Home Notícias Especial “O porto sempre é a prioridade; ele é o motor principal da nossa economia”

“O porto sempre é a prioridade; ele é o motor principal da nossa economia”

Prefeito fala sobre o momento de Itajaí, com o porto operando na sua capacidade máxima e o início de dezenas de obras viárias

Itajaí iniciou as obras viárias que prometem transformar a mobilidade do município e vive boas expectativas com a conclusão do berço 4 do porto municipal.
O porto de Itajaí, após uma década de espera pela conclusão das obras, voltou a operar com sua capacidade máxima. Já o financiamento internacional do Fonplata, permite que a prefeitura faça investimentos viários que prometem mudar a cara da cidade, garantindo mais mobilidade, segurança e agilidade ao trânsito.
Para falar sobre essas expectativas, a jornalista Mariana Feitosa entrevistou o prefeito Volnei Morastoni (MDB).
Ele confirmou a boa fase, mas não deixou de esboçar preocupação com notícias sobre supostas mudanças anunciadas pelo governo estadual na questão do ICMS. O governo municipal ainda estuda se as mudanças terão impacto negativo em nossa economia.
O prefeito ainda abordou temas como a crise da pesca, a construção naval e novas operações no porto.
Confira os principais pontos no texto a seguir. Quem quiser assistir ao material em vídeo, é só acessar www.diarinho.com.br.

Mudanças no centro da cidade

Estamos com outros encaminhamentos para a construção desse trecho da via que seria da avenida Marcos Konder e rua Silva, ali de frente à Milium, naquela altura do Colégio São José, onde foi duplicado o início da rua Silva. Naquela quadra se daria continuidade até à avenida Caninana, ali no beco do Mickey.Isso para nós seria importante porque ali nós incluímos no financiamento do Fonplata esse trecho da via. As desapropriações não podem ser incluídas nos recursos do financiamento internacional, então estamos acertando, levantando e vendo os recursos para as possíveis desapropriações que deverão chegar na ordem de R$ 25 milhões em imóveis, que teríamos nesse trajeto ali para executar essa via também. É importante a execução porque a via delimita uma relação, um limite entre o porto e a cidade. Significa que quem estiver vindo, digamos, ali da esquina da Marcos Konder em relação a Caninana, tudo que ficar à direita dessa via, por exemplo, futuramente vai ser desapropriado para ampliar a área primária do porto. Essa ampliação de área primária, na verdade, já está hoje estimada em três áreas que nós chamamos de D, E e F. Essas áreas inicialmente desapropriadas no início, quando começou todo o arrendamento. Lá onde ainda tínhamos a Itavel, a prefeitura antiga e a Capitania dos Portos. Naquela etapa foram desapropriadas as áreas A, B e C, até onde estamos hoje. De agora em diante temos uma etapa que se chama então D, E e F, que vai desse ponto que eu falei na retomada da via, ali nesse cruzamento da Marcos Konder e rua Silva, até na altura da Braskarne, aproximadamente.

MUDANÇAS NO ICMS
Nós estamos estudando esse decreto do governador Carlos Moisés (PSL) porque pelo que nos consta, pelo que nos foi informado, ele estaria apenas regulamentando uma atividade que já estaria em curso. Houve uma decisão de estabelecer em relação aos produtos de origem que seriam exportados por Itajaí, aqueles produtos, principalmente do agronegócio, de suíno, ave e do oeste principalmente, que teria que fazer essa tributação de 90% lá na origem e 10% na cidade da exportação. Pelo que nos foi dito, seria a regulamentação dessa decisão já anterior. A nossa equipe técnica está debruçada para esclarecer se é isso mesmo ou se há outros desdobramentos.
Se porventura houver uma ampliação desse espectro aí de produtos industrializados, o impacto seria muito grande. Então estamos estudando e em breve vamos ter uma posição oficial.
É lógico que o porto é a principal força motriz da nossa economia, então decisões como essa do governo impactam na arrecadação do ICMS para o município, mas nós temos uma diversificação de atividades gerando uma movimentação cada vez maior e que é, também, suplementar.

Pela primeira vez, depois de uma década de espera, porto operou com três navios simultaneamente

FASE DIFÍCIL NA PESCA
A pesca sempre fez parte da nossa identidade, da nossa vocação, dependemos muito da política federal no setor pesqueiro e esperamos que se superem essas dificuldades. São divergências que têm nos afetado diretamente. A pesca precisa ter um endereço certo no escalão do governo federal, ela precisa ter recursos de financiamento, de apoio e precisa ter pesquisa. Pesquisas que de fato orientem. Atualmente estamos nessa polêmica. Realmente os estoques de tainha estão escassos ou não? Então precisa de uma direção, uma definição dessas políticas nacionais. Os municípios dependem diretamente do governo federal nesta área.

PORTO NA CAPACIDADE MÁXIMA
O porto está na sua plenitude, operando com os quatro berços de atracação. O canal de navegação está com a hidrovia devidamente dragada até a profundidade de 14 metros, e também o contrato de manutenção do canal está em execução. Está sendo finalizada a bacia de evolução, que é esse alargamento do rio para receber navios maiores. Fizemos um contrato com a Vanorte, a própria empresa de manutenção da dragagem, que vai permitir que até setembro ou outubro tenhamos a finalização da bacia de evolução na etapa 1.
Ao mesmo tempo, estamos concluindo uma sinalização moderna do porto com boias inteligentes. O porto está na sua plenitude e com várias linhas retornando a operar aqui. Além dos contêineres, que é a atividade principal do nosso porto na movimentação de cargas, também estamos com movimentação de veículos que é um outro componente importante.

O porto na sua plenitude nos impõe que ampliemos a área primária. Hoje estamos com 100 mil metros quadrados aproximadamente. Os planos seriam triplicar essa área para irmos a 300 mil metros quadrados.”

NOVAS OPERAÇÕES
Deve iniciar uma linha de carga geral, provavelmente com exportação de celulose. Há essa diversificação: contêineres, veículos e carga geral; isso é importante. Essa retomada total do porto é importante para mostrar segurança, confiabilidade e até ir em busca de outras frentes, e na antessala de uma nova fase, de uma nova concessão do terminal. Porque também de nada adiantaria se nós estivéssemos assim bem, mas sem uma perspectiva de futuro. Em 2022, dentro de três anos, termina o contrato com a APM Terminals, atual arrendatária. Estávamos na incerteza se esse contrato poderia ser prorrogado ou não. Então agora com a inclusão do nosso porto num plano prioritário do governo federal com outros portos para essas novas concessões, isso também nos dá uma segurança e uma perspectiva de futuro.
Novas linhas estão por vir, já estão prospectadas a partir da própria APM. Na movimentação de veículos também há várias tratativas com outras montadoras, além da General Motors. Outras montadoras também poderão passar a utilizar o porto de Itajaí. Com o berço 4 pronto, pela primeira vez, nós já tivemos três navios atracados simultaneamente em Itajaí. E há mais de uma década não se via isso. Isso significa que nós estamos prontos para ir buscar mais cargas, receber mais navios, diversificando esse tipo de movimentação.
Até combustíveis na forma de isotanques, que seriam combustíveis que poderiam chegar no nosso porto em isotanques e seriam imediatamente conduzidos para uma outra área específica. Essa diversificação é importante. O porto na sua plenitude nos impõe que ampliemos a área primária. Hoje estamos com 100 mil metros quadrados aproximadamente, um pouquinho mais, e os planos que nós temos agora seriam para triplicar essa área, para irmos a torno de 300 mil metros quadrados. Então isso exige uma série de providências, de encaminhamentos, que já estamos fazendo.

DESAPROPRIAÇÕES NA ÁREA PORTUÁRIA
Começando agora aqui pela rua Blumenau, Benjamin Franklin Pereira e Caninana – avenida Irineu Bornhausem- , na rua Pedro Antonio Fayal, na rua Max, quer dizer, são aqueles 21 milhões que o município depositou para o porto, fruto da indenização da área onde foi construído o Centro Integrado de Saúde (CIS). As tratativas com o governo federal são para que esses recursos vão para o caixa do porto, mas para os investimentos também. Há um compartilhamento de encaminhamentos com a própria agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), com a secretaria Nacional de Portos que autorizaram que esses recursos poderiam ser aplicados nesse projeto que seria a incorporação do rack à área primária do porto. Para essa finalidade já tem desapropriações em curso. Está prevista reunião na Antaq que deve ratificar a aplicação desses recursos. Os estudos estão sendo feitos, todo o levantamento, todas as avaliações dos imóveis. Vamos proceder imediatamente a chamada de todos os proprietários para poder acertar as indenizações, as desapropriações e imediatamente executar. O município está estudando a possibilidade de adquirir essa área da antiga HM, no final da avenida Caninana. É uma área ociosa de particular que estamos em negociação. Ali seria mais uma alternativa de anexar uma área importante e estratégica para o porto.
ECONOMIA
O porto sempre é a prioridade, porque ele é o motor principal da nossa economia. Quando está girando essa roda do porto, gira toda a roda da nossa economia; afeta a autoestima da cidade pela sua importância. E 70% ou mais da nossa economia gravitam em volta do porto.
A ativação da construção naval vai ser importante. O Estaleiro Oceana ainda está nessa fase preliminar. Eu tenho recebido aqui a direção do estaleiro, tenho recebido o diretor executivo que vai representar o consórcio alemão. As perspectivas são boas, de ativação de toda a construção naval, e isso não é só para o momento, para uma encomenda de construção de quatro navios, de quatro corvetas para a Marinha brasileira. Mas depois tem a manutenção e presume-se que aqui vai ter muita transferência de tecnologia, de alta tecnologia. Vai se configurar num polo de construção naval de referência internacional, então outros pedidos tanto para Marinhas sul-americanas quanto de outras procedências da região do nosso Hemisfério Sul. Se projeta uma força importante para nossa cidade.

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