentou. “Nesse ano, tiramos nossa equipe das bases fixas e as colocamos em rondas pela cidade o que aumentou o número de prisões”, disse. Apesar desses números, uma promessa de Fabrício para a segurança ainda não saiu do papel. Em campanha e logo depois que assumiu, garantiu que chamaria novos Guardas Municipais já aprovados em concurso para aumentar o efetivo, mas, até agora, nada.

 


 

Cultura e Turismo

 

Balneário não apresenta, com o Itajaí, um projeto destaque como o Arte nos Bairros. Mas tem mostrado trabalho na quantidade de atividades frequentes gratuitas e nas praças e bairros da cidade. Nesse fim de semana que passou, rolou a Festa do Bom Sucesso, tradicional, mas remodelada. Uma das atrações foi a Camerata de Floripa que tocou Bob Marley. Tudo aconteceu na Barra, outra mudança feita com o argumento que o modelo era para atrair pessoas de todas as idades. Além disso, a Fundação Cultural também deu um novo formato para a Praça da Cultura, que acontece todos os sábados, das 9h às 17h, atrás do shopping Atlântico com a vila do artesanato, feirinhas e apresentações artísticas e culturais. Outras duas novidades na área: a Casa Linhares foi reaberta pelo prefeito Fabrício e os Festivais das Estações vai garantir diversão para a cidade em toda abertura de estação. O que ainda não está confirmado, apesar da prefeitura garantir que já enviou pra Fundação Cultural, é a Festa Farroupilha.

Com a chegada dos transatlânticos na cidade, Fabrício agora quer conseguir com o governo federal a possibilidade de grandes navios de viagens internacionais poderem partir ou chegar a partir do píer de passageiros da cidade. Outras duas ações tocadas pela prefeitura na área do turismo é a finalização do Centro de Eventos e a construção do Mercado Público da Barra.

 


 

Oposição não vê avanço em Balneário

Nilson é contra a compra de vagas para as creches

O vereador Nilson Probst (PMDB), que faz parte da oposição na Câmara de Vereadores, criticou a administração de Fabrício e disse que não viu evolução nesses sete meses de governo. Ele cita, por exemplo, que em vez de diminuir os cargos em confiança como prometeu, o prefeito teria aumentado o número. “Apesar de Balneário ter uma saúde financeira que faz inveja a outras cidades brasileiras, precisamos de uma reforma administrativa que ele também prometeu e até agora não cumpriu”, afirmou.

Em resposta, a prefeitura informou que a reforma está em fase final de elaboração e que corrigirá irregularidades apontadas pelo Ministério Público em 130 cargos criados no passado sem a descrição de função. Segundo a nota da prefa, a reforma vai atualizar o organograma para cortar gastos, melhorar a eficiência da gestão e prestigiar o funcionalismo.

Probst se colocou contra a compra de vagas em creches afirmando que a atitude será apenas um paliativo temporário. Para ele, a prefeitura deveria investir na construção de novos núcleos. “Recebi uma informação das escolas particulares que estão disponíveis apenas 250 vagas e não as 430 que a prefeitura disse que vai comprar. Ele deveria investir em obras para ampliar nossa oferta,” falou.

A prefeitura explica que nem todas as escolas cumpriram os requisitos do edital e que por isso, nesse momento, não comprará todas as vagas anunciadas. Outro edital para contratar novas vagas deve ser aberto ainda este ano. Outras ações para tentar reduzir a fila seria a criação de 30 novas vagas em creches da cidade. Além da previsão da construção de um novo núcleo infantil.

O vereador também pediu que Fabrício não cancele a Festa Farroupilha. A prefa garantiu que o assunto já está sendo resolvido pela Fundação de Cultura.

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